O mar pode parecer distante da vida no deserto, mas na Arábia Saudita ele virou uma fonte estratégica de abastecimento. Sem rios permanentes, o país usa dessalinização e uma rede subterrânea gigantesca para levar água tratada do litoral até cidades áridas.
Como o mar vira abastecimento em cidades longe do litoral?
O processo começa com a captação de água em áreas costeiras do Mar Vermelho e do Golfo Arábico. Depois, essa água passa por usinas de dessalinização, com destaque para a osmose reversa, tecnologia que remove sais e deixa o recurso dentro de padrões de potabilidade.
Segundo a Saudi Water Authority, o setor hídrico saudita é estruturado para garantir segurança de abastecimento, eficiência operacional e gestão sustentável. Na prática, a água dessalinizada se tornou uma das bases do fornecimento nacional.

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Por que a Arábia Saudita depende tanto da dessalinização?
A capital Riade fica a cerca de 400 quilômetros do litoral mais próximo e abriga mais de 8 milhões de habitantes. Em um território sem rios permanentes e com pressão sobre aquíferos antigos, transformar água salgada em água potável deixou de ser alternativa e virou necessidade.
A estrutura atual envolve cerca de 31 usinas de dessalinização, com capacidade diária aproximada de 9,4 milhões de metros cúbicos. Esse volume mostra como a oceanografia aplicada passou a sustentar cidades inteiras em um dos ambientes mais secos do planeta.
Como a água do mar percorre 14 mil quilômetros de dutos?
Depois de tratada, a água entra em uma rede subterrânea de transmissão com cerca de 14.217 quilômetros. A malha distribui o recurso para cidades, áreas industriais e regiões interiores que não teriam abastecimento suficiente apenas com fontes locais.
Para funcionar em grande escala, o sistema precisa resistir a calor extremo, corrosão e pressão hidráulica. Os principais elementos dessa rede são:
- Dutos de aço com alta resistência mecânica para grandes vazões.
- Diâmetro de 2,25 metros em linhas principais de transporte.
- Revestimento anticorrosivo para reduzir danos ligados a sais residuais.
- Instalação subterrânea para proteger a tubulação do calor acima de 50 °C.

Que barreiras a água tratada enfrenta no caminho?
O percurso não atravessa apenas planícies áridas. Em áreas como Taif, a água precisa vencer as Montanhas Sarawat, uma barreira com picos próximos a 3.000 metros de altitude entre a costa e o interior habitado.
Para superar esse relevo, a infraestrutura inclui um túnel de adutora com cerca de 12,5 quilômetros escavado em granito. A operação também depende de 47 estações de bombeamento, responsáveis por empurrar grandes volumes de água por trechos elevados e corredores subterrâneos de longa distância.

O que acontece com a salmoura devolvida ao mar?
A dessalinização não produz apenas água potável. O processo também gera salmoura, um rejeito com alta concentração de sais que precisa ser controlado para não alterar de forma brusca o ambiente costeiro.
Na operação saudita, o descarte da salmoura faz parte da gestão hídrica e exige cuidados específicos:
- Devolução gradual, para reduzir impactos imediatos na região costeira.
- Rede própria de dutos, separando rejeito e água já tratada.
- Monitoramento ambiental, especialmente em zonas sensíveis próximas ao litoral.
Por que essa rede muda a relação entre oceano e deserto?
A experiência saudita mostra que o litoral pode funcionar como infraestrutura vital para regiões onde a água doce natural é escassa. O desafio não está apenas em retirar o sal, mas em controlar energia, corrosão, bombeamento, pressão e efeitos ambientais em escala nacional.
Para a oceanografia, o caso revela uma fronteira cada vez mais importante: transformar o mar em abastecimento sem tratar o oceano como recurso infinito. No deserto saudita, a água que começa no litoral se torna parte essencial da vida urbana a centenas de quilômetros da costa.









