A descoberta da supernova SN 2023vbw pode representar um dos exemplos mais claros já observados de uma supernova de instabilidade de pares, um dos fenômenos mais raros e extremos da astrofísica. Esse tipo de explosão é tão poderoso que destrói completamente a estrela progenitora, sem deixar para trás uma estrela de nêutrons ou um buraco negro. As observações recentes oferecem novas pistas sobre como algumas das estrelas mais massivas do universo encerram suas vidas.
O que torna a SN 2023vbw uma supernova tão incomum?
A explosão foi detectada pela primeira vez em outubro de 2023 pelo projeto Zwicky Transient Facility, nos arredores de uma pequena galáxia anã pobre em metais localizada a cerca de 1,3 bilhão de anos-luz da Terra. Inicialmente, os pesquisadores acreditaram estar diante de uma supernova do Tipo II, resultado do colapso do núcleo de uma estrela massiva.
No entanto, o comportamento da luminosidade da SN 2023vbw revelou características incompatíveis com esse cenário tradicional. Sua evolução apresentou um aumento gradual de brilho durante aproximadamente 190 dias, seguido por uma queda rápida e uma fase posterior de declínio lento.

Quais evidências apontam para uma supernova de instabilidade de pares?
As análises indicaram que a quantidade de energia liberada pela explosão foi extraordinária. O evento irradiou mais de dez vezes a energia normalmente observada em supernovas convencionais do Tipo II.
Entre os principais indícios observados pelos astrônomos estão:
- Brilho máximo alcançado após cerca de 190 dias.
- Energia total superior à de supernovas comuns.
- Temperatura relativamente constante durante a expansão.
- Presença de linhas espectrais associadas à interação com material previamente expelido pela estrela.
- Ambiente galáctico com baixa abundância de elementos pesados.

Que tipo de estrela originou essa explosão?
Os modelos desenvolvidos pelos pesquisadores sugerem que a progenitora era uma supergigante azul extremamente massiva. Embora sua curva de luz apresente algumas semelhanças com a famosa supernova SN 1987A, a SN 2023vbw mostrou uma luminosidade muito maior e uma evolução mais prolongada.
As estimativas apontam que a massa do material ejetado durante a explosão variou entre 170 e 350 vezes a massa do Sol. Já a energia cinética liberada superou em dezenas de vezes o limite normalmente alcançado pelas explosões produzidas pelo colapso do núcleo estelar.
Como ocorre uma supernova de instabilidade de pares?
Esse fenômeno acontece apenas em estrelas extremamente massivas. Em temperaturas muito elevadas, o núcleo da estrela começa a produzir pares de elétrons e pósitrons, reduzindo a pressão interna responsável por sustentar o astro contra a gravidade.
Quando essa sustentação desaparece, o núcleo entra em colapso e desencadeia uma reação termonuclear descontrolada que destrói completamente a estrela.
As principais características desse processo incluem:
- Formação de pares elétron-pósitron no núcleo estelar.
- Perda abrupta da pressão de radiação.
- Colapso gravitacional acelerado.
- Explosão termonuclear extremamente energética.
- Destruição total da estrela sem remanescente compacto.

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Por que essa descoberta é importante para a astronomia?
As supernovas de instabilidade de pares são previstas pela teoria há décadas, mas poucos candidatos convincentes foram identificados até hoje. A SN 2023vbw apresenta várias características compatíveis com esse raro mecanismo de explosão, tornando-se um objeto de enorme interesse científico.
Os pesquisadores acreditam que futuras observações em diferentes comprimentos de onda poderão revelar mais detalhes sobre a história da estrela progenitora e os elementos produzidos durante a explosão. Além disso, observatórios de nova geração, como o Vera Rubin Observatory e o telescópio espacial Nancy Grace Roman, deverão identificar dezenas ou até centenas de eventos semelhantes, ampliando significativamente o conhecimento sobre a evolução das estrelas mais massivas do universo.









