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Início Ciência

Pesquisadores da Universidade de Washington descobriram uma “cidade perdida” escondida no oceano profundo que funciona de um jeito totalmente desconhecido pela ciência moderna

Roberta Patriota Por Roberta Patriota
26 junho 2026 18:25
Em Ciência
Pesquisadores da Universidade de Washington descobriram uma “cidade viva” escondida no oceano profundo que funciona de um jeito totalmente desconhecido pela ciência moderna

A Cidade Perdida no fundo do Atlântico abriga um ecossistema extremo baseado em reações químicas, desafiando teorias sobre a origem da vida na Terra

Nas profundezas do Atlântico, em uma região próxima à ao topo de uma montanha subaquática a oeste da Dorsal Mesoatlântica, cientistas descobriram um dos ambientes mais estranhos já registrados na Terra: o Campo Hidrotermal da chamada “Cidade Perdida”.

Formações gigantes de carbonato, vida microbiana sem oxigênio e estruturas que lembram uma cidade fantasmagórica transformaram o local em um dos maiores mistérios da oceanografia moderna, despertando interesse sobre as origens da vida no planeta.

O que é a “Cidade Perdida” no fundo do oceano?

A Cidade Perdida é um campo hidrotermal localizado a mais de 700 metros de profundidade no oceano. Diferente de outros sistemas vulcânicos submarinos, ele não depende do calor do magma, mas sim de reações químicas entre o manto terrestre e a água do mar.

Essas reações liberam gases como hidrogênio e metano, criando um ambiente único que sustenta formas de vida mesmo sem luz solar, algo extremamente raro nos ecossistemas conhecidos.

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Entre suas características principais estão:

  • Chaminés de carbonato com até 60 metros de altura.
  • Emissão contínua de hidrogênio e metano.
  • Ausência de dependência de luz solar para sustentar vida.
  • Estruturas minerais que lembram torres e colunas naturais.

Confira no vídeo do canal The Hearty Soul imagens desse lugar incrível:

Leia também: O campo magnético da Terra se deslocou mais de 2.200 quilômetros e mexeu com a navegação no mundo inteiro

Como a Cidade Perdida foi descoberta?

O campo hidrotermal foi identificado no ano 2000 por cientistas que exploravam o fundo do oceano com veículos operados remotamente. A descoberta revelou um ambiente completamente inesperado, com formações geológicas que não se encaixavam nos modelos conhecidos até então.

Desde então, expedições científicas têm utilizado tecnologia avançada para mapear e estudar a região, incluindo amostras de rochas profundas e imagens em alta resolução do ecossistema submarino.

Os principais marcos da descoberta incluem:

cidade perdida
Terreno subaquático dos Campos Hidrotermais da Cidade Perdida. (Pesquisa da Cidade Perdida/Universidade de Washington)
  • Identificação inicial por robôs submarinos.
  • Mapeamento detalhado das formações de carbonato.
  • Coleta de núcleos de rocha do manto terrestre.
  • Registro de comunidades microbianas extremófilas.

Por que a Cidade Perdida é diferente de outras fontes hidrotermais?

Ao contrário das chamadas “fumarolas negras”, que dependem de atividade vulcânica intensa, a Cidade Perdida é alimentada por reações químicas mais estáveis e de longa duração. Isso permite que suas estruturas se desenvolvam por dezenas de milhares de anos.

Além disso, o tipo de minerais e gases liberados cria condições únicas para a formação de ecossistemas baseados em quimiossíntese, em vez de fotossíntese.

As principais diferenças incluem:

  • Produção muito maior de hidrogênio e metano.
  • Ausência de dependência direta do magma.
  • Estruturas de carbonato mais altas e duradouras.
  • Ecossistema baseado em reações químicas profundas.
Cidade Perdida
Terreno subaquático dos Campos Hidrotermais da Cidade Perdida. (Pesquisa da Cidade Perdida/Universidade de Washington)

Que tipo de vida existe nesse ambiente extremo?

Apesar das condições extremas, a Cidade Perdida abriga uma surpreendente variedade de vida microbiana e alguns organismos maiores adaptados ao ambiente profundo. Esses seres sobrevivem sem luz solar, utilizando os compostos químicos como fonte de energia.

Esse ecossistema desafia a ideia tradicional de que a vida depende exclusivamente da luz, mostrando que outras formas de energia podem sustentar ecossistemas complexos.

Entre os organismos encontrados estão:

  • Comunidades de bactérias extremófilas.
  • Caracóis e crustáceos adaptados ao calor moderado.
  • Caranguejos e camarões em menor quantidade.
  • Organismos que vivem em fissuras minerais ativas.

Leia também: Novas pesquisas da Universidade de Washington confirmam que as fezes das baleias contêm quantidades significativas de ferro que podem ter ajudado a fertilizar os oceanos no passado remoto

Por que ela é importante para a origem da vida?

Os cientistas acreditam que ambientes como a Cidade Perdida podem ajudar a explicar como a vida surgiu na Terra bilhões de anos atrás. As reações químicas presentes no local produzem moléculas essenciais para a formação de organismos vivos.

Entre suas principais contribuições científicas estão:

  • Estudos sobre a origem da vida na Terra primitiva.
  • Modelos de ecossistemas baseados em quimiossíntese.
  • Hipóteses sobre vida em luas como Europa e Encélado.
  • Compreensão de ambientes extremos no planeta.

Além disso, esse tipo de ecossistema também levanta a possibilidade de existência de vida em outros corpos celestes, como luas geladas de planetas do Sistema Solar.

Tags: cidade perdidaCiênciaoceanografiaUniversidade de Washington

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