Existem explosões de estrelas tão violentas que ofuscam galáxias inteiras. São as supernovas superbrilhantes, e por anos elas guardaram um segredo: ninguém sabia direito de onde vinha tanta energia. Agora, um telescópio da NASA trouxe a pista mais convincente até hoje.
O fenômeno que intriga os cientistas
Quando uma estrela muito maior que o Sol chega ao fim da vida, ela explode numa supernova. Já é um dos eventos mais poderosos que existem. Mas algumas dessas explosões são especiais: brilham mais de dez vezes que uma supernova comum. São as chamadas superbrilhantes.

Os astrônomos já identificaram cerca de 400 delas. O problema é que esse brilho extra não tinha uma explicação fechada. Que tipo de motor seria capaz de turbinar uma explosão a esse ponto? Era essa a pergunta que a ciência perseguia.
O telescópio que enxerga o invisível
A resposta começou a aparecer graças ao telescópio espacial Fermi, da NASA. Ele é especializado em captar raios gama, a forma mais energética de luz que existe, invisível aos nossos olhos. É o equipamento ideal para flagrar os eventos mais extremos do cosmos.
Por quase 20 anos, os cientistas vasculharam os dados do Fermi atrás de sinais de raios gama vindos de supernovas. Apareceram pistas aqui e ali, mas nada definitivo. Até que uma explosão específica chamou a atenção e mudou o jogo.
A estrela que entregou o segredo
A supernova analisada ganhou o nome técnico de SN 2017egm. Ela aconteceu numa galáxia distante, a cerca de 440 milhões de anos-luz da Terra. Pode parecer absurdamente longe, e é, mas, para esse tipo de evento raro, ela é considerada uma das mais próximas já registradas.
Os pesquisadores examinaram as seis supernovas superbrilhantes mais próximas observadas em 16 anos de missão do Fermi. De todas elas, apenas a SN 2017egm mostrou sinais consistentes de raios gama. Foi a peça que faltava para investigar a fundo.
A principal suspeita: um magnetar
E qual seria o motor por trás de tudo? A hipótese mais forte aponta para um objeto raro e fascinante: o magnetar. Trata-se de um tipo de estrela de nêutrons, ou seja, o caroço ultradenso que sobra quando uma estrela gigante colapsa. Mas com uma característica brutal.
O magnetar tem os campos magnéticos mais intensos já conhecidos no Universo, milhares de vezes mais fortes que os de estrelas de nêutrons comuns. É uma usina de energia em escala cósmica. A suspeita é que um desses objetos tenha nascido no centro da explosão e alimentado o brilho extra.
Como um magnetar superalimenta a explosão
O mecanismo é engenhoso. Logo após nascer, o magnetar gira numa velocidade alucinante, centenas de vezes por segundo. Esse giro libera quantidades enormes de partículas energizadas ao redor dele.
Essas partículas interagem com a radiação e parte dela acaba virando luz visível, o que turbina ainda mais o brilho da supernova. E tem um detalhe revelador no tempo: cerca de três meses após o colapso, conforme os destroços da explosão se expandem e esfriam, os raios gama começam a “vazar” e podem ser detectados. O modelo do magnetar bateu certinho com o que o Fermi observou. Veja por que a teoria convence:
- O brilho previsto pelo modelo do magnetar coincidiu com o brilho real observado
- O momento em que os raios gama chegaram aos instrumentos também bateu
- Nenhuma das outras supernovas próximas mostrou esse sinal, só a SN 2017egm
Ainda assim, os cientistas são cautelosos e reconhecem que outros processos podem estar envolvidos.
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Por que essa descoberta é importante
Pode parecer um assunto distante da nossa vida, mas entender essas explosões ajuda a montar o quebra-cabeça de como o Universo funciona. Supernovas são as fábricas que espalham pelo espaço os elementos que formam planetas e até a gente. Saber o que as turbina é entender melhor a própria origem da matéria.
O futuro promete ainda mais. Os cientistas avaliam que um novo observatório de raios gama, com instalações no Chile e na Espanha, poderá detectar supernovas parecidas a até 500 milhões de anos-luz de distância. Juntando telescópios no espaço e no chão, a expectativa é desvendar de vez por que algumas estrelas morrem brilhando como nenhuma outra. Por enquanto, o magnetar é o principal suspeito desse espetáculo de luz.









