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Início Animais de Estimação

Em uma ilha-santuário da Nova Zelândia, nasce Tīwhiri, o cácapo de 121 gramas que pode marcar a maior temporada desde 1996

Laila Por Laila
19 maio 2026 02:35
Em Animais de Estimação
Filhote de cácapo repousa em ninho protegido na floresta

Filhote de cácapo repousa em ninho protegido na floresta

Quando uma espécie inteira depende de poucos nascimentos, cada filhote vira uma notícia capaz de mudar a temporada. O cácapo, papagaio noturno e não voador da Nova Zelândia, acaba de ganhar Tīwhiri, um macho de apenas 121 gramas que reacende a esperança de recuperação da ave.

O que é o cácapo e por que ele é tão raro?

O cácapo (Strigops habroptilus) é um papagaio noturno, não voador e endêmico da Nova Zelândia. Seu nome em maori significa “papagaio da noite”. Com hábito de se esconder durante o dia e nidificar no chão, tornou-se extremamente vulnerável à predação por espécies invasoras como ratos, gatos e furões.

Considerado o papagaio mais pesado do mundo, pode viver mais de 100 anos e só se reproduz a cada 2 a 4 anos, quando ocorre a frutificação “masta” da árvore rimu, sua principal fonte de alimento. Atualmente, a população total é de 253 indivíduos, dos quais apenas 86 são fêmeas férteis.

Cácapo adulto caminha entre musgos e frutos de rimu

Leia também: O gigante de 2,7 metros que confundiu moradores na praia e expôs um mistério do oceano profundo

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Quem são os pais de Tīwhiri e como foi seu nascimento?

Tīwhiri é filho da fêmea Kuia, de 35 anos, e do macho Rangi, de 28 anos. Seu nascimento foi possível graças a um manejo cuidadoso: como a mãe biológica já tinha quatro ovos férteis nesta temporada, o ovo de Tīwhiri foi transferido para Yasmine, uma mãe adotiva experiente que não tinha ovos férteis próprios.

De acordo com o Departamento de Conservação da Nova Zelândia (DOC), o filhote está sob monitoramento 24 horas por câmeras térmicas. A equipe celebra o nascimento, mas mantém cautela: a taxa de sobrevivência de filhotes é de apenas 33%.

Infográfico ilustra o ciclo de proteção do filhote de cácapo

Como está sendo a temporada reprodutiva de 2026?

A temporada foi ativada pela frutificação masta do rimu, evento que ocorre a cada 2 a 4 anos. Até março de 2026, foram contabilizados 187 ovos, dos quais 74 são férteis. A expectativa é que esta seja a maior temporada desde 1996, mas nem todos os ovos devem eclodir.

Deidre Vercoe, gerente de operações do DOC, explica: “Os cácapos são uma das espécies mais intensamente manejadas no mundo. A prioridade é dada aos ovos e filhotes menos representados no conjunto genético”. A população atual de 253 aves é fruto de um programa de recuperação de 30 anos, que partiu de apenas 51 indivíduos.

Qual é a importância do nascimento de Tīwhiri para a conservação?

Cada filhote é crucial para a diversidade genética da espécie, classificada como criticamente ameaçada. O programa de recuperação, conduzido pelo DOC em parceria com a tribo maori Ngāi Tahu, atua em ilhas livres de predadores, onde as aves podem se reproduzir com segurança.

A tabela abaixo resume os principais números da temporada de 2026 e o esforço de conservação:

IndicadorNúmero
População total253 indivíduos
Fêmeas férteis86
Ovos totais187
Ovos férteis74
Taxa de sobrevivência de filhotesAproximadamente 33%

Como o cácapo é monitorada e protegido?

O trabalho de conservação envolve tecnologia de ponta e cuidado manual. Os ninhos são vigiados por câmeras térmicas, e muitos ovos são incubados artificialmente para protegê-los de predadores ou de brigas entre aves que disputam tocas. A transferência de ovos entre ninhos é prática comum para maximizar a diversidade genética.

As câmeras também cumprem um papel educativo: aproximam o público da realidade dessa espécie tão ameaçada e mostram os desafios diários da conservação. “Poucas pessoas têm a chance de ver um cácapo na vida real. Por isso, trabalhamos para trazer essas histórias até você”, explica a equipe do DOC.

Ilustração mostra ninhos de cácapo em ilhas sem predadores

Que características tornam o cácapo uma ave tão singular?

Além de não voar, o cácapo possui hábitos noturnos e um olfato apurado, incomum em aves. Seu ritual de acasalamento inclui um som grave e repetido (chamado de “boom”) que pode viajar por quilômetros na floresta. Durante a temporada reprodutiva, os machos competem por fêmeas emitindo esses sons em arena.

Apesar dos avanços, a espécie ainda depende inteiramente da intervenção humana para sobreviver. A cada filhote como Tīwhiri, renova-se a esperança de que, um dia, os cácapos possam voltar a prosperar em liberdade nas ilhas da Nova Zelândia.

Tags: animaisAvesvida animal

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