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Início Ciência

O mineral mais abundante da Terra está escondido a 670 km de profundidade e quase ninguém o viu

Roberta Patriota Por Roberta Patriota
26 maio 2026 11:55
Em Ciência
O mineral mais abundante da Terra está escondido a 670 km de profundidade e quase ninguém o viu

Cientistas acreditam que propriedades da bridgmanita podem ajudar no avanço de supercondutores e novas tecnologias futuras.

Escondido a mais de 670 quilômetros abaixo da superfície terrestre, um mineral praticamente invisível para a humanidade domina grande parte do interior do planeta. Chamado de bridgmanita, ele representa cerca de 38% do volume total da Terra e é considerado o mineral mais abundante do mundo. O mais curioso é que, durante décadas, os cientistas sabiam de sua existência apenas por cálculos e análises sísmicas, sem nunca terem conseguido obter uma amostra direta do interior profundo do planeta. A confirmação oficial veio apenas graças a um meteorito encontrado na Austrália.

O que é a bridgmanita e por que ela é tão importante?

A bridgmanita é um mineral formado principalmente por silicato de magnésio, encontrado em condições extremas de pressão e temperatura no manto inferior da Terra. Ela domina uma região localizada entre centenas e milhares de quilômetros abaixo da crosta terrestre.

Apesar de ser extremamente abundante, o ser humano nunca conseguiu acessar diretamente a área onde esse mineral existe naturalmente. Isso acontece porque as perfurações mais profundas já realizadas alcançaram apenas uma pequena fração da profundidade necessária.

Alguns fatores tornam esse mineral tão impressionante:

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  • Representa uma enorme parte do interior terrestre.
  • Existe apenas sob pressões gigantescas.
  • Nunca foi extraído diretamente do manto da Terra.

Confira no vídeo do canal Só Ciências a importância e localização desse mineral tão importante para nosso planeta:

Leia também: Satélites registram ondas de 35 metros no Pacífico Norte e revelam uma força do oceano que os modelos não previam

Como os cientistas descobriram esse mineral?

Durante muito tempo, pesquisadores sabiam que havia um material dominante no manto terrestre, mas não podiam nomeá-lo oficialmente sem possuir uma amostra física. A solução veio de forma inesperada através de um meteorito que caiu na Austrália em 1879.

Dentro da rocha espacial, cientistas encontraram pequenas quantidades cristalizadas do mineral submetidas às mesmas condições extremas existentes no interior profundo da Terra. Isso permitiu o reconhecimento oficial da bridgmanita pela comunidade científica.

Essa descoberta só foi possível graças a:

  • Análises de meteoritos vindos do espaço.
  • Estudos de ondas sísmicas no interior terrestre.
  • Pesquisas sobre materiais sob pressão extrema.

Leia também: Paleoantropólogos encontraram na Etiópia um fóssil de 3,2 milhões de anos, e ele mudou para sempre a forma como entendemos a evolução humana

Por que não conseguimos alcançar o interior da Terra?

Mesmo com toda a tecnologia moderna, o interior profundo do planeta continua praticamente inacessível. O famoso Poço Superprofundo de Kola, na Rússia, atingiu cerca de 13 quilômetros de profundidade, muito distante da região onde a bridgmanita domina.

Os maiores desafios para explorar o manto incluem:

  • Temperaturas extremamente elevadas.
  • Pressões gigantescas no interior do planeta.
  • Limitações tecnológicas das perfurações atuais.
bridgmanita
As temperaturas e pressões extremas tornam qualquer tentativa de perfuração extremamente complexa. Por isso, grande parte do conhecimento sobre o manto terrestre vem de métodos indiretos, principalmente da análise das ondas geradas por terremotos.

Leia também: O portal de pedra nos Andes que desafia a ciência e levanta teorias sobre uma tecnologia antiga perdida

Como a bridgmanita pode impactar o futuro da tecnologia?

Além da importância geológica, a bridgmanita também desperta interesse por suas possíveis aplicações tecnológicas. Pesquisadores acreditam que suas propriedades podem ajudar no desenvolvimento de materiais supercondutores mais eficientes.

Se essas características forem reproduzidas artificialmente, tecnologias como redes elétricas com menor perda de energia, computadores mais potentes e sistemas avançados de levitação magnética poderão evoluir significativamente. Assim, o mineral mais abundante da Terra pode acabar se tornando também um dos mais valiosos para o futuro científico e tecnológico da humanidade.

Tags: bridgmanitaCiênciageologiaTerra

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