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Início Ciência

O Triângulo das Bermudas tem uma camada de 20 km sob a ilha que explica sua elevação no meio do Atlântico

Laila Por Laila
16 junho 2026 09:35
Em Ciência
Corte geológico mostra Bermuda sobre camada rochosa de 20 quilômetros

Corte geológico mostra Bermuda sobre camada rochosa de 20 quilômetros

Por trás das lendas do Triângulo das Bermudas, o achado mais concreto está abaixo de Bermuda. Uma camada rochosa de cerca de 20 quilômetros ajuda a explicar por que a ilha permanece elevada no Atlântico, mesmo sem vulcanismo ativo recente.

Por que o Triângulo das Bermudas voltou ao debate científico?

Durante décadas, o nome da região ficou preso a relatos de desaparecimentos e teorias sem comprovação. O novo interesse, porém, não está em fenômenos sobrenaturais, mas na estrutura profunda que sustenta Bermuda sobre o fundo oceânico.

Segundo o Phys.org, pesquisadores identificaram uma camada rochosa com cerca de 20 quilômetros de espessura abaixo da crosta oceânica. A descoberta oferece uma explicação física para a elevação incomum da ilha, mesmo sem vulcanismo ativo recente.

Bermuda aparece sobre elevação ampla do fundo oceânico no Atlântico

Leia também: Nas profundezas das Bermudas, eles encontraram algo diferente de tudo o que já existiu na Terra

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O que existe 20 quilômetros abaixo de Bermuda?

A estrutura encontrada fica abaixo da crosta oceânica comum e acima de regiões mais profundas do manto. Ela é composta por rochas menos densas que o material ao redor, o que cria uma espécie de sustentação natural sob Bermuda.

Essa diferença ajuda a entender por que a ilha continua elevada no Atlântico. Em muitas ilhas oceânicas, o relevo depende de vulcanismo ativo, plumas mantélicas ou calor recente; em Bermuda, a última erupção conhecida ocorreu há cerca de 31 milhões de anos.

Os pontos centrais da descoberta são:

  • Camada de 20 quilômetros, mais espessa do que estruturas semelhantes em outras ilhas oceânicas.
  • Baixa densidade das rochas, fator que contribui para a elevação do fundo oceânico.
  • Origem vulcânica antiga, ligada a magma que subiu, esfriou e ficou preso sob a crosta.
  • Ausência de vulcanismo atual, o que torna o caso mais difícil de explicar por modelos tradicionais.

Como os cientistas enxergaram essa camada sem perfurar a ilha?

A equipe não precisou abrir um poço de dezenas de quilômetros. O estudo usou registros sísmicos de uma estação permanente em Bermuda, analisando como ondas geradas por terremotos distantes atravessavam as camadas internas da Terra.

De acordo com a Live Science, o sismólogo William Frazer, do Carnegie Science, e Jeffrey Park, da Universidade Yale, reconstruíram uma imagem até cerca de 50 quilômetros abaixo da ilha.

Quando essas ondas mudam de velocidade, refletem ou atravessam materiais diferentes, elas revelam fronteiras escondidas. Foi assim que os pesquisadores identificaram a crosta oceânica, a descontinuidade de Mohorovičić e a camada adicional sob Bermuda.

Ondas sísmicas revelam crosta, Moho e camada extra sob Bermuda

Por que o Triângulo das Bermudas não depende de um vulcão ativo?

Ilhas como o Havaí e as Galápagos são associadas a hotspots, regiões em que material quente sobe do manto e alimenta vulcões. Bermuda não se encaixa bem nessa explicação, porque não há uma pluma ativa sustentando a ilha hoje.

O estudo publicado na Geophysical Research Letters propõe que a camada antiga de rocha leve funciona como base de sustentação. Ela ajudaria a manter o chamado swell de Bermuda, uma elevação ampla do assoalho oceânico ao redor da ilha.

Para separar lenda popular e fenômeno geológico, selecionamos o conteúdo do Professor Leandro Ribeiro, com 261 mil inscritos. No vídeo a seguir, ele explica como ondas sísmicas, isostasia e vulcanismo antigo ajudam a entender a anomalia sob Bermuda:

A descoberta explica desaparecimentos no Atlântico?

A camada rochosa não prova que o Triângulo das Bermudas cause desaparecimentos por algum mecanismo extraordinário. O achado mostra uma anomalia geológica sob Bermuda, mas não transforma a região em uma área sobrenatural ou fora das explicações comuns de navegação.

Incidentes marítimos e aéreos precisam ser avaliados caso a caso, considerando clima, falhas mecânicas, erro humano, rotas movimentadas e condições do mar. A descoberta apenas desloca o foco para um mistério real, ligado à formação e sustentação da ilha.

Essa separação ajuda a organizar o tema:

  • Lenda popular, associada a desaparecimentos narrados como inexplicáveis.
  • Risco de navegação, comum em áreas com tráfego intenso de navios e aviões.
  • Anomalia geológica, representada pela camada rochosa incomum sob Bermuda.
  • Ciência sísmica, usada para mapear a estrutura profunda da ilha.

O que essa camada muda na leitura do Triângulo das Bermudas?

A estrutura sugere que o Atlântico ainda guarda histórias geológicas mais complexas do que os modelos simples de ilhas oceânicas indicavam. O material teria se formado há cerca de 30 a 35 milhões de anos, quando magma antigo se acumulou e solidificou abaixo da crosta.

O próximo passo é verificar se camadas semelhantes existem sob outras ilhas ou se Bermuda é um caso raro. Para William Frazer, essa comparação pode mostrar se a ilha faz parte de um padrão maior ou se representa uma exceção geológica no planeta.

Por que o mistério real está no fundo da Terra?

O Triângulo das Bermudas continuará cercado por histórias populares, mas a camada sob a ilha oferece um enigma mais concreto. Ela explica por que Bermuda permanece elevada no meio do oceano, mesmo sem atividade vulcânica recente para sustentar esse relevo.

A virada é importante porque troca a fantasia por uma pergunta científica melhor. Em vez de buscar respostas em desaparecimentos misteriosos, a geologia mostra que o fundo da Terra pode guardar explicações mais interessantes do que qualquer lenda marítima.

Tags: CiênciageologiaPlacas tectônicas

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