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Início Ciência

A rede de vulcões antigos que se espalha por mais de 3 mil quilômetros e revela rochas se movendo sob a Terra

Laila Por Laila
10 junho 2026 06:55
Em Ciência
Campo de lava no Oriente Médio revela vulcões antigos em pausa

Campo de lava no Oriente Médio revela vulcões antigos em pausa

Quando antigos vulcões parecem apenas marcas apagadas no deserto, a geologia mostra que a história ainda continua em profundidade. No Oriente Médio, campos de lava com milhões de anos revelam como placas tectônicas, magma e rochas sólidas seguem ligados ao movimento interno da Terra.

Por que os vulcões antigos ainda interessam à geologia?

Os vulcões antigos dessa faixa não são apenas crateras isoladas na paisagem. Eles fazem parte de um sistema geológico mais amplo, associado a transformações tectônicas que envolveram Jordânia, Iraque, Síria e áreas próximas da Arábia Saudita.

Há cerca de 90 milhões de anos, a crosta nessa região passou por fraturas e grandes depressões topográficas. Essas rupturas abriram caminhos para a subida do magma, que cobriu extensas áreas com rochas vulcânicas ainda visíveis no relevo.

Vista aérea mostra basaltos escuros cobrindo o deserto árabe

Leia também: O campo magnético da Terra se moveu mais de 2.250 km e agora obriga sistemas de navegação a recalcular rotas no mundo inteiro

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Como a separação da Placa Africana alimentou esses vulcões?

A origem desse cenário está ligada ao movimento da Placa Africana, cuja separação ajudou a formar o atual Mar Vermelho. A abertura gerou tensões capazes de enfraquecer a crosta e facilitar a ascensão de material quente vindo do interior da Terra.

Com as fraturas abertas, o magma encontrou rotas até a superfície. O resultado foi uma faixa vulcânica com mais de 3.000 quilômetros de extensão, passando do sul da Jordânia ao oeste da Arábia Saudita, até alcançar Síria e Iraque.

Mapa geológico mostra fraturas ligando o Mar Vermelho aos campos de lava

Quais campos de lava mostram a escala dos vulcões?

A dimensão desses vulcões aparece melhor ao se observar a cobertura de lava deixada na região. Ela alcança cerca de 180 mil quilômetros quadrados, uma área que coloca o conjunto entre os principais campos vulcânicos do Oriente Médio.

Algumas formações ajudam a entender por que essa faixa continua importante para a geologia regional:

  • Harrat Rahat, no oeste da Arábia Saudita, é uma das formações vulcânicas mais conhecidas da região.
  • Harrat al-Sham se estende por áreas da Síria e da Jordânia, formando uma vasta paisagem de rochas vulcânicas.
  • Faixa total de lava acima de 3.000 quilômetros, conectando diferentes países por uma mesma história tectônica.
  • Fase pós-fragmentação, em curso há cerca de 13 milhões de anos.

Para colocar essa atividade em uma escala mais ampla, o professor Leandro Ribeiro, em vídeo com 8.061 visualizações, discute se há aumento real de erupções em 2025 ou se o planeta está apenas sendo monitorado com mais precisão. O canal reúne 261 mil inscritos e ajuda a separar dado científico de alerta sensacionalista:

O que os vulcões revelam sobre rochas sólidas em profundidade?

A ligação entre superfície e interior profundo ficou mais clara com uma descoberta experimental feita por pesquisadores do ETH Zurique. Segundo o ScienceDaily, com base em material do ETH Zurique, rochas sólidas fluem horizontalmente a quase 3.000 quilômetros de profundidade, na fronteira entre o manto e o núcleo terrestre.

Essa região é chamada de camada D″ e fica a cerca de 2.700 a 3.000 quilômetros abaixo da superfície. Durante décadas, cientistas tentaram explicar por que ondas sísmicas mudavam de velocidade ali, como se atravessassem um material com comportamento diferente.

O experimento indicou que cristais de pós-perovskita podem se alinhar em uma mesma direção sob pressão e temperatura extremas. Esse alinhamento ajuda a explicar o comportamento das ondas sísmicas e torna mais visível o movimento lento de rochas sólidas no fundo do manto.

Esses vulcões antigos podem voltar a ter atividade?

A existência de vulcões em fase intermitente não significa que uma erupção seja iminente. Ela indica que a região pertence a um sistema ativo em escala geológica, onde placas, fraturas e circulação de calor continuam influenciando a crosta.

A diferença entre um campo vulcânico antigo e um risco imediato depende de sinais monitoráveis. Em áreas desse tipo, geólogos observam principalmente:

  • Atividade sísmica local, quando pequenos tremores indicam movimentação subterrânea incomum.
  • Deformações no terreno, que podem sugerir pressão interna ou deslocamento de material abaixo da superfície.
  • Emissão de gases, especialmente quando há mudanças na composição ou no volume liberado.
  • Histórico de erupções intermitentes, usado para entender padrões de longo prazo sem criar alarmes imediatos.

Por que a camada D″ ajuda a entender placas, magma e campo magnético?

A descoberta sobre a camada D″ amplia a forma como a geologia interpreta a Terra. Se rochas sólidas fluem lentamente na fronteira entre o manto e o núcleo, isso ajuda a visualizar o motor interno que movimenta placas tectônicas, alimenta sistemas vulcânicos e pode influenciar até o campo magnético terrestre.

O professor Motohiko Murakami, especialista em Física Mineral Experimental no ETH Zurique, resumiu a descoberta ao afirmar que a Terra não é ativa apenas na superfície, mas também se move em profundidade. Essa leitura muda a forma de observar campos vulcânicos antigos, que deixam de ser apenas relíquias e passam a indicar uma máquina planetária em funcionamento.

O que a rede de vulcões antigos revela sobre a Terra?

Os campos de lava do Oriente Médio mostram que a paisagem pode guardar memórias de processos muito mais profundos do que crateras, rochas escuras e planaltos antigos sugerem. A atividade iniciada há milhões de anos continua sendo lida pela ciência como parte de um sistema lento, amplo e ainda incompleto.

O ponto central não é transformar esses vulcões em ameaça imediata, mas entender o que eles revelam sobre o planeta. A superfície parece estável, mas a Terra continua trabalhando por dentro, em uma escala de tempo que ultrapassa qualquer geração humana.

Tags: Ciênciageologiavulcões

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