Muito antes da famosa pandemia medieval, a peste nas primeiras comunidades agrícolas europeias já pode ter provocado um dos maiores colapsos populacionais da pré-história. Novas pesquisas baseadas em DNA antigo revelam que surtos recorrentes da bactéria Yersinia pestis atingiram agricultores do período Neolítico há mais de 5.000 anos. A descoberta está mudando a compreensão dos especialistas sobre as causas do declínio populacional que marcou uma fase importante da história da Europa.
O que foi o declínio neolítico na Europa?
O declínio neolítico é o nome dado à redução significativa da população observada entre os primeiros agricultores europeus. Esse fenômeno ocorreu aproximadamente entre 3300 e 2900 a.C. e coincidiu com mudanças sociais e culturais importantes em diversas regiões da Escandinávia.
Durante muito tempo, os pesquisadores acreditaram que fatores como mudanças climáticas, escassez de alimentos e dificuldades agrícolas fossem os principais responsáveis por essa queda populacional. No entanto, novas evidências indicam que doenças infecciosas também podem ter desempenhado um papel decisivo nesse processo.

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Como o DNA antigo revelou a presença da peste?
De acordo com um estudo publicado na revista Nature, pesquisadores analisaram restos humanos encontrados em sítios arqueológicos da Suécia e da Dinamarca utilizando técnicas avançadas de sequenciamento genético. O objetivo era identificar vestígios de patógenos capazes de explicar o desaparecimento de parte dessas populações.
Os resultados trouxeram descobertas importantes sobre a circulação da doença nesse período:
- Identificação da bactéria Yersinia pestis em vários indivíduos.
- Confirmação de surtos ocorrendo ao longo de diversas gerações.
- Presença de diferentes linhagens da bactéria na mesma região.
- Evidências de transmissão contínua dentro das comunidades agrícolas.
A peste nas primeiras comunidades agrícolas europeias foi semelhante à Peste Negra?
Apesar de serem causadas pela mesma bactéria, existem diferenças importantes entre a peste neolítica e a Peste Negra que atingiu a Europa medieval. As cepas antigas identificadas pelos cientistas não possuíam um gene essencial para a sobrevivência da bactéria dentro das pulgas.
Essa característica sugere que a transmissão acontecia principalmente por contato direto entre pessoas. Como as comunidades agrícolas viviam próximas umas das outras, a doença poderia se espalhar rapidamente e provocar sucessivas ondas de infecção ao longo dos séculos.

Quais evidências indicam que a peste influenciou a história europeia?
Os pesquisadores encontraram sinais de infecções repetidas dentro das mesmas famílias durante várias gerações. Essa descoberta fortalece a hipótese de que a doença não apareceu de forma isolada, mas esteve presente de maneira recorrente durante o período de declínio populacional.
Entre os principais indícios observados pelos cientistas estão:
- Casos registrados em diferentes membros da mesma linhagem familiar.
- Identificação de pelo menos três episódios epidêmicos em algumas famílias.
- Correspondência temporal entre os surtos e o declínio demográfico.
- Possível enfraquecimento das comunidades antes da chegada de novos grupos migratórios.
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O que essa descoberta sobre a peste nas primeiras comunidades muda na compreensão da pré-história europeia?
As novas evidências mostram que as doenças infecciosas podem ter desempenhado um papel muito mais importante na evolução das sociedades humanas do que se imaginava. Durante décadas, a explicação para o desaparecimento dos primeiros agricultores europeus estava ligada principalmente a fatores ambientais e econômicos.
Embora os especialistas alertem que a peste provavelmente não foi a única causa do declínio neolítico, os resultados demonstram que ela pode ter contribuído significativamente para a redução populacional. A descoberta amplia o entendimento sobre como epidemias moldaram a história humana muito antes dos registros escritos e reforça a importância do DNA antigo para revelar eventos que permaneceram ocultos por milhares de anos.









