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Início Ciência

Mistérios do mundo: qual é a caverna mais profunda da Terra e como é a vida em seu interior?

Laila Por Laila
01 julho 2026 02:35
Em Ciência
Entrada escura da Veryovkina se abre no Maciço Arabika sob névoa fria

Entrada escura da Veryovkina se abre no Maciço Arabika sob névoa fria

Você já imaginou descer dois quilômetros abaixo da superfície da Terra, no escuro absoluto, onde a temperatura despenca e a água escorre pelas paredes em cascatas subterrâneas? A caverna mais funda do planeta fica encravada nas montanhas do Cáucaso Ocidental e guarda formas de vida que a ciência não esperava encontrar tão fundo.

A caverna mais profunda do mundo fica na Geórgia

A Caverna Veryovkina, localizada na região de Abkhazia, na Geórgia, figura entre os sistemas subterrâneos mais extremos já mapeados na história da espeleologia. Ela está inserida no Maciço Arabika, na cordilheira de Gagra, no Cáucaso Ocidental.

Sua rival histórica, a Caverna Krubera (também chamada Krubera-Voronya), ocupa o mesmo maciço e disputa o primeiro lugar dependendo do método de medição adotado. As duas são as únicas cavernas conhecidas no mundo com profundidade superior a 2.000 metros.

Mapa do Maciço Arabika mostra onde ficam Veryovkina e Krubera

Leia também: Nas profundezas de uma caverna, pesquisadores encontraram uma janela para o passado com 67.000 anos

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O recorde que levou 50 anos e 30 expedições para ser batido

A Veryovkina foi descoberta em 1968, mas levou meio século até que alguém chegasse ao seu ponto mais fundo. Em março de 2018, a equipe liderada por Pavel Demidov e Ilya Turbanov atingiu a marca de 2.212 metros de profundidade, estabelecendo o recorde mundial em uma expedição que exigiu mais de uma semana apenas para a descida.

Ao todo, foram cerca de 30 expedições ao longo de décadas até que a profundidade máxima registrada fosse alcançada. A entrada da caverna tem seção transversal de aproximadamente 3 m × 4 m e um poço inicial de 32 metros, a partir do qual o sistema se abre em passagens verticais, corredores horizontais e câmaras parcialmente inundadas.

Corte vertical mostra a descida extrema até o sifão final da Veryovkina

A disputa pela caverna mais funda ainda não está encerrada

O debate técnico entre Veryovkina e Krubera continua entre os espeleólogos. Registros técnicos recentes apontam medições ligeiramente diferentes para as duas cavernas, a depender do ponto de referência e do método utilizado, com valores que oscilam entre 2.197 m e 2.224 m para a Krubera.

O que os especialistas concordam é que nenhuma equipe tem certeza de ter chegado ao fundo real de qualquer uma delas. Sifões submersos bloqueiam passagens que podem levar a câmaras ainda mais profundas e inexploradas.

Como é o interior da caverna mais profunda do planeta?

Dentro da Veryovkina, a umidade se aproxima de 100% e as temperaturas são extremamente baixas em todos os níveis. A água infiltrada pelo Maciço Arabika ao longo de décadas forma cachoeiras internas e lagos subterrâneos que os exploradores precisam contornar ou atravessar.

Uma expedição completa exige que a equipe carregue equipamento, alimentos e material de acampamento para vários dias de descida. Os obstáculos incluem:

  • Passagens verticais com dezenas de metros de queda livre
  • Sifões inundados que exigem mergulho técnico especializado
  • Acampamentos improvisados em câmaras intermediárias durante a descida
  • Condições de frio e umidade extrema em todos os níveis do sistema

Vida onde a ciência não esperava encontrar nada

A descoberta mais surpreendente da expedição de 2018 não foi o recorde de profundidade em si, mas o que a equipe encontrou nas águas próximas ao ponto mais baixo da Veryovkina: crustáceos aquáticos, colêmbolos (hexápodos adaptados a ambientes extremos) e organismos filtradores ativos.

Até então, o consenso científico era de que a vida multicelular não sobreviveria a tais condições sem acesso à luz solar ou a fontes externas de energia. Esses organismos dependem de matéria orgânica carregada pela água da chuva, que leva anos ou décadas para penetrar o calcário do maciço. As adaptações metabólicas necessárias para sobreviver com recursos tão escassos ainda estão sendo estudadas.

Crustáceo translúcido surge na rocha molhada sem bordas nem rótulos

Os sifões que nenhuma equipe atravessou por completo

Tanto a Veryovkina quanto a Krubera têm, nos seus pontos mais fundos, sifões submersos que representam a fronteira atual da exploração humana. Apenas mergulhadores com treinamento específico em espeleodivulgação têm condições técnicas de tentar a passagem.

Até 2026, nenhuma equipe havia atravessado esses sifões integralmente. O que existe além deles, incluindo a profundidade real máxima das duas cavernas, permanece uma das últimas fronteiras abertas da geologia subterrânea.

O que faz o Cáucaso Ocidental ser o lugar mais fundo do mundo?

A geologia do Maciço Arabika explica por que essa região concentra os dois sistemas subterrâneos mais profundos do planeta. A formação calcária porosa, combinada com altitude elevada e infiltração constante de água ao longo de milhões de anos, criou condições raras para o desenvolvimento de cavernas com quedas verticais dessa magnitude.

O fato de duas cavernas com mais de 2.000 metros de profundidade coexistirem no mesmo maciço e ainda guardarem trechos inexplorados diz mais sobre os limites do que os humanos conseguem alcançar do que sobre o que a Terra tem para revelar. A corrida pelo fundo real da Veryovkina e da Krubera ainda está em aberto.

Tags: CiênciaCuriosidadesgeologia

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