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Início Ciência

Arqueólogos descobrem objetos feitos de crânios humanos e tentam decifrar um enigma de 5.000 anos

Gessika Cristiny Santos de Oliveira Por Gessika Cristiny Santos de Oliveira
13 junho 2026 13:45
Em Ciência
Arqueólogos descobrem objetos feitos de crânios humanos e tentam decifrar um enigma de 5.000 anos

Práticas neolíticas na China indicam reutilização de restos humanos como recursos.

A descoberta de crânios humanos transformados em objetos está chamando a atenção de arqueólogos e pesquisadores em todo o mundo. Em um antigo cemitério da cultura Liangzhu, na China, foram encontrados mais de 50 ossos com marcas de cortes, perfurações e entalhes realizados após a morte dos indivíduos. Entre os artefatos estavam recipientes feitos de crânios e estruturas semelhantes a máscaras, revelando uma prática surpreendente que ocorreu há cerca de 5.000 anos e que ainda gera muitas perguntas sobre os costumes e crenças daquela sociedade neolítica.

O que os arqueólogos encontraram no cemitério da cultura Liangzhu?

As escavações revelaram um conjunto incomum de restos humanos modificados intencionalmente. A análise bioarqueológica, detalhada em um artigo do periódico Scientific Reports, identificou que alguns crânios foram cortados e moldados para criar objetos que provavelmente tinham alguma função prática ou simbólica dentro daquela comunidade.

Entre os principais achados encontrados pelos especialistas, destacam-se os seguintes artefatos:

  • Cránios transformados em recipientes semelhantes a cálices.
  • Máscaras esqueléticas produzidas por meio de cortes precisos.
  • Peças com perfurações e alterações anatômicas incomuns.
  • Objetos inacabados que indicam um processo contínuo de fabricação.
Arqueólogos descobrem objetos feitos de crânios humanos e tentam decifrar um enigma de 5.000 anos
A descoberta de crânios, alguns trabalhados, polidos e moldados, e de vários outros ossos, sugere que esses materiais não eram simbolicamente preciosos ou sagrados. Créditos: (Foto/Sawada et al. , Scientific Reports)

Leia também: Crânio encontrado no México intrigou cientistas por décadas: afinal, era humano ou extraterrestre?

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Por que os crânios humanos eram transformados em objetos?

Essa é uma das questões mais debatidas pelos pesquisadores. Até o momento, não existem evidências definitivas que expliquem a finalidade exata desses artefatos. No entanto, especialistas acreditam que a prática pode estar relacionada a mudanças sociais e culturais ocorridas durante o crescimento dos primeiros centros urbanos da região.

Os estudos indicam que os corpos não eram necessariamente tratados como elementos sagrados após a decomposição. Em alguns casos, os restos humanos parecem ter sido vistos como recursos disponíveis para reutilização, uma interpretação que contrasta com muitos conceitos modernos sobre respeito aos mortos.

Quais evidências ajudam a explicar esse mistério arqueológico?

A análise dos ossos forneceu pistas importantes sobre o período em que essa prática ocorreu e como ela era realizada. Os pesquisadores utilizaram técnicas de datação por radiocarbono para compreender melhor a cronologia dos artefatos encontrados.

Os resultados revelaram informações que ajudam a reconstruir esse cenário histórico:

  • A modificação dos ossos ocorreu durante aproximadamente 200 anos.
  • Não foram encontrados sinais de morte violenta nos indivíduos analisados.
  • Muitos artefatos permaneceram inacabados.
  • Alguns objetos foram descartados em canais e áreas de descarte.
Arqueólogos descobrem objetos feitos de crânios humanos e tentam decifrar um enigma de 5.000 anos
A datação por radiocarbono revelou que a modificação dos ossos durou 200 anos e não envolveu violência.

Leia também: Inscrições redescobertas em penhasco revelam como a Coreia administrava Ulleungdo há mais de 200 anos

Por que essa prática da cultura Liangzhu desapareceu após cerca de dois séculos?

Apesar das diversas hipóteses apresentadas pelos especialistas, ainda não existe uma explicação definitiva para o desaparecimento dessa tradição. Mudanças culturais, transformações sociais e novas crenças podem ter contribuído para o abandono gradual do costume, mas nenhuma dessas teorias foi confirmada até agora.

Os pesquisadores acreditam que futuras análises genéticas poderão revelar a origem dos indivíduos cujos ossos foram utilizados e ajudar a entender melhor o contexto dessa prática. A descoberta também demonstra que as ideias sobre morte e respeito aos falecidos variam amplamente entre diferentes culturas. O caso da cultura Liangzhu reforça que muitas sociedades antigas possuíam visões complexas sobre o uso dos restos humanos, deixando enigmas que continuam fascinando a arqueologia moderna até os dias atuais.

Tags: arqueologiaartefato antigocrâniodescoberta arqueológica

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