No noroeste do Paraná existe uma cidade que parece ter saído de um projeto de arquitetura: avenidas largas, árvores por toda parte, parques no meio do agito urbano. É Maringá, a Cidade Verde, e não é só beleza. Ela acaba de ser confirmada, pela quarta vez, como a número 1 do Brasil em gestão municipal. Mas o mesmo estudo que a coroa também aponta onde ela ainda precisa melhorar.
A campeã da boa administração
Maringá ficou em 1º lugar no ranking do IDGM, o Índice dos Desafios da Gestão Municipal, feito pela consultoria Macroplan. O estudo avalia os 100 maiores municípios do país, e a cidade paranaense alcançou índice de 0,765, a melhor marca da história da pesquisa.

Não é sorte de principiante. Essa foi a quarta vez que Maringá lidera esse levantamento. O ranking não olha só uma foto do presente, ele analisa a evolução da cidade ao longo de mais de uma década, medindo o legado de várias administrações.
Uma cidade pensada pra dar certo
O segredo de Maringá começa lá atrás, no projeto. A cidade foi planejada nos anos 1940 pelo urbanista Jorge de Macedo Vieira, seguindo a ideia das cidades-jardim inglesas. Ou seja, ela nasceu organizada.
Esse planejamento deixou marcas que a gente vê até hoje: avenidas amplas e arborizadas, parques bem distribuídos e uma organização do espaço que coloca a qualidade de vida em primeiro lugar. Não à toa, virou modelo pra outras cidades brasileiras.
O que o ranking realmente mede
Aqui vale entender o que está por trás dessa nota, porque “gestão municipal” pode soar vago. O IDGM reúne 15 indicadores concretos, divididos em quatro áreas que pesam de verdade no dia a dia das pessoas:
- Educação: matrículas em creche e pré-escola, mais as notas do Ideb
- Saúde: mortalidade infantil, pré-natal e cobertura da atenção básica
- Segurança: taxas de homicídios e de mortes no trânsito
- Saneamento: esgoto tratado, acesso à água e coleta de lixo
Ou seja, o ranking mede o que o governo da cidade entrega na prática, não promessas bonitas no papel.
Onde Maringá brilha e onde tropeça
E é aqui que a história fica honesta. Maringá não é perfeita, e o próprio ranking mostra isso com clareza. A cidade é 1ª lugar em Saúde e 1ª em Saneamento, dois feitos enormes que explicam boa parte do título.
Mas tem um ponto que destoa de todo o resto: a segurança. Nesse quesito, Maringá aparece apenas na 44ª posição, bem longe do topo. É o calcanhar de Aquiles da Cidade Verde, o desafio que segura uma cidade que, em quase tudo o mais, está lá em cima.
Não está sozinha no pódio
O Paraná deu um show nesse ranking, e Maringá liderou um grupo de peso. O estado emplacou cinco cidades entre as 25 melhores, mostrando uma força regional na gestão pública.
Entre as companheiras de destaque, Curitiba aparece em 5º lugar geral e leva o posto de melhor capital, enquanto Cascavel fica em 6º. Três cidades paranaenses no top 6 não é coincidência, é resultado de políticas que vêm sendo construídas há tempo na região.
O que outras cidades podem aprender
A trajetória de Maringá deixa um recado que vale ouro pro resto do país. Boa gestão não se improvisa, ela se constrói com planejamento de longo prazo e consistência ao longo dos anos, atravessando diferentes prefeitos.
Confira este vídeo do canal Coisas do Mundo, com mais de 800 mil inscritos, sobre a cidade:
Ao mesmo tempo, o caso ensina que liderar um ranking não significa estar pronto. Mesmo a melhor cidade do Brasil em gestão tem um ponto fraco gritante pra resolver. O exemplo que fica é duplo: dá pra chegar ao topo cuidando do básico com seriedade, mas sempre sobra um desafio pela frente. E reconhecer isso, em vez de varrer pra baixo do tapete, talvez seja o primeiro passo pra melhorar de verdade.









