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Início Ciência

Pesquisadores podem ter encontrado as rochas mais antigas da Terra, com mais de 4 bilhões de anos

Ellen Raquel Patriota Por Ellen Raquel Patriota
27 junho 2026 11:05
Em Ciência
Pesquisadores podem ter encontrado as rochas mais antigas da Terra, com mais de 4 bilhões de anos

As formações rochosas preservadas no Canadá trazem registros raros do Éon Hadeano.

Quase tudo o que existiu nos primeiros capítulos da Terra desapareceu sob a ação implacável da erosão, do calor interno e da tectônica de placas. Ainda assim, algumas rochas preservadas no Canadá podem ter resistido a esse apagamento geológico e guardado um registro direto da infância do planeta. O novo estudo sobre o Cinturão Nuvvuagittuq, em Quebec, reforça a possibilidade de que essas sejam as rochas mais antigas da Terra, oferecendo uma janela rara para o Éon Hadeano, período em que a crosta terrestre ainda estava se formando em um mundo muito mais hostil do que o atual.

Por que é tão difícil encontrar rochas da Terra primitiva?

A superfície da Terra está em constante transformação, o que dificulta enormemente a preservação de vestígios muito antigos. Ao longo de bilhões de anos, erosão, intemperismo, colisões tectônicas e reciclagem da crosta apagaram grande parte das rochas formadas nos estágios iniciais da história do planeta.

Esse dinamismo é uma das razões pelas quais a Terra guarda menos rochas extremamente antigas do que Marte, por exemplo. Enquanto o planeta vermelho preservou superfícies muito antigas, a crosta terrestre foi sendo remodelada continuamente, destruindo ou soterrando boa parte dos registros do Éon Hadeano.

Cinturão Nuvvuagittuq
Acredita-se que as rochas do Cinturão Nuvvuagittuq, em Quebec, sejam as mais antigas da Terra. © Jonathan O’Neil via AP

O que torna o Cinturão Nuvvuagittuq tão importante para a geologia?

O Cinturão Nuvvuagittuq, localizado em Quebec, no Canadá, é considerado um dos candidatos mais fortes a abrigar as rochas mais antigas do mundo. As amostras estudadas nessa região apresentam idades estimadas entre 3,75 e 4,3 bilhões de anos, o que coloca o local no centro de um dos debates mais fascinantes da geologia moderna.

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Se essas idades forem confirmadas, Nuvvuagittuq passará a ocupar um lugar único na reconstrução da Terra primitiva. Isso porque essas rochas podem representar fragmentos autênticos da crosta terrestre original, preservados apesar de bilhões de anos de transformações físicas e químicas no planeta.

Entre os fatores que tornam essa região tão valiosa para os pesquisadores, destacam-se alguns pontos centrais:

  • possível preservação de fragmentos da crosta terrestre do Éon Hadeano;
  • idades que podem ultrapassar 4 bilhões de anos;
  • potencial para revelar condições da Terra em seus primeiros estágios;
  • importância para entender a formação dos primeiros continentes.
Cinturão Nuvvuagittuq
Representação artística da Terra durante o Éon Hadeano, há mais de 4 bilhões de anos. © Dan Durda, Southwest Research Institute

Como os cientistas calcularam a idade dessas rochas?

Para estimar a idade das rochas de Nuvvuagittuq, os pesquisadores recorreram a técnicas de datação isotópica baseadas nas proporções entre samário e neodímio. Esse tipo de análise mede a transformação natural de determinados isótopos ao longo do tempo, permitindo calcular há quanto tempo aquela rocha se formou.

No novo estudo, duas abordagens diferentes chegaram a resultados muito próximos, com idades de 4,16 e 4,19 bilhões de anos. A concordância entre os métodos fortalece a hipótese de que essas amostras realmente pertencem a um período extremamente remoto da história da Terra, possivelmente mais antigo do que qualquer outro conjunto rochoso conhecido.

Leia também: Só os mais rápidos acertam 200 ÷ 10 + 3² sem usar calculadora

O que essas rochas podem revelar sobre o Éon Hadeano?

O Éon Hadeano corresponde aos primeiros cerca de 600 milhões de anos da Terra, uma fase marcada por temperaturas elevadas, intensa atividade vulcânica e formação inicial da crosta. Como quase não existem rochas preservadas desse período, qualquer fragmento autêntico se torna uma peça de enorme valor para entender como o planeta começou a se organizar.

As rochas de Nuvvuagittuq podem ajudar a esclarecer como era a composição da crosta primitiva, quais processos geológicos atuavam naquele momento e de que forma a Terra evoluiu para se tornar um planeta habitável. Em termos científicos, trata-se de um material capaz de aproximar os pesquisadores de uma etapa quase apagada da história terrestre.

Essas amostras podem contribuir para responder perguntas fundamentais sobre a Terra primitiva, como:

  • como se formaram os primeiros fragmentos de crosta terrestre;
  • quais condições térmicas e químicas dominavam o planeta há mais de 4 bilhões de anos;
  • de que forma o interior da Terra influenciava a superfície naquele período;
  • como surgiram os ambientes que precederam a evolução do planeta habitável.
Cinturão Nuvvuagittuq
Estima-se que essas rochas tenham 4,16 bilhões de anos; elas podem ser as mais antigas do mundo. © Jonathan O’Neil via AP

Leia também: Jeff Bezos quer levar as fábricas para o espaço e transformar a Terra em um “planeta jardim”

Por que a descoberta das rochas mais antigas da Terra é tão relevante?

Confirmar a idade dessas rochas significa abrir uma janela concreta para um período do qual quase nada sobreviveu. Em vez de depender apenas de cristais isolados, como os zircões, os cientistas poderiam estudar fragmentos maiores da crosta terrestre primitiva e reconstruir com mais precisão a geologia dos primeiros tempos do planeta.

Mais do que um recorde de antiguidade, as rochas de Nuvvuagittuq representam uma chance rara de investigar a origem da Terra sólida. Se forem realmente as rochas mais antigas do mundo, elas poderão redefinir o que se sabe sobre a formação da crosta, a evolução dos continentes e os cenários que antecederam o surgimento da vida em nosso planeta.

Tags: CiênciaCinturão Nuvvuagittuqdescoberta geológicaTerra

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