Ao longo de mais de 4,5 bilhões de anos, a Terra passou por profundas transformações que moldaram a evolução da vida. Diversos eventos de extinção em massa alteraram o rumo da biodiversidade, eliminando espécies e abrindo espaço para o surgimento de outras. Embora o impacto do asteroide que extinguiu os dinossauros seja o caso mais conhecido, uma nova hipótese científica propõe que passagens próximas de grandes objetos celestes podem ter provocado intensas marés gravitacionais, desencadeando mudanças ambientais capazes de contribuir para grandes extinções ao longo dos últimos 600 milhões de anos.
O que são marés gravitacionais e como elas poderiam afetar a Terra?
As marés gravitacionais são deformações provocadas pela força gravitacional exercida por um corpo celeste sobre outro. Atualmente, esse fenômeno é observado diariamente com a influência da Lua sobre os oceanos terrestres. Entretanto, pesquisadores sugerem que um objeto muito mais massivo, passando relativamente próximo da Terra, poderia gerar efeitos muito mais intensos.
Segundo essa hipótese, um corpo com massa semelhante à de um planeta anão poderia produzir enormes ondas de maré, alterar o equilíbrio geológico do planeta e desencadear eventos naturais de grande escala. Diferentemente de uma colisão direta, um simples sobrevoo já seria suficiente para causar perturbações significativas.
Confira como elas funcionam no vídeo do canal Urânia Planetário no YouTube:
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Por que essa hipótese chamou a atenção dos cientistas?
A proposta foi apresentada pelo pesquisador Daniele Fargion, da Universidade de Roma e do Observatório Astronômico de Capodimonte.

De acordo com o pesquisador, esses encontros poderiam provocar diversos fenômenos simultaneamente, entre eles:
- Ondas gigantes causadas por intensas forças gravitacionais.
- Grandes erupções vulcânicas.
- Regressões e alterações no nível dos oceanos.
- Chuvas de meteoros provocadas por perturbações gravitacionais.
- Mudanças climáticas capazes de afetar ecossistemas inteiros.
Esses eventos poderiam atuar em conjunto, criando condições desfavoráveis para inúmeras espécies e contribuindo para episódios de extinção em massa registrados na história geológica.
Essa teoria explica todas as grandes extinções?
Ainda não. Os pesquisadores ressaltam que a hipótese permanece em fase de investigação e não substitui as explicações já aceitas pela comunidade científica. O impacto do asteroide de Chicxulub, por exemplo, continua sendo a principal explicação para a extinção dos dinossauros há cerca de 66 milhões de anos.
No entanto, outras extinções permanecem cercadas de dúvidas. O evento ocorrido no limite entre os períodos Permiano e Triássico, há aproximadamente 251 milhões de anos, eliminou a maior parte das espécies existentes na época, mas sua causa exata ainda não foi determinada. A ausência de evidências conclusivas de um grande impacto faz com que novas hipóteses continuem sendo estudadas.
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O que essa pesquisa sobre marés gravitacionais pode revelar sobre a história da Terra?
Os cientistas acreditam que compreender melhor os mecanismos responsáveis pelas extinções em massa ajuda a reconstruir a evolução do planeta e da vida.

Entre os principais pontos que futuras investigações deverão esclarecer estão:
- A frequência com que esses objetos passaram próximos da Terra.
- Quais efeitos geológicos podem ser diretamente atribuídos às marés gravitacionais.
- Como esses eventos se relacionam com mudanças climáticas antigas.
- Se existe correlação entre essas passagens e os registros fósseis de extinção.
- O papel dessas aproximações na evolução da vida ao longo dos últimos milhões de anos.
Embora a hipótese ainda dependa de novas evidências, ela demonstra que muitos capítulos da história da Terra continuam em aberto. À medida que a astronomia, a geologia e a paleontologia avançam, novas descobertas podem revelar que a evolução da vida foi influenciada por eventos cósmicos muito mais complexos do que se imaginava.









