A divisão da placa africana deixou de ser apenas hipótese teórica e ganha cada vez mais respaldo em dados de campo, mostrando como o continente está se fragmentando lentamente em grandes blocos tectônicos e revelando impactos em rios, recursos naturais e na compreensão da dinâmica profunda da Terra.
O que é a fratura da placa africana e como ela funciona?
As placas tectônicas são grandes blocos rígidos que formam a litosfera, a camada externa sólida da Terra. Elas se encaixam como um enorme quebra cabeça sobre o manto, que é uma camada mais plástica abaixo da crosta, e se movem de forma constante, embora muito lenta, em milímetros a poucos centímetros por ano.
Para entender como esse movimento constante das placas molda a superfície do nosso planeta na prática, o canal @CanalTop10 explica um fenômeno fascinante: a rachadura na África que pode dar origem a um novo oceano. O vídeo ilustra como a força do interior da Terra é capaz de partir continentes inteiros ao meio:
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O que é a Kafue Slenk e qual sua relação com a divisão da placa africana?
A Kafue Slenk, na Zâmbia, é um vale tectônico afundado chamado slenk ou rifte, formado quando a crosta é tensionada e começa a se abrir. Nesse processo, um bloco central desce em relação às bordas, criando um terreno mais baixo e alongado, típico de regiões em que placas iniciam um processo de separação.
Pesquisadores ligados à Universidade de Oxford indicam que essa depressão pode integrar uma estrutura de ruptura com cerca de 2.500 quilômetros, da Tanzânia à Namíbia. Isso reforça a ideia de que a África pode se dividir em blocos distintos, que evoluem em ritmos diferentes, e ajuda a explicar por que algumas áreas têm maior sismicidade e vulcanismo do que outras.
Como a possível placa San pode influenciar a geologia e os recursos naturais?
Para entender esse contexto, deve-se considerar que a placa Africana está se dividindo em grandes blocos litosféricos em lento processo de separação. Esse movimento configura a placa Nubiana a oeste, a placa Somali a leste e, possivelmente, a placa San ao sul, englobando áreas da Zâmbia, Botsuana, Namíbia e África do Sul.
Essa nova configuração tectônica pode afetar a circulação de fluidos profundos e a formação de reservatórios de gases. Entre os impactos práticos, vale destacar alguns recursos que despertam grande interesse econômico e estratégico:
- Hélio, essencial em ressonância magnética, criogenia e indústria de semicondutores
- Hidrogênio natural, visto como possível fonte de energia de baixo carbono em um futuro próximo
- Águas subterrâneas ligadas a falhas profundas, com potencial para uso em abastecimento e geotermia

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Como os gases do manto revelam a divisão da placa africana e quais são os próximos passos?
Para testar se a Kafue Slenk faz parte de uma grande zona de ruptura ligada à placa San, cientistas analisaram gases que sobem do interior da Terra. Em fontes termais e poços na Zâmbia, dentro e fora da slenk, eles mediram a relação entre hélio 3 e hélio 4, já que o primeiro é típico do manto e o segundo vem, em grande parte, da crosta.
Nas áreas dentro do rifte, a proporção de hélio 3 foi várias vezes maior que a esperada para gases de origem apenas crustal, e em alguns pontos até o dióxido de carbono mostrou assinatura mantélica. Esses resultados indicam crosta mais fraturada e permeável, fato que orienta novas campanhas de pesquisa. Entre as ações previstas destacam se:
- Coletar mais amostras de gases em Botsuana, Namíbia e possivelmente África do Sul
- Integrar dados sísmicos, gravimétricos e de sensoriamento remoto para mapear a zona de ruptura
- Avaliar riscos geológicos e oportunidades ligadas a recursos como hélio e hidrogênio natural
Ao integrar o estudo dos gases profundos com dados geofísicos, a ciência não apenas mapeia as cicatrizes da crosta, mas também abre caminho para uma compreensão mais clara da evolução geológica da região e do seu potencial para recursos naturais estratégicos.









