Nas profundezas do Atlântico, em uma região próxima à ao topo de uma montanha subaquática a oeste da Dorsal Mesoatlântica, cientistas descobriram um dos ambientes mais estranhos já registrados na Terra: o Campo Hidrotermal da chamada “Cidade Perdida”.
Formações gigantes de carbonato, vida microbiana sem oxigênio e estruturas que lembram uma cidade fantasmagórica transformaram o local em um dos maiores mistérios da oceanografia moderna, despertando interesse sobre as origens da vida no planeta.
O que é a “Cidade Perdida” no fundo do oceano?
A Cidade Perdida é um campo hidrotermal localizado a mais de 700 metros de profundidade no oceano. Diferente de outros sistemas vulcânicos submarinos, ele não depende do calor do magma, mas sim de reações químicas entre o manto terrestre e a água do mar.
Essas reações liberam gases como hidrogênio e metano, criando um ambiente único que sustenta formas de vida mesmo sem luz solar, algo extremamente raro nos ecossistemas conhecidos.
Entre suas características principais estão:
- Chaminés de carbonato com até 60 metros de altura.
- Emissão contínua de hidrogênio e metano.
- Ausência de dependência de luz solar para sustentar vida.
- Estruturas minerais que lembram torres e colunas naturais.
Confira no vídeo do canal The Hearty Soul imagens desse lugar incrível:
Leia também: O campo magnético da Terra se deslocou mais de 2.200 quilômetros e mexeu com a navegação no mundo inteiro
Como a Cidade Perdida foi descoberta?
O campo hidrotermal foi identificado no ano 2000 por cientistas que exploravam o fundo do oceano com veículos operados remotamente. A descoberta revelou um ambiente completamente inesperado, com formações geológicas que não se encaixavam nos modelos conhecidos até então.
Desde então, expedições científicas têm utilizado tecnologia avançada para mapear e estudar a região, incluindo amostras de rochas profundas e imagens em alta resolução do ecossistema submarino.
Os principais marcos da descoberta incluem:

- Identificação inicial por robôs submarinos.
- Mapeamento detalhado das formações de carbonato.
- Coleta de núcleos de rocha do manto terrestre.
- Registro de comunidades microbianas extremófilas.
Por que a Cidade Perdida é diferente de outras fontes hidrotermais?
Ao contrário das chamadas “fumarolas negras”, que dependem de atividade vulcânica intensa, a Cidade Perdida é alimentada por reações químicas mais estáveis e de longa duração. Isso permite que suas estruturas se desenvolvam por dezenas de milhares de anos.
Além disso, o tipo de minerais e gases liberados cria condições únicas para a formação de ecossistemas baseados em quimiossíntese, em vez de fotossíntese.
As principais diferenças incluem:
- Produção muito maior de hidrogênio e metano.
- Ausência de dependência direta do magma.
- Estruturas de carbonato mais altas e duradouras.
- Ecossistema baseado em reações químicas profundas.

Que tipo de vida existe nesse ambiente extremo?
Apesar das condições extremas, a Cidade Perdida abriga uma surpreendente variedade de vida microbiana e alguns organismos maiores adaptados ao ambiente profundo. Esses seres sobrevivem sem luz solar, utilizando os compostos químicos como fonte de energia.
Esse ecossistema desafia a ideia tradicional de que a vida depende exclusivamente da luz, mostrando que outras formas de energia podem sustentar ecossistemas complexos.
Entre os organismos encontrados estão:
- Comunidades de bactérias extremófilas.
- Caracóis e crustáceos adaptados ao calor moderado.
- Caranguejos e camarões em menor quantidade.
- Organismos que vivem em fissuras minerais ativas.
Por que ela é importante para a origem da vida?
Os cientistas acreditam que ambientes como a Cidade Perdida podem ajudar a explicar como a vida surgiu na Terra bilhões de anos atrás. As reações químicas presentes no local produzem moléculas essenciais para a formação de organismos vivos.
Entre suas principais contribuições científicas estão:
- Estudos sobre a origem da vida na Terra primitiva.
- Modelos de ecossistemas baseados em quimiossíntese.
- Hipóteses sobre vida em luas como Europa e Encélado.
- Compreensão de ambientes extremos no planeta.
Além disso, esse tipo de ecossistema também levanta a possibilidade de existência de vida em outros corpos celestes, como luas geladas de planetas do Sistema Solar.







