No meio de tantas placas conhecidas, surge uma que faz o motorista coçar a cabeça: um círculo de borda vermelha com o desenho de um pneu cheio de correntes. Ela é brasileira, é oficial, e quase ninguém topa com ela, justamente porque depende de uma condição rara por aqui.
O nome e o recado da placa
Essa é a R-22, chamada de “Uso Obrigatório de Corrente”. Ela faz parte do Manual Brasileiro de Sinalização do CONTRAN e tem um recado bem direto: a partir dali, é obrigatório rodar com correntes instaladas nas rodas do veículo.

O formato segue o padrão das placas de regulamentação, aquelas redondas de orla vermelha. Isso quer dizer que não é um conselho amigável. É uma ordem, e quem não cumpre fica em situação irregular perante a lei.
Por que correntes no pneu
A lógica é pura física de aderência. Em certas superfícies, o pneu comum simplesmente não consegue agarrar o chão. A roda gira, mas o carro escorrega, e o motorista perde o controle. As correntes mordem o piso e devolvem a tração que faltava.
Pense numa ladeira coberta de gelo. Sem corrente, o carro desliza como se estivesse no sabão. Com ela, os elos cravam na superfície e seguram o veículo. É a diferença entre subir com segurança e capotar ladeira abaixo.
Onde essa placa realmente aparece
Aqui vem o ponto que explica por que ela é tão rara. A R-22 só faz sentido em lugares com piso muito escorregadio, e isso é incomum no Brasil. Os cenários onde ela pode surgir são bem específicos:
- Trechos de neve ou gelo, como as serras do Sul em invernos rigorosos
- Atoleiros e terrenos encharcados, comuns em estradas de terra
- Vias não pavimentadas com dificuldade de circulação
- Regiões de difícil acesso, montanhosas ou de alta altitude
Placa R-22: o que ela manda fazer
Uso obrigatório de corrente nos pneus
Neve, gelo, atoleiro ou terreno encharcado
Instalar correntes nas rodas que tracionam o carro
Serras do Sul e vias de difícil acesso
Infração grave por falta de equipamento
Como neve no Brasil acontece em pouquíssimos lugares e por poucos dias, a maioria dos motoristas vai dirigir a vida inteira sem nunca ver essa placa de verdade.
O que fazer ao encontrar a R-22
Se você cruzar com ela, a atitude é simples, mas não dá para improvisar na hora. As correntes precisam ser instaladas nas rodas motrizes, que são as que recebem a força do motor e empurram o carro. Sem elas montadas, o ideal é nem seguir adiante.
Por isso, quem vai viajar para regiões serranas no inverno deve se informar antes sobre as condições da estrada. Carregar as correntes no porta-malas e saber instalá-las pode evitar tanto a multa quanto um susto sério na pista.
O cuidado que ninguém comenta
Tem um detalhe importante que pouca gente sabe. A corrente é uma solução para o trecho escorregadio, e só para ele. Em piso seco e asfalto normal, ela vira um problema. Pode danificar o pneu, estragar o pavimento e até prejudicar a dirigibilidade.
Ou seja, a regra é usar quando a placa manda e retirar assim que o trecho difícil acabar. A corrente é uma ferramenta pontual, não um acessório para deixar no carro o tempo todo.
O que acontece se você ignorar
Desrespeitar a R-22 não é de graça. Como o uso da corrente é tratado como equipamento obrigatório naquele trecho, rodar sem ela configura uma infração de trânsito. Mas o prejuízo financeiro é o menor dos problemas.
O risco real é físico. Encarar gelo ou atoleiro sem a aderência necessária é receita para deslizamento, atolamento e perda de controle do carro. A placa existe para proteger sua vida, e respeitá-la é, antes de tudo, uma questão de chegar inteiro ao destino.









