Imaginar um peixe de rio maior que muita gente adulta já parece estranho, mas o recorde atual vai além disso. No rio Mekong, no Camboja, uma raia-gigante de água doce alcançou quase 4 metros e cerca de 300 kg.
Qual é o maior peixe de rio do mundo atualmente?
O recorde pertence a uma raia-gigante de água doce, da espécie Urogymnus polylepis. O animal foi registrado em 13 de junho de 2022, no rio Mekong, durante uma ação ligada ao projeto Wonders of the Mekong.
Segundo o Guinness World Records, a fêmea pesava aproximadamente 300 kg, tinha 3,98 metros de comprimento total, incluindo a cauda, e superou o antigo recorde do bagre-gigante do Mekong, de 293 kg.

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Como uma raia virou recordista entre os peixes de água doce?
A confusão acontece porque muita gente imagina que o maior peixe de rio seria um animal alongado, parecido com um bagre ou um pirarucu. A raia-gigante do Mekong, porém, também é um peixe e vive em água doce, mesmo tendo um corpo achatado e muito diferente dos peixes mais conhecidos.
A captura chamou atenção porque o animal não foi tratado apenas como troféu. A equipe mediu, pesou, marcou e devolveu a raia viva ao Mekong, transformando o registro em uma oportunidade científica para acompanhar uma espécie rara e ameaçada.
Os números ajudam a dimensionar o tamanho do recorde:
- Peso registrado: cerca de 300 kg
- Comprimento total: 3,98 metros, com a cauda incluída
- Largura do disco: cerca de 2,2 metros
- Local: trecho cambojano do rio Mekong
O vídeo abaixo, publicado pelo canal Wonders of the Mekong, que tem 759 inscritos, mostra o momento da soltura da raia gigante. As imagens documentam o trabalho da equipe e a devolução do animal ao rio, um procedimento essencial para a preservação da espécie.
O que aconteceu depois da captura no Mekong?
Após o aviso dos pescadores locais, pesquisadores se deslocaram até o ponto da captura para registrar o animal com cuidado. O trabalho envolveu pesagem, medição e uso de água constante para reduzir o estresse da raia-gigante enquanto ela permanecia fora do rio.
O projeto Wonders of the Mekong informou que a equipe colocou um marcador no animal antes de soltá-lo novamente. Esse tipo de rastreamento ajuda a entender deslocamentos, áreas usadas e o comportamento de uma criatura que passa grande parte da vida no fundo lamacento.
Por que esse peixe gigante vive quase invisível no fundo do rio?
A raia-gigante de água doce é adaptada a ambientes de fundo, onde pode se enterrar parcialmente na lama e se mover de forma discreta. Seu corpo achatado ajuda nessa vida próxima ao leito do rio, longe da superfície que os humanos observam com mais facilidade.
Mesmo com tamanho impressionante, ela não é um animal fácil de encontrar. A espécie vive em sistemas fluviais do sudeste da Ásia, tem hábitos pouco visíveis e aparece para a ciência principalmente quando pescadores avisam sobre capturas acidentais ou encontros raros.
As características principais explicam por que esse animal parece tão incomum:
| Característica | Detalhe | Importância |
|---|---|---|
| Espécie | Urogymnus polylepis | Identifica a raia-gigante de água doce |
| Habitat | Fundo lamacento de grandes rios | Ajuda a explicar seu comportamento discreto |
| Corpo achatado | Disco largo e cauda longa | Facilita a vida próxima ao leito do rio |
| Status | Espécie ameaçada | Reforça a importância da conservação |
E o pirarucu brasileiro entra nessa comparação?
O pirarucu, ou Arapaima gigas, continua sendo um dos gigantes mais conhecidos da Amazônia. Ele não supera a raia do Mekong em peso no recorde atual, mas é frequentemente citado como um dos maiores peixes de água doce do mundo.
A comparação também precisa separar categorias. A raia é o maior peixe de água doce registrado pelo peso, enquanto o pirarucu costuma aparecer como um dos maiores peixes escamosos de água doce, além de ter grande importância ecológica, cultural e econômica no Brasil.
As diferenças ficam mais claras quando os dois gigantes são colocados lado a lado:
- Raia-gigante do Mekong: recorde de cerca de 300 kg e quase 4 metros
- Pirarucu amazônico: grande peixe escamoso de água doce, famoso pelo porte e pela respiração aérea
- Ambiente: a raia vive no fundo lamacento; o pirarucu ocupa lagos, várzeas e rios amazônicos
- Conservação: ambos dependem de manejo, proteção de habitat e controle da pesca

Por que o recorde importa para a conservação?
O registro não chama atenção apenas pelo tamanho do animal. Ele mostra que o Mekong ainda abriga megafauna de água doce em escala rara, mesmo sob pressão de pesca, poluição, barragens e mudanças no uso dos rios.
Ao mesmo tempo, o recorde funciona como alerta. Um peixe de quase 300 kg encontrado vivo não é só uma curiosidade extrema, mas uma prova de que esses gigantes ainda existem e precisam de rios capazes de sustentar sua sobrevivência.









