Um sistema estelar localizado a cerca de 3.080 anos-luz da Terra está chamando a atenção dos astrônomos por produzir um fenômeno extremamente raro: eclipses envolvendo três estrelas. Conhecido como TIC 295741342, o sistema apresenta uma configuração quase perfeita que permite observar alinhamentos espetaculares, oferecendo uma oportunidade única para estudar a formação e a evolução de sistemas estelares múltiplos.
O que torna esse sistema estelar tão especial?
Sistemas com três estrelas não são incomuns na Via Láctea, mas o TIC 295741342 possui uma característica rara. As três estrelas orbitam praticamente no mesmo plano e esse plano está alinhado com a visão da Terra.
Essa geometria faz com que as estrelas passem regularmente umas diante das outras, produzindo eclipses observáveis pelos instrumentos astronômicos. Pouquíssimos sistemas conhecidos apresentam um alinhamento tão preciso.

Como acontece o eclipse triplo?
No centro do sistema existem duas estrelas semelhantes ao Sol que formam uma estrela binária. Elas completam uma órbita uma ao redor da outra em apenas 4,75 dias.
O fenômeno ocorre em etapas bem definidas:
- As duas estrelas centrais eclipsam uma à outra.
- A luminosidade do sistema diminui parcialmente.
- A terceira estrela passa diante da binária.
- As três estrelas participam do alinhamento observado da Terra.
Esse comportamento cria um padrão de brilho característico que os astrônomos descrevem como semelhante ao formato de “cabeça e ombros” nos gráficos de luminosidade.

Como os cientistas descobriram essa configuração?
A identificação foi realizada pelo satélite TESS, da NASA, especializado na observação de variações de brilho em estrelas. Embora sua principal missão seja encontrar exoplanetas, o observatório também detecta eclipses estelares com grande precisão.
Ao analisar as oscilações periódicas de luminosidade do TIC 295741342, os pesquisadores conseguiram reconstruir as órbitas das três estrelas e confirmar o alinhamento quase perfeito do sistema.
Seria possível existir um planeta nesse sistema?
A presença de três estrelas torna a estabilidade orbital bastante complexa. As intensas interações gravitacionais limitam as regiões onde um planeta poderia permanecer em órbita por longos períodos sem ser perturbado.
Mesmo assim, os pesquisadores consideram algumas possibilidades:
- Planetas em órbitas muito amplas.
- Mundos orbitando apenas a estrela mais distante.
- Sistemas planetários estáveis em regiões específicas.
- Satélites naturais recebendo luz de múltiplas estrelas.
Caso existam, esses mundos poderiam testemunhar sequências de eclipses extremamente incomuns, criando cenários muito diferentes daqueles observados no Sistema Solar.

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Qual será o futuro desse trio estelar?
Os estudos indicam que a estrela mais externa já está evoluindo para a fase de gigante vermelha. Com o passar do tempo, ela continuará se expandindo e poderá transferir matéria para as estrelas centrais.
Esse processo poderá desencadear eventos dramáticos, incluindo possíveis fusões estelares e futuras explosões do tipo nova. Por causa da grande quantidade de dados obtidos pelo TESS e por observatórios terrestres, o TIC 295741342 tornou-se um dos melhores laboratórios naturais para investigar como sistemas múltiplos nascem, evoluem e terminam suas vidas cósmicas.









