No fundo de um dos lagos mais famosos do mundo, escondido sob as águas calmas do Mar da Galileia, em Israel, existe um gigante de pedra. São mais de 60 mil toneladas de rochas empilhadas num cone enorme, maior que Stonehenge, parado ali por milhares de anos. E o mais intrigante: ninguém sabe ao certo quem o construiu, nem para quê.
O que foi encontrado no fundo do lago?
A descoberta aconteceu no Mar da Galileia, conhecido em Israel como Lago Kinneret, o maior lago de água doce do país. A estrutura ficou escondida sob cerca de 9 metros de água, despercebida por séculos, até ser revelada de um jeito quase casual.
Foi em 2003, durante um levantamento com sonar do fundo do lago, que os pesquisadores esbarraram nela sem querer. Como o leito costuma ser liso, a aparição de um monte enorme surpreendeu a todos. O achado só foi publicado anos depois, em 2013, depois de muito estudo. O que parecia um relevo qualquer se revelou uma das estruturas mais impressionantes já encontradas debaixo d’água na região.
Um gigante maior que Stonehenge
Os números dão a real dimensão da coisa. A estrutura é um cone de pedras com cerca de 70 metros de diâmetro na base e uns 10 metros de altura. O peso estimado passa das 60 mil toneladas, mais do que muitos navios de guerra modernos.
Pra você ter ideia da escala, ela tem o dobro do tamanho do círculo de pedras de Stonehenge, na Inglaterra. A base é mais larga que o comprimento de um avião Boeing 747. Tudo isso foi montado com blocos de basalto não lapidados, pedras de um a dois metros, empilhadas sem um padrão visível de construção, mas claramente pela mão humana.
Como sabem que foi feito pelo homem?
Diante de uma pilha de pedras no fundo de um lago, surge a dúvida: e se for só um acúmulo natural? Os pesquisadores descartaram essa hipótese por bons motivos. A forma e a composição não se parecem com nada natural daquele ambiente.
O basalto, a rocha usada, não estava ali à toa: a fonte mais próxima desse material ficava a centenas de metros, às vezes mais de um quilômetro de distância. Ou seja, alguém transportou todas aquelas pedras pesadas até o ponto exato e as empilhou de forma proposital. Esse tipo de monumento tem nome técnico, é chamado de cairn, uma grande pilha de pedras erguida como marco ou monumento, comum em sítios antigos pelo mundo.
O mistério de quem construiu e porquê
Aqui mora a parte mais fascinante, e a mais honesta: ninguém tem certeza absoluta. A estrutura lembra antigos locais de sepultamento da Europa e provavelmente foi erguida no início da Idade do Bronze, o que jogaria sua idade para a casa dos 4 mil anos. Mas datar com precisão uma pilha de pedras submersa é dificílimo.
As teorias sobre sua função variam bastante. Pode ter sido um monumento funerário, um marco territorial, um ponto de rituais ou cerimônias. Há quem aventou até que servisse de “berçário” para peixes, embora os arqueólogos achem mais provável que tenha sido construído em terra firme e só depois submerso. O que parece certo é que tinha grande importância para quem o ergueu, dado o esforço colossal envolvido.
A ligação com uma antiga cidade
A estrutura não estava isolada no meio do nada, e isso ajuda a montar o quebra-cabeça. Bem perto dali ficava Beit Yerah, uma das maiores e mais fortificadas cidades antigas de toda aquela região na Idade do Bronze.
Essa proximidade sugere uma possível conexão entre o monumento e aquela civilização. Uma sociedade capaz de erguer uma cidade fortificada teria, sim, a organização e a mão de obra necessárias para mover dezenas de milhares de toneladas de pedra. O monumento pode ter sido um marco ligado a essa gente, parte de uma paisagem cheia de significado que hoje só conseguimos imaginar.
Por que ele acabou debaixo d’água?
Resta a pergunta: como um monumento construído em terra seca foi parar no fundo de um lago? A resposta está na própria natureza inquieta daquela região. O Mar da Galileia fica numa zona tectonicamente ativa, onde a terra se movimenta ao longo do tempo.
Isso significa que o nível da água pode ter subido, ou que o próprio fundo do lago se deslocou com os movimentos das placas, afundando aos poucos o que um dia esteve em terra firme. O detalhe curioso é que a base do monumento está mais baixa do que qualquer nível de água conhecido do lago antigo, o que reforça a ideia de que o terreno mudou bastante desde então. Um lembrete de que até as paisagens que parecem eternas estão sempre, lentamente, se transformando.









