Sahul, a antiga massa continental que existiu durante a Era do Gelo ao norte da Austrália, voltou ao centro das atenções após pesquisadores criarem um mapa 3D detalhado da região submersa. A descoberta ajuda cientistas a entender como milhares de pessoas viveram em áreas hoje cobertas pelo oceano e como o aumento do nível do mar transformou completamente a paisagem. O estudo também revela pistas importantes sobre migrações humanas, mudanças culturais e o desenvolvimento da arte rupestre em regiões como Kimberley e Arnhem Land.
O que era Sahul durante a Era do Gelo?
Segundo a pesquisa publicada na revista Quaternary Science Reviews, Sahul era uma enorme massa de terra que conectava a Austrália, a Nova Guiné e a Tasmânia há dezenas de milhares de anos. Durante a última Era do Gelo, o nível do mar estava muito mais baixo, permitindo a formação de extensas áreas terrestres atualmente submersas.
Pesquisadores acreditam que essa região serviu como uma importante rota de migração humana. Povos antigos utilizaram o território para se deslocar entre ilhas e desenvolver comunidades próximas de rios, lagos e áreas costeiras férteis.

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Como o mapa 3D de Sahul foi criado?
O novo mapa foi desenvolvido a partir da análise da topografia do fundo do oceano na costa norte da Austrália. A tecnologia permitiu reconstruir digitalmente paisagens que desapareceram há milhares de anos devido ao aumento do nível do mar.
Os pesquisadores identificaram detalhes importantes sobre o território submerso, incluindo regiões habitáveis e possíveis áreas de ocupação humana. Entre os principais elementos encontrados estão:
- Grandes planícies costeiras que facilitavam a circulação de pessoas.
- Um enorme mar interior cercado por áreas férteis.
- Regiões de pesca e caça fundamentais para sobrevivência.
- Conexões terrestres entre diferentes partes da antiga Austrália.
Quantas pessoas viveram em Sahul?
Modelos demográficos indicam que até 500 mil pessoas podem ter vivido em Sahul entre 70 mil e 61 mil anos atrás. Esse número impressiona arqueólogos porque demonstra um nível de ocupação humana muito maior do que se imaginava anteriormente.
As evidências arqueológicas encontradas em Kimberley e Arnhem Land reforçam essa teoria. Antes da inundação da região, comunidades já produziam ferramentas de pedra, pinturas rupestres e outros registros culturais importantes. Os cientistas destacam alguns sinais dessa ocupação:
- Aumento no número de ferramentas de pedra encontradas em sítios arqueológicos.
- Mudanças nos estilos de arte rupestre em diferentes regiões australianas.
- Indícios de migração populacional após a subida do nível do mar.
- Possível troca cultural entre grupos antigos.

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Por que essa descoberta é importante?
A reconstrução de Sahul ajuda arqueólogos a compreender melhor como os primeiros humanos sobreviveram às mudanças climáticas extremas da pré história. O desaparecimento gradual dessa massa continental provavelmente obrigou milhares de pessoas a migrarem para áreas mais altas do norte da Austrália.
Além disso, a descoberta mostra que muitas evidências da história humana podem estar escondidas sob o oceano. O avanço das pesquisas subaquáticas pode revelar novos sítios arqueológicos e ampliar o conhecimento sobre os primeiros povos que habitaram a Oceania.









