Astrônomos identificaram uma super-Terra relativamente próxima ao Sistema Solar que pode viver em uma condição extrema: uma face sempre voltada para sua estrela e outra mergulhada em noite eterna. Chamada Ross 318 b, a exoplaneta orbita uma anã vermelha e levanta novas perguntas sobre atmosfera, clima e habitabilidade.
Por que Ross 318 b chamou tanta atenção?
Ross 318 b chama atenção por estar na vizinhança cósmica da Terra, a cerca de 28 anos-luz de distância. Em escala astronômica, isso é considerado próximo, o que torna o planeta um alvo interessante para novos estudos.
O exoplaneta também se destaca por sua massa, estimada em cerca de 6,21 vezes a massa da Terra. Por isso, ela é classificada como super-Terra, nome dado a planetas maiores que o nosso, mas menores que gigantes como Urano e Netuno.

O que significa viver em noite eterna?
A noite eterna pode acontecer se Ross 318 b estiver em rotação sincronizada, fenômeno conhecido como bloqueio de maré. Nesse caso, o planeta gira em torno de si mesmo no mesmo ritmo em que completa sua órbita ao redor da estrela.
Esse comportamento é parecido com o da Lua em relação à Terra, já que vemos sempre a mesma face lunar. Em Ross 318 b, uma metade receberia luz constante, enquanto a outra permaneceria na escuridão por tempo indefinido.
Quais dados ajudam a entender essa super-Terra?
Os principais números mostram por que Ross 318 b desperta interesse entre pesquisadores que estudam exoplanetas, anãs vermelhas e mundos potencialmente habitáveis:
- Massa mínima estimada em 6,21 massas terrestres;
- Órbita completa em aproximadamente 39,63 dias;
- Distância orbital de cerca de 0,16 unidade astronômica;
- Temperatura de equilíbrio próxima de 237 K, ou cerca de -36 graus Celsius;
- Possível bloqueio de maré, com uma face iluminada e outra escura.
Como os astrônomos encontraram esse planeta?
Ross 318 b não foi fotografado diretamente, porque planetas pequenos costumam desaparecer no brilho de suas estrelas. A detecção ocorreu por meio da velocidade radial, técnica que percebe pequenas oscilações na estrela causadas pela gravidade do planeta.
Para reforçar a análise, os cientistas examinaram anos de dados obtidos por instrumentos como CARMENES e HIRES. Esse cuidado é importante porque anãs vermelhas podem apresentar manchas, explosões e variações magnéticas capazes de imitar sinais planetários.
O Rivaldo Havi, que conta com mais de 8,79 mil inscritos, explica em seu vídeo a descoberta de uma possível super-Terra orbitando a estrela Ross 318, localizada a apenas 28 anos-luz de distância da Terra:
Por que a atmosfera é uma questão decisiva?
A presença de uma atmosfera mudaria completamente a interpretação de Ross 318 b. Sem gases suficientes, a face escura poderia ser congelante, enquanto a face iluminada concentraria calor perto da estrela.
Algumas perguntas ainda precisam ser respondidas antes de imaginar qualquer cenário habitável:
- O planeta é rochoso ou possui grande quantidade de água;
- A atmosfera conseguiu resistir à atividade da anã vermelha;
- Os ventos conseguem transportar calor entre as duas faces;
- A face noturna pode congelar parte dos gases atmosféricos;
- A superfície teria condições para manter água líquida.
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O que essa descoberta revela sobre mundos próximos?
Ross 318 b mostra que a vizinhança do Sistema Solar ainda guarda mundos intrigantes. Mesmo sem confirmação de vida, a combinação entre super-Terra, anã vermelha, possível atmosfera e noite eterna torna o planeta um laboratório natural para entender climas extremos.
A descoberta também reforça que a habitabilidade não depende apenas da distância até a estrela. Em planetas bloqueados por maré, atmosfera, rotação, composição e circulação de calor podem decidir se um mundo será apenas congelado, escaldante ou surpreendentemente equilibrado.









