Reconhecida pela revista americana Newsweek como um centro de tecnologia de referência mundial, a chamada Liverpool Brasileira fica no agreste do Nordeste e abriga o maior São João do planeta. Campina Grande reúne 440 mil habitantes, uma qualidade de vida que fica acima da média da região e uma trajetória que vai do algodão ao código de programação, bem no coração da Paraíba.
Por que essa cidade paraibana ganhou o apelido de Liverpool?
Foi na primeira metade do século XX que o algodão fez de Campina Grande uma potência do comércio. A fibra chegava dos municípios vizinhos, passava pelo beneficiamento na única máquina que existia no interior do país e partia de trem até o porto do Recife. Nos anos 1940, o volume que era exportado só ficava atrás de Liverpool, na Inglaterra. O chamado “ouro branco” fez a população dar um salto de 20 mil para 130 mil pessoas em pouco mais de três décadas.
O ciclo do algodão passou, mas a fibra segue entranhada na identidade de quem vive ali. A Embrapa Algodão, que tem sede na cidade, criou variedades de algodão que já nascem coloridos, nas tonalidades marrom, verde e avermelhada. O produto dispensa qualquer tipo de tingimento químico e já foi parar em desfiles de moda na Itália. Campina Grande é a única cidade do mundo que produz em escala industrial artefatos feitos com algodão colorido.

Reconhecimento que vai do Nordeste ao mundo
Em 2001, a revista americana Newsweek escolheu nove cidades de destaque no mundo como modelo de centro tecnológico. Campina Grande foi a única representante da América Latina, ao lado de Barcelona, Suzhou e cidades dos Estados Unidos, conforme registra a Prefeitura de Campina Grande. A vocação tecnológica nasceu com a chegada do primeiro computador do Nordeste, um mainframe da IBM, em 1967.
A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) alimentam um setor de tecnologia com dezenas de empresas de software. A cidade possui a maior proporção de doutores por habitante do Brasil: 1 para cada 590 pessoas, seis vezes a média nacional. O Maior São João do Mundo, realizado entre o fim de maio e o início de julho, recebeu 3,2 milhões de visitantes em 2025 e movimentou mais de R$ 742 milhões na economia local, segundo dados da Prefeitura.

O que fazer na Rainha da Borborema?
O roteiro campinense se concentra ao redor do Açude Velho, espelho d’água construído em 1830 no coração da cidade:
- Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP): última grande obra de Oscar Niemeyer, inaugurada em 2012. Três blocos circulares às margens do açude lhe renderam o apelido de Museu dos Três Pandeiros.
- Açude Velho: 47 mil m² de espelho d’água com calçadão arborizado, monumentos e bares no entorno. Cartão-postal da cidade.
- Museu do Algodão: instalado na antiga estação ferroviária, conta a saga do ouro branco com maquinário original e fotografias.
- Vila do Artesão: complexo com cerca de 70 lojas onde artesãos produzem e vendem cerâmica, renda, couro e peças em algodão colorido.
- Parque do Povo: com 40 mil m² que se expandem para quase 80 mil m² durante o São João, é o palco do maior arraial do planeta.
Fora de junho, a cidade mantém agenda movimentada com o Festival de Inverno, o MotoFest e congressos tecnológicos no Centro de Convenções.
Quem deseja descobrir as riquezas e a cultura da terra do maior São João do mundo, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Fabi Cassol | Minha Praia Viajar, que conta com mais de 80 mil visualizações, onde Fabi Cassol mostra um roteiro completo de Campina Grande, Paraíba:
Quando visitar a Liverpool Brasileira?
A altitude de 551 metros garante noites mais frescas do que as do litoral paraibano. O período seco entre setembro e dezembro favorece passeios ao ar livre. A tabela abaixo resume as estações e os programas ideais:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O caminho para se chegar a Campina Grande
Campina Grande está a 128 quilômetros de João Pessoa pela BR-230, um trajeto que se cumpre em mais ou menos 1 hora e 40 minutos de carro. Para quem parte do Recife, a distância é de uns 200 quilômetros, que se vencem pela BR-104. O Aeroporto Presidente João Suassuna recebe voos que chegam de várias capitais brasileiras e funciona como um importante hub de alcance regional. Da rodoviária da cidade saem diariamente ônibus interestaduais que fazem a conexão com as principais capitais de todo o Nordeste.
Conheça a cidade que trocou o algodão pelo compasso do forró
Campina Grande carrega na alma a energia de uma feira que parece nunca ter hora para acabar, de um forró que é capaz de atravessar gerações e de uma fibra que já nasce com cor própria. A Rainha da Borborema tem o dom de embaralhar a história, a inventividade e o acolhimento que é tão típico do povo nordestino de uma maneira que só o agreste paraibano é capaz de fazer.
Você precisa subir a serra no mês de junho e experimentar na pele o motivo que leva 3 milhões de pessoas a elegerem esta cidade como o lugar certo para dançar forró sob um céu frio que ninguém jamais poderia imaginar encontrar na Paraíba.









