Um lago escondido sob quilômetros de gelo parece fora do alcance até da ciência moderna. Em 2026, a China alcançou o Lago Subglacial Qilin, na Antártida, abrindo uma janela para um ambiente isolado há milhões de anos.
Como este lago da Antártida foi alcançado?
A operação ocorreu durante a 42ª Expedição Antártica Chinesa, na região da Terra da Princesa Elizabeth, na Antártida Oriental. O ponto de perfuração fica a cerca de 120 quilômetros da Estação Taishan, uma das bases chinesas no continente.
Conforme anúncio oficial do Ministério de Recursos Naturais da China, o primeiro teste de perfuração foi concluído em 5 de fevereiro de 2026. A confirmação pública do feito ocorreu em 7 de abril de 2026.

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Por que a perfuração no lago Qilin bateu recorde mundial?
O teste atingiu 3.413 metros de profundidade no gelo, superando o recorde internacional anterior de 2.540 metros para perfuração polar por água quente. A diferença de 873 metros colocou a operação em um novo patamar técnico.
Segundo o Gabinete de Informações do Conselho de Estado da China, a marca demonstra capacidade para realizar pesquisas em mais de 90% da camada de gelo da Antártida e em toda a calota do Ártico.
Qual tecnologia permitiu chegar ao lago sem contaminar o ambiente?
A técnica usada foi a perfuração por água quente, que injeta água aquecida em alta pressão para derreter o gelo e abrir um acesso vertical. O método reduz o uso de fluidos de perfuração e facilita uma chegada mais limpa a ambientes subglaciais.
Os principais desafios técnicos mostram por que alcançar o Lago Subglacial Qilin exigiu mais do que potência de perfuração:
- Operação em frio extremo, com equipamentos funcionando em condições que limitam sistemas convencionais.
- Controle de contaminação, para evitar entrada de organismos ou resíduos externos no ambiente isolado.
- Manejo de linhas profundas, com cabos, guinchos e mangueiras operando por mais de 3 quilômetros.
- Proteção do ecossistema, respeitando exigências ambientais associadas à pesquisa polar.

O que pode existir dentro do lago subglacial Qilin?
O Lago Subglacial Qilin é considerado um dos maiores corpos d’água enterrados sob o gelo antártico. Ele permanece isolado da superfície em um ambiente de alta pressão, baixa temperatura, ausência de luz e poucos nutrientes disponíveis.
Essas condições transformam o local em uma cápsula do tempo geológico. Sedimentos no fundo podem guardar sinais de antigas mudanças climáticas, enquanto a água pode revelar microrganismos adaptados a um cenário extremo e quase sem contato com a biosfera moderna.

Como o lago Qilin se compara ao Lago Vostok?
O Lago Vostok, também na Antártida Oriental, é o maior e mais conhecido sistema subglacial do continente. O Qilin ganhou destaque por estar entre os maiores já identificados e por ter sido alcançado com uma técnica mais rápida e voltada à redução de contaminação.
A comparação abaixo ajuda a entender por que a operação chinesa chamou atenção internacional:
| Característica | Lago Qilin | Lago Vostok |
|---|---|---|
| Posição | Segundo maior da Antártida | Maior da Antártida |
| Localização | Terra da Princesa Elizabeth | Antártida Oriental |
| Gelo acima | Mais de 3.000 metros | Cerca de 4.000 metros |
| Método de acesso | Água quente | Perfuração mecânica |
O que a China pretende fazer depois de alcançar esse lago?
Chegar ao Qilin foi apenas a primeira etapa. A fase seguinte prevê observações diretas e coleta de amostras de água e sedimentos, materiais que podem ajudar a reconstruir períodos antigos do clima terrestre.
O interesse científico está em entender como ambientes isolados por milhões de anos preservam registros biológicos e geológicos. O que vier dessas amostras pode explicar melhor a dinâmica da calota polar, a vida em condições extremas e a história climática de uma das regiões mais inacessíveis do planeta.
Por que esse lago muda a leitura sobre a Antártida profunda?
O Lago Subglacial Qilin mostra que a Antártida não é apenas uma massa de gelo imóvel. Sob a superfície congelada, existem reservatórios líquidos, sedimentos antigos e possíveis ecossistemas microscópicos ainda pouco conhecidos.
Ao alcançar esse ambiente sem contato direto com a superfície, a ciência ganha uma chance rara de observar como água, gelo, rocha e vida podem interagir em isolamento extremo. O lago não entrega apenas um recorde técnico, mas uma nova entrada para investigar a memória profunda da Terra.









