Encravada nas montanhas do Espírito Santo, Santa Teresa guarda duas histórias que poucos conhecem: foi por aqui que começou a imigração italiana no Brasil, em 1874, e foi aqui que viveu Augusto Ruschi, o naturalista cuja morte mobilizou desde a ciência até um ritual indígena. Tudo isso a cerca de 80 km da capital, Vitória.
Por que Santa Teresa é considerada o berço da imigração italiana?
Porque foi para as terras onde hoje fica a cidade que vieram os primeiros imigrantes italianos do Brasil, em 1874. Segundo o portal de turismo do Espírito Santo, a história começou com o navio a vela La Sofia, que partiu do norte da Itália na expedição de Pietro Tabacchi.
Essa herança ainda define a cidade. A arquitetura, a culinária e, sobretudo, o vinho, carregam o sotaque italiano. Santa Teresa é hoje a maior produtora de uva e vinho do estado, responsável por cerca de 80% da produção capixaba, segundo a Prefeitura de Santa Teresa. Curiosamente, moradores contam que parte das tradições preservadas aqui já se perdeu na própria Itália.

Quem foi o cientista que um cacique tentou curar?
Augusto Ruschi (1915-1986), filho de imigrantes italianos, nasceu em Santa Teresa e se tornou o patrono da ecologia no Brasil. Conhecido como o cientista dos beija-flores, descreveu dezenas de espécies e subespécies, catalogou centenas de orquídeas e ganhou fama internacional, chegando a ser condecorado pela rainha Elizabeth II e estampado em uma cédula brasileira.
Sua morte virou episódio quase lendário. Ruschi acreditava ter se envenenado ao tocar um sapo venenoso na Amazônia enquanto observava um beija-flor raro. Com o fígado comprometido, foi submetido em 1986 a um ritual de pajelança conduzido pelos caciques Raoni e Sapaim, trazidos do Xingu num avião da Força Aérea. O legado de Ruschi pode ser visto no Museu de Biologia Professor Mello Leitão, que ele fundou em 1949.

O que torna a serra capixaba tão verde?
Cerca de 40% do território de Santa Teresa é coberto por Mata Atlântica preservada, o que dá à cidade uma das maiores coberturas vegetais do estado e uma biodiversidade rara. Foi essa floresta de montanha que despertou em Ruschi a paixão pelos beija-flores e orquídeas ainda na infância.
Esse patrimônio natural inclui reservas biológicas e a Estação Biológica de Santa Lúcia, criada pelo próprio naturalista nos anos 1940. Para o visitante, significa trilhas, mirantes com vista do vale e a chance de observar colibris de perto, num clima de montanha que contrasta com o calor do litoral capixaba.
Quem quer se encantar com as paisagens, os vinhos e a forte herança da imigração italiana nas montanhas capixabas, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 995 mil visualizações, onde Matheus Boa Sorte mostra a sustentabilidade rural, receitas típicas e o turismo em Santa Teresa – ES:
Quando ir e como chegar à região serrana?
O clima é de montanha, ameno o ano inteiro, com noites mais frias no inverno e verões chuvosos. Essa amenidade é justamente um dos atrativos para quem foge do calor do litoral.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
A cidade fica a cerca de 80 km de Vitória, num trajeto de aproximadamente uma hora e meia de carro, subindo a serra capixaba. O Aeroporto de Vitória é a porta de entrada para quem vem de avião.
Suba a serra até Santa Teresa
Poucos lugares no Brasil reúnem o berço de uma imigração, a história de um cientista lendário e uma serra de Mata Atlântica num só endereço. Santa Teresa mistura vinho, ciência e natureza com a calma de uma cidade pequena de montanha.
Você precisa subir a serra capixaba e descobrir Santa Teresa, onde o sotaque italiano e o voo dos beija-flores contam a história do lugar.









