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Início Ciência

O buraco azul de mais de 300 metros no Mar do Sul da China, onde peixes desaparecem e microrganismos dominam

Laila Por Laila
13 junho 2026 07:35
Em Ciência
Buraco do Dragão aparece como círculo azul profundo no Mar do Sul da China

Buraco do Dragão aparece como círculo azul profundo no Mar do Sul da China

No oceano, uma mancha azul intensa pode parecer apenas uma curiosidade visual. Mas o buraco azul conhecido como Buraco do Dragão, no Mar do Sul da China, esconde águas profundas sem oxigênio, onde peixes não resistem e microrganismos passam a dominar.

Por que o buraco azul do Mar do Sul da China intriga cientistas?

O Buraco do Dragão, também chamado de Yongle Blue Hole, fica na região das Ilhas Paracel, uma área disputada e incomum do ponto de vista oceanográfico. A entrada azul intensa contrasta com uma coluna d’água que muda completamente conforme a profundidade aumenta.

Segundo a página sobre o Dragon Hole, a estrutura é descrita como um sumidouro submarino profundo no Mar do Sul da China. O interesse científico está justamente nessa passagem brusca entre uma zona rasa, iluminada e com peixes, e uma região profunda quase sem oxigênio.

Entrada do buraco azul mostra vida apenas na parte rasa e iluminada

Leia também: O buraco azul que surgiu de uma caverna desabada e hoje revela como o nível do mar mudou desde a Era Glacial

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Como o buraco azul chega a mais de 300 metros de profundidade?

As medições associadas ao Buraco do Dragão apontam profundidade próxima de 301 metros, o que colocou a formação entre os buracos azuis mais extremos já documentados. O funil submarino não desce em linha reta perfeita, pois sua base se desloca lateralmente em relação à abertura principal.

O Guinness World Records registra que o Dragon Hole já foi citado como antigo detentor do recorde, antes da confirmação de formações ainda mais profundas. Mesmo assim, sua escala continua chamando atenção por reunir profundidade, isolamento e forte mudança química.

Os dados principais ajudam a dimensionar a formação:

  • Profundidade aproximada: cerca de 301 metros abaixo da superfície.
  • Localização: região das Ilhas Paracel, no Mar do Sul da China.
  • Estrutura: sumidouro submarino cercado por paredes calcárias.
  • Característica marcante: perda quase total de oxigênio nas camadas profundas.
Corte mostra o funil profundo e deslocado do Yongle Blue Hole

O que muda quando o oxigênio desaparece abaixo dos 100 metros?

Na parte superior, até cerca de 80 metros, a água ainda recebe luz e mantém oxigênio suficiente para sustentar peixes, microalgas e organismos típicos de recifes tropicais. Essa faixa cria a impressão de um ambiente comum, visualmente bonito e cheio de vida.

A virada acontece abaixo de aproximadamente 100 metros. Nessa profundidade, o oxigênio dissolvido praticamente desaparece, e o interior do buraco azul passa a funcionar como um ambiente anóxico, mais isolado, denso e hostil para formas complexas de vida.

Quais camadas dividem o buraco azul entre vida e isolamento?

A estratificação da água explica por que uma mesma formação pode parecer viva na superfície e quase inacessível nas profundezas. Cada camada concentra condições próprias de luz, temperatura, acidez e oxigênio.

Essa divisão costuma ser descrita em três faixas principais:

  • Zona oxigenada: de 0 a 80 metros, com entrada de luz e presença de vida marinha comum.
  • Zona de transição: entre 80 e 100 metros, onde o oxigênio cai rapidamente.
  • Zona anóxica profunda: de 100 a 301 metros, dominada por água sem oxigênio e compostos químicos extremos.
Camadas do buraco azul mostram zona clara, transição e água sem oxigênio

Por que o Buraco do Dragão preserva pistas do passado?

A ausência de oxigênio reduz a decomposição de materiais que afundam no interior da formação. Sem a ação intensa de bactérias aeróbicas, sedimentos e estruturas orgânicas podem permanecer preservados por mais tempo do que em áreas abertas do oceano.

Por isso, formações como o Buraco do Dragão interessam a pesquisadores que estudam paleoclima, variações antigas do nível do mar e mudanças ambientais acumuladas em sedimentos. O fundo isolado funciona como um arquivo natural da história marinha.

Que vida resiste dentro desse buraco azul sem oxigênio?

Nas camadas profundas, peixes e outros animais comuns não conseguem sobreviver. Ainda assim, a vida microscópica encontra caminhos alternativos, usando reações químicas que não dependem do oxigênio livre presente nas águas superficiais.

Os organismos mais associados a esse tipo de ambiente incluem:

  • Bactérias anaeróbicas, adaptadas a águas sem oxigênio livre.
  • Archaea, grupo de microrganismos comum em ambientes extremos.
  • Metabolismos baseados em enxofre e metano, usados em condições químicas severas.
  • Comunidades microbianas isoladas, importantes para estudar adaptação e evolução.

Por que esse ambiente importa para a oceanografia?

O Buraco do Dragão mostra como uma área pequena do oceano pode concentrar processos químicos extremos. Em um cenário de preocupação com a desoxigenação marinha, esse ambiente funciona como um modelo natural para observar o que acontece quando o oxigênio desaparece das camadas profundas.

Seu valor científico não está apenas nos 301 metros de profundidade. O que torna essa formação tão relevante é a combinação entre isolamento, química agressiva e vida microscópica resistente, capaz de revelar como os oceanos respondem a mudanças invisíveis na superfície.

Tags: maroceanooceanografia

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