No fundo do oceano, algumas marcas parecem cortes abertos na crosta da Terra. As fossas oceânicas surgem quando placas tectônicas colidem, uma delas afunda no manto e deixa um abismo capaz de reorganizar vulcões, terremotos, ilhas e montanhas.
Como essa cicatriz se forma no fundo do oceano?
A superfície da Terra é dividida em cerca de 12 a 14 placas rígidas, que se deslocam lentamente sobre o manto. Segundo o registro sobre fossa oceânica, essas depressões profundas aparecem principalmente em zonas onde uma placa mergulha sob outra.
Esse processo recebe o nome de subducção. Quando uma crosta oceânica antiga, fria e mais densa encontra outra placa, ela desce em direção ao interior do planeta e abre uma depressão estreita no assoalho marinho.

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Por que placas tectônicas criam abismos no oceano?
A história começa longe da fossa. Nas dorsais mesoceânicas, o magma sobe, esfria e forma nova crosta oceânica. Essa crosta se afasta lentamente, em ritmos de poucos centímetros por ano, enquanto envelhece, perde calor e acumula sedimentos.
A sequência que transforma o assoalho marinho em uma grande depressão segue etapas bem definidas:
- O calor do manto empurra material quente para cima nas dorsais oceânicas.
- O magma extrusado forma nova crosta no fundo do mar.
- A crosta se afasta da dorsal, esfria, contrai e fica mais densa.
- Ao encontrar outra placa, a parte mais densa afunda e forma a fossa.

Por que a Fossa das Marianas é o maior exemplo desse processo?
A Fossa das Marianas, no oeste do Oceano Pacífico, é o caso mais extremo conhecido. De acordo com a Britannica, ela se formou pela subducção da Placa do Pacífico sob a microplaca das Marianas.
Seu ponto mais profundo é o Challenger Deep, com cerca de 10.994 metros. Se o Monte Everest, com 8.848,86 metros, fosse colocado ali, ainda ficaria coberto por mais de 2 quilômetros de água.
O que acontece quando uma placa mergulha sob outra?
A subducção não cria apenas uma depressão no fundo marinho. Quando a placa desce, ela acumula tensão, aquece e altera a composição das rochas em profundidade, criando condições para terremotos e formação de magma.
Por isso, fossas, vulcões e ilhas costumam aparecer em conjunto. A conexão entre esses fenômenos pode ser entendida assim:
- A placa que mergulha acumula tensão tectônica e pode gerar terremotos intensos.
- O calor e a pressão provocam derretimento parcial de rochas em profundidade.
- O magma que sobe pode formar vulcões e arcos de ilhas.
- No Pacífico, muitas ilhas vulcânicas surgem em faixas paralelas às fossas.
Como fossas no oceano também ajudam a erguer montanhas?
O mesmo mecanismo que abre abismos no mar pode levantar cadeias montanhosas em terra firme. Na América do Sul, a Placa de Nazca mergulha sob a Placa Sul-Americana, formando a Fossa Peru-Chile e ajudando a erguer a Cordilheira dos Andes.
Para visualizar a escala extrema dessas regiões, o canal Você Sabia?, com 47,2 milhões de inscritos, publicou um vídeo com 1.280.249 visualizações sobre a Fossa das Marianas, o Challenger Deep, as explorações humanas e as formas de vida encontradas no ponto mais profundo do oceano:
Por que explorar o ponto mais profundo do oceano é tão difícil?
A profundidade da Fossa das Marianas impõe pressão extrema, escuridão total e grandes desafios de comunicação e engenharia. Em 1960, Jacques Picard e Don Walsh chegaram ao fundo com o submersível Trieste.
Décadas depois, em 2012, James Cameron desceu ao Challenger Deep em expedição registrada pela National Geographic. Mesmo nesse ambiente hostil, há organismos adaptados à pressão, à falta de luz e à escassez de alimento.
Por que essas fossas revelam a força escondida da Terra?
Uma fossa no fundo do oceano é a marca visível de um processo que começa no calor do manto e termina em terremotos, vulcões, ilhas e montanhas. O que parece apenas um abismo submerso é uma zona ativa de reciclagem da crosta terrestre.
A Fossa das Marianas, a Fossa Peru-Chile e os Andes mostram que o relevo do planeta está em movimento contínuo. Em escala geológica, um mergulho silencioso de uma placa sob outra pode redesenhar tanto o fundo marinho quanto a superfície dos continentes.









