No extremo oeste do Pacífico, o oceano desce a uma profundidade que quase nenhum equipamento comum suportaria. A Fossa das Marianas abriga o Challenger Deep, um abismo de quase 11 mil metros onde pressão, frio e escuridão moldam um dos ambientes mais extremos da Terra.
Por que o oceano chega tão fundo na Fossa das Marianas?
A Fossa das Marianas fica no extremo ocidental do Oceano Pacífico, entre as Ilhas Marianas e as Filipinas. A depressão se estende por cerca de 2.540 quilômetros e tem no Challenger Deep seu ponto mais profundo conhecido.
A formação é resultado da subducção, processo em que a Placa do Pacífico mergulha sob a Placa das Filipinas. Esse movimento empurra a crosta oceânica para baixo e cria uma cicatriz geológica capaz de engolir até o Monte Everest com folga.

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Como a pressão muda tudo nesse abismo?
No fundo do Challenger Deep, a pressão ultrapassa 1.100 vezes a pressão atmosférica ao nível do mar. Essa força destruiria estruturas comuns e exige veículos projetados especificamente para a zona hadal, onde o frio, a escuridão e a compressão dominam.
As condições físicas explicam por que poucas máquinas conseguem alcançar esse ponto do planeta:
- Pressão extrema, que exige esferas de titânio, cerâmica especial ou materiais de altíssima resistência.
- Escuridão absoluta, pois a luz solar desaparece muito antes dos 1.000 metros.
- Frio intenso, com temperaturas próximas de 1 °C a 4 °C.
- Comunicação limitada, já que sinais e navegação funcionam com restrições severas.

Quem já explorou o ponto mais profundo do oceano?
A história da exploração começa antes dos mergulhos tripulados. Em 1875, o navio britânico HMS Challenger realizou medições pioneiras que ajudaram a revelar a escala da depressão no fundo do Pacífico.
Depois vieram missões com veículos especiais. Em 1960, o batiscafo Trieste, com Don Walsh e Jacques Piccard, fez o primeiro mergulho tripulado. Em 2012, James Cameron desceu sozinho no Deepsea Challenger, e em 2019, Victor Vescovo atingiu 10.928 metros no DSV Limiting Factor.
Que criaturas vivem onde a luz não chega?
Durante muito tempo, parecia improvável que organismos complexos vivessem abaixo dos 6.000 metros. Hoje, a oceanologia mostra que a zona hadal abriga comunidades adaptadas à pressão extrema, à falta de luz e à escassez de alimento.
Entre as formas de vida mais citadas nesse ambiente profundo, aparecem grupos adaptados ao limite físico do planeta:
- Peixes-caracol, incluindo espécies do gênero Pseudoliparis, adaptadas à pressão profunda.
- Anfípodes, pequenos crustáceos que se alimentam de matéria orgânica que afunda.
- Pepinos-do-mar, capazes de explorar sedimentos em regiões abissais.
- Microrganismos e vírus, que ampliam a compreensão sobre a vida em ambientes extremos.
Para dimensionar a física desse ambiente, o canal JAES Company Português, com mais de 633 mil inscritos, mostra os mistérios e as condições extremas das trincheiras oceânicas:
Como a poluição chegou ao fundo do oceano?
Uma das descobertas mais inquietantes da oceanologia moderna é que a ação humana alcançou até os pontos mais profundos do planeta. A matéria base cita relatórios da NOAA sobre registros de plástico e lixo descartável no fundo absoluto do oceano.
Também foram encontradas substâncias tóxicas em organismos da região, incluindo compostos persistentes banidos há décadas. Isso mostra que partículas, resíduos e contaminantes podem viajar por correntes, deslizamentos submarinos e queda contínua de matéria orgânica até lugares aparentemente inalcançáveis.
O que esse abismo muda na forma de olhar o oceano?
A Fossa das Marianas mostra que o fundo marinho não é vazio, imóvel ou isolado da superfície. Ele guarda registros da tectônica de placas, abriga vida adaptada a limites extremos e revela que até a poluição humana alcança ambientes quase inacessíveis.
Para a oceanologia, o Challenger Deep é mais que um recorde de profundidade. É um laboratório natural onde pressão, escuridão, frio e vida microscópica ajudam a entender até onde o oceano pode sustentar ecossistemas e preservar marcas da civilização.









