Primeira capital do estado e fundada pelos bandeirantes no ciclo do ouro, a Cidade de Goiás, a antiga Vila Boa, guarda um dos centros barrocos mais preservados do país. Em 2001, poucos dias depois de virar Patrimônio da Humanidade, uma enchente quase apagou esse cenário de quase 300 anos.
Por que a UNESCO escolheu esse pedaço do Cerrado?
A Cidade de Goiás guarda mais de 90% de sua arquitetura barroca colonial original. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), seu conjunto foi tombado em 1978 e preserva o caráter primitivo das ruas, praças e casario.
Em dezembro de 2001, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) inscreveu o centro histórico na lista do Patrimônio Mundial. O reconhecimento veio pela forma como os exploradores adaptaram os modelos urbanos europeus ao clima e ao relevo do Brasil central. A cidade é apontada como o último testemunho íntegro de um núcleo urbano bandeirista do início do século XVIII.

A festa que apaga as luzes e enche as ruas de tochas
Toda Semana Santa, a cidade apaga a iluminação pública à meia-noite. Ao som de tambores, quarenta farricocos encapuzados saem descalços pelas ruas de pedra segurando tochas, encenando a perseguição e a prisão de Cristo.
É a Procissão do Fogaréu, realizada desde 1745 e trazida pelo padre espanhol João Perestello de Vasconcelos Spíndola. Segundo a Secretaria de Estado da Cultura, a tradição desapareceu no início do século XX e foi reinventada em 1965 pela Organização Vilaboense de Artes e Tradições. Em 2023, tornou-se Patrimônio Cultural e Imaterial do estado.

Como é viver no ritmo da antiga Vila Boa?
A vida na Cidade de Goiás corre no compasso do interior profundo. As casas coloridas abrem as portas para a rua, os vizinhos se conhecem pelo nome e o comércio do centro se resolve a pé, entre igrejas e becos centenários.
Foi nesse ambiente que a poetisa Cora Coralina encontrou a matéria de sua obra, transformando memórias, doces e tradições em versos conhecidos em todo o país. Quem escolhe morar ali troca a pressa das capitais pelo Cerrado ao redor, pelas festas religiosas e por um cotidiano em que o patrimônio faz parte da rotina, não apenas do cartão-postal.

O que visitar entre igrejas, museus e ruas de pedra?
O centro histórico concentra igrejas, museus e praças num perímetro compacto que se percorre a pé. Boa parte das atrações fica a poucos minutos de caminhada.
- Museu Casa de Cora Coralina: casa do século XVIII às margens do rio, com objetos pessoais, manuscritos e os tachos de cobre da poetisa.
- Museu das Bandeiras: antiga Casa de Câmara e Cadeia, conta a ocupação do interior do Brasil pelos bandeirantes.
- Palácio Conde dos Arcos: antigo palácio dos governadores, do século XVIII, com mobiliário de época.
- Igreja de São Francisco de Paula: templo barroco às margens do rio Vermelho, um dos mais fotografados da cidade.
- Praça do Chafariz: cartão-postal com o Chafariz de Cauda em pedra, cercado pelo casario colonial.
A mesa goiana completa o passeio. Nos quiosques da praça, o sorvete de castanha de baru e os alfenins artesanais traduzem o sabor do Cerrado em cada parada.
Quem sonha em conhecer Goiás, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 88 mil visualizações, onde os apresentadores mostram a história, os doces tradicionais e o legado de Cora Coralina na charmosa Cidade de Goiás:
Como é o clima goiano ao longo do ano?
O clima é tropical semiúmido, típico do Cerrado, com duas estações bem definidas. O verão é quente e chuvoso, e o inverno traz dias secos e noites amenas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Conheça a cidade onde o Brasil colonial continua vivo
A antiga Vila Boa reúne barroco intacto, tradições seculares e a calma rara do interior goiano. Poucos lugares no país conservam um centro histórico tão inteiro depois de tantos séculos e até de uma enchente.
Você precisa subir as ladeiras de pedra da Cidade de Goiás e caminhar entre casarões e igrejas para entender por que este pedaço do Cerrado virou Patrimônio da Humanidade.








