Conhecidos como alguns dos organismos mais resistentes do planeta, os tardígrados continuam surpreendendo os cientistas. Uma nova pesquisa revelou que esses minúsculos animais possuem um mecanismo físico extraordinário para suportar temperaturas extremas quando entram em um estado especial de sobrevivência. A descoberta ajuda a explicar por que eles conseguem resistir a condições que seriam fatais para praticamente qualquer outro ser vivo e pode inspirar o desenvolvimento de novas tecnologias resistentes ao calor.
O que são os tardígrados e por que eles são tão resistentes?
Os tardígrados, também chamados de ursos-d’água, são pequenos animais microscópicos encontrados em ambientes diversos, desde musgos e líquens até regiões polares e desertos. Apesar de seu tamanho reduzido, eles são famosos por sobreviver a condições ambientais extremas.
Esses organismos conseguem suportar radiação intensa, ausência de oxigênio, congelamento severo e temperaturas elevadas. Essa capacidade extraordinária é conhecida pelos cientistas como extremotolerância.

O que acontece quando eles entram no estado “tun”?
Quando enfrentam condições adversas, os tardígrados iniciam um processo chamado anidrobiose. Durante esse mecanismo, eles perdem quase toda a água do corpo e reduzem drasticamente suas atividades metabólicas.
Nesse momento, o animal se contrai e assume uma forma compacta conhecida como estado “tun”. Nessa condição, ele pode permanecer praticamente inativo por longos períodos até que o ambiente volte a ser favorável.
As principais características desse estado incluem:
- Perda da maior parte da água corporal.
- Redução extrema do metabolismo.
- Proteção das estruturas celulares.
- Capacidade de sobreviver em ambientes hostis.

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Como os cientistas descobriram esse novo mecanismo de proteção?
Pesquisadores do Instituto Indiano de Ciência realizaram experimentos expondo tardígrados ativos e tardígrados em estado tun a temperaturas entre 45°C e 85°C durante uma hora. Paralelamente, eles mediram a transferência de calor através dos corpos dos animais.
Para isso, a equipe desenvolveu um equipamento capaz de analisar a condutividade térmica dos organismos. O objetivo era compreender como o calor se propagava em cada condição fisiológica.
Os resultados mostraram diferenças impressionantes:
- Tardígrados ativos não sobreviveram nem mesmo a 45°C por uma hora.
- Cerca de 90% dos indivíduos em estado tun sobreviveram a 45°C.
- Alguns espécimes permaneceram vivos mesmo após exposição a 85°C.
- A transferência de calor foi significativamente reduzida no estado tun.

Qual é o segredo dessa resistência ao calor?
A pesquisa revelou que os tardígrados em estado tun apresentam maior resistência térmica e menor condutividade de calor. Em outras palavras, o calor externo penetra mais lentamente em seus corpos.
Essa redução na transferência térmica funciona como uma barreira protetora natural, ajudando a preservar células e tecidos contra danos causados por temperaturas elevadas. O mecanismo demonstra que a sobrevivência extrema dos tardígrados depende não apenas de processos bioquímicos, mas também de propriedades físicas do próprio organismo.
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Como essa descoberta pode beneficiar a tecnologia?
Além de ampliar o conhecimento sobre a biologia dos organismos extremófilos, a descoberta pode servir de inspiração para o desenvolvimento de materiais avançados capazes de resistir a condições extremas.
Os pesquisadores acreditam que compreender como os tardígrados controlam a transferência de calor poderá auxiliar na criação de equipamentos para exploração espacial, proteção contra incêndios, operações em desertos, ambientes submarinos e outras situações onde a resistência térmica é fundamental. As próximas etapas da pesquisa buscarão identificar os mecanismos moleculares responsáveis por essa extraordinária capacidade de sobrevivência.









