Uma equipe internacional de astrônomos fez uma descoberta que pode mudar a compreensão sobre a formação de alguns dos sistemas mais antigos da Via Láctea. Utilizando observações do Telescópio Espacial James Webb em conjunto com dados históricos do Telescópio Espacial Hubble, os pesquisadores identificaram que o aglomerado estelar Terzan 5 abriga quatro gerações distintas de estrelas, formadas ao longo de mais de 10 bilhões de anos.
Até pouco tempo, Terzan 5 era considerado apenas mais um aglomerado globular. No entanto, as novas análises revelam uma história muito mais complexa, indicando que o sistema preserva registros importantes dos primeiros estágios da formação da nossa galáxia.
O que torna Terzan 5 tão especial?
Localizado a cerca de 19 mil anos-luz da Terra, na direção da constelação de Sagitário, Terzan 5 abriga centenas de milhares de estrelas concentradas em uma região próxima ao centro da Via Láctea.

As observações mais recentes, porém, mostraram que o sistema passou por diferentes episódios de formação estelar. Em vez de uma única população de estrelas, os cientistas identificaram quatro grupos com idades bastante distintas, separados por bilhões de anos.
Como o James Webb fez essa descoberta do Terzan 5?
O grande diferencial do Telescópio Espacial James Webb é sua capacidade de observar o universo em comprimentos de onda infravermelhos. Essa tecnologia permite atravessar densas nuvens de poeira cósmica que bloqueiam a visão dos telescópios convencionais.
Ao combinar essas imagens com mais de uma década de observações realizadas pelo Hubble, os pesquisadores conseguiram identificar quais estrelas realmente pertencem ao aglomerado e reconstruir sua evolução ao longo do tempo.
- Observação em infravermelho para atravessar a poeira interestelar.
- Medição precisa do movimento das estrelas utilizando dados do Hubble.
- Análise da idade e da composição química de cada população estelar.
- Reconstrução da história evolutiva do sistema ao longo de bilhões de anos.
Conhecendo o aglomerado globular Terzan 5 no vídeo do canal Meteored no YouTube:
Quatro gerações de estrelas contam a história da Via Láctea
Os resultados indicam que a população mais antiga de Terzan 5 surgiu há aproximadamente 12,5 bilhões de anos. Outras gerações se formaram cerca de 4,7 bilhões, 3,8 bilhões e 2,5 bilhões de anos atrás, algo extremamente incomum para um objeto classificado como aglomerado globular.
Cada uma dessas populações apresenta uma composição química própria, sugerindo que o sistema conseguiu reter o gás enriquecido por explosões de supernovas, utilizando esse material para originar novas gerações de estrelas ao longo de sua história.
Leia também: Com 2.245 MW no deserto do Thar, Bhadla Solar Park cobre 56 km2 e mostra como o sol virou infraestrutura pesada
Um fóssil da formação da nossa galáxia
Os pesquisadores acreditam que Terzan 5 seja um remanescente de um sistema muito maior, formado durante os primeiros estágios da Via Láctea. Por ter sobrevivido praticamente intacto durante bilhões de anos, o aglomerado preservou informações valiosas sobre a evolução química e estrutural da galáxia.
Essa descoberta demonstra como telescópios de última geração continuam ampliando nosso conhecimento sobre o universo. Cada nova observação ajuda a reconstruir capítulos da história cósmica, permitindo compreender melhor como estrelas, galáxias e elementos químicos evoluíram desde os primórdios do universo.









