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Início Ciência

As rochas vivas da Austrália que guardam micróbios capazes de explicar como a Terra ganhou oxigênio

Laila Por Laila
13 junho 2026 07:55
Em Ciência
Estromatólitos vivos emergem das águas rasas de Shark Bay

Estromatólitos vivos emergem das águas rasas de Shark Bay

As rochas vivas de Shark Bay parecem apenas formações duras à beira-mar, mas contam uma parte decisiva da história da Terra. Dentro delas vivem micróbios que ajudam a explicar como o oxigênio começou a transformar o planeta há bilhões de anos.

Como as rochas vivas de Shark Bay contam a história da Terra?

Na Baía Shark, na costa oeste da Austrália, há formações irregulares em águas rasas e muito salgadas. Elas são chamadas de estromatólitos, estruturas produzidas por comunidades de cianobactérias.

Esses micróbios prendem grãos de sedimento, favorecem a formação de carbonato de cálcio e constroem camadas lentamente. O resultado parece pedra, mas registra um processo vivo parecido com o que existia na Terra primitiva.

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Por que essas rochas vivas não são pedras comuns?

A diferença está na origem. Uma rocha comum se forma por processos físicos e químicos, enquanto os estromatólitos dependem da ação de micróbios. Eles crescem em camadas, como se cada geração deixasse uma marca sobre a anterior.

Em Hamelin Pool, essas estruturas sobrevivem porque a água é muito salgada. Essa condição dificulta a presença de muitos animais que poderiam consumir os tapetes microbianos, permitindo que as formações continuem crescendo.

Esse ambiente chama atenção por reunir características raras:

  • Água hipersalina, com menos predadores para os tapetes microbianos.
  • Águas rasas, que permitem a entrada de luz solar.
  • Crescimento lento, capaz de formar camadas ao longo de séculos.
  • Preservação natural, ligada às condições especiais de Shark Bay.

Como os micróbios ajudaram a Terra a ganhar oxigênio?

As cianobactérias fazem fotossíntese. Elas usam luz solar, água e dióxido de carbono, liberando oxigênio como subproduto. Em escala microscópica, isso parece pouco; em escala planetária, ajudou a mudar o destino da Terra.

Há cerca de 2,4 bilhões de anos, esse oxigênio começou a se acumular de forma mais marcante no ambiente, no evento conhecido como Grande Evento de Oxigenação. A mudança alterou oceanos, atmosfera e possibilidades de evolução da vida.

A virada aconteceu de modo gradual, mas seus efeitos foram profundos:

  • Cianobactérias passaram a liberar oxigênio pela fotossíntese.
  • Oxigênio molecular começou a se acumular nos mares e depois no ar.
  • Organismos anaeróbios perderam espaço em ambientes antes favoráveis.
  • Formas de vida complexas encontraram condições mais estáveis para evoluir.

O que existe nas camadas dessas rochas vivas?

Os estromatólitos modernos de Hamelin Pool guardam ecossistemas minúsculos. Suas camadas internas mudam conforme a luz, a quantidade de oxigênio e os nutrientes disponíveis em cada nível da estrutura.

A organização interna ajuda a entender por que essas formações resistem em condições tão específicas:

Nível da estruturaOrganismo dominanteFunção principal
Camada superiorCianobactérias fotossintetizantesProdução ativa de oxigênio
Camada intermediáriaBactérias aeróbiasCiclagem de nutrientes
Camada profundaBactérias sulfato-redutorasMetabolismo com pouco ou nenhum oxigênio

Pesquisas publicadas pelos National Institutes of Health registram a identificação de uma cepa de Acaryochloris nesses ambientes, adaptada a viver sob luz infravermelha próxima.

Como essa mudança química transformou a Terra?

A produção de oxigênio por micróbios mudou a química dos oceanos e da atmosfera. Antes desse acúmulo, muitos ambientes eram pobres em oxigênio livre, o que favorecia formas de vida muito diferentes das que dominam o planeta hoje.

Arquivos do PubMed Central associam o aumento do oxigênio a transformações profundas na trajetória evolutiva dos seres vivos. A mudança também foi importante para a formação de uma camada de ozônio mais eficiente.

Para visualizar a magnitude dessa revolução atmosférica, selecionamos o conteúdo do canal Ciência Todo Dia, que educa mais de 7,65 milhões de inscritos. No vídeo a seguir, entenda como o oxigênio quase aniquilou formas de vida primitivas antes de permitir uma nova etapa da evolução:

Por que Shark Bay preserva essas formações raras?

Os estromatólitos já foram muito mais comuns nos mares antigos. Com a evolução de animais capazes de consumir tapetes microbianos, essas formações perderam espaço em muitos ambientes marinhos.

Em Shark Bay, a hipersalinidade funciona como uma proteção natural. A água mais salgada limita a ação de muitos organismos pastadores, permitindo que essas estruturas se mantenham em abundância incomum até hoje.

Estudos internacionais sobre microbialitos, como os reunidos no PubMed Central, apontam que mudanças no pH e na química dos oceanos podem afetar organismos calcificadores e ecossistemas microbianos.

O que a Terra perderia sem essas rochas vivas?

Essas formações não são apenas curiosidades da costa australiana. Elas funcionam como uma janela para processos que aconteceram quando a vida ainda era dominada por micróbios e o planeta tinha uma atmosfera muito diferente.

Preservar Shark Bay significa proteger uma biblioteca viva sobre a origem do oxigênio na Terra. Nas camadas das rochas vivas, a geologia e a biologia ainda contam como organismos minúsculos ajudaram a preparar o planeta para formas de vida mais complexas.

Tags: Ciênciageologiarochas

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