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Início Ciência

A Antártida revelou um núcleo de sedimentos com 23 milhões de anos e pistas sobre o futuro das cidades costeiras

Laila Por Laila
06 junho 2026 09:05
Em Ciência
Perfuração na Antártida revela núcleo sedimentar sob o gelo

Perfuração na Antártida revela núcleo sedimentar sob o gelo

Quando a Antártida parece apenas uma massa congelada e distante, um núcleo retirado sob o gelo mostra outra história. A perfuração revelou sedimentos com até 23 milhões de anos, capazes de indicar como a calota reagiu em períodos mais quentes.

Por que esse núcleo da Antártida importa para o clima?

A perfuração faz parte do projeto SWAIS2C, sigla para Sensitivity of the West Antarctic Ice Sheet to 2 °C. A iniciativa busca entender como a Calota de Gelo da Antártida Ocidental se comportou quando o planeta esteve mais quente do que hoje.

Segundo o projeto SWAIS2C, o objetivo é usar registros geológicos profundos para melhorar previsões sobre a elevação do nível do mar. A região da Plataforma de Gelo Ross é estratégica porque ajuda a revelar a estabilidade da calota ao longo do tempo.

Diagrama mostra broca atravessando gelo até sedimentos antigos

Leia também: Quando foi a última vez que a Antártida ficou livre de gelo?

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Como os cientistas atravessaram o gelo até os sedimentos?

O ponto escolhido foi Crary Ice Rise, um domo de gelo aterrado na margem interna da Plataforma de Gelo Ross. Antes de alcançar o material preservado no fundo, a equipe precisou atravessar 523 metros de gelo.

A operação combinou uma broca térmica de água quente, usada para abrir caminho na camada congelada, com um sistema rotativo capaz de retirar sedimentos abaixo do gelo. Os números mostram a escala técnica do trabalho:

  • 523 metros de gelo foram perfurados antes do acesso ao material sedimentar.
  • 228 metros de núcleo sedimentar foram recuperados sob a camada congelada.
  • O recorde anterior era inferior a 10 metros, mais de 22 vezes menor.
  • Mais de 1.300 metros de tubos de perfuração foram manuseados durante a operação.

O que o núcleo retirado da Antártida pode revelar?

De acordo com o comunicado publicado no EurekAlert, o núcleo de 228 metros contém lama, rocha e sedimentos ligados a períodos quentes da história da Terra. Esse material funciona como um arquivo climático natural.

As análises preliminares identificaram microfósseis marinhos e fragmentos de conchas em algumas camadas. Esses sinais sugerem que, em fases antigas, havia oceano aberto em uma área hoje coberta por centenas de metros de gelo.

Por que o projeto SWAIS2C preocupa pesquisadores?

Conforme o ICDP, esse é o mais longo registro sedimentar já recuperado sob uma camada de gelo. O material pode cobrir até 23 milhões de anos, incluindo períodos em que a temperatura média global foi maior.

Para explicar a perfuração e seus impactos, o canal Olhar Digital, com 964 mil inscritos e 3.085 visualizações nesse conteúdo, mostra como os sedimentos funcionam como um arquivo climático natural para projetar o futuro da Antártida Ocidental:

Que pistas o núcleo traz sobre o nível do mar?

Se a Calota de Gelo da Antártida Ocidental derreter por completo, estimativas científicas apontam uma elevação global do mar entre 3 e 5 metros. Esse cenário afetaria diretamente cidades costeiras e regiões baixas em vários continentes.

As pistas mais importantes aparecem em diferentes materiais preservados no testemunho sedimentar:

  • Microfósseis marinhos, usados para estimar idade e ambiente das camadas.
  • Fragmentos de conchas, associados a fases de oceano aberto ou gelo recuado.
  • Camadas de lama e rocha, que registram mudanças ambientais ao longo de milhões de anos.

O que esse núcleo muda na leitura do futuro?

A descoberta não representa apenas um recorde técnico de perfuração. Ela entrega um registro direto de como a Antártida respondeu quando o clima global esteve mais quente, justamente o tipo de informação que falta para refinar modelos usados hoje.

As amostras serão analisadas em laboratórios parceiros na Europa, na Nova Zelândia e nos Estados Unidos. O que está preso nesses sedimentos pode transformar milhões de anos de história climática em previsões mais precisas sobre o futuro das cidades costeiras.

Tags: AntártidaCiênciaclima

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