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Início Ciência

O que aconteceu com as geleiras do Alasca após um aumento de 1°C pode mudar a forma como entendemos o clima

Ellen Raquel Patriota Por Ellen Raquel Patriota
06 julho 2026 12:05
Em Ciência
O que aconteceu com as geleiras do Alasca após um aumento de 1°C pode mudar a forma como entendemos o clima

Elevação de 1°C no verão prolonga o degelo das geleiras no Alasca.

As geleiras do Alasca estão respondendo de forma cada vez mais intensa ao aumento das temperaturas globais. Um novo estudo baseado em imagens de satélite revelou que um aumento de apenas 1°C na temperatura média do verão pode prolongar o período de derretimento das geleiras em aproximadamente três semanas. Os resultados reforçam a preocupação dos cientistas com os impactos das mudanças climáticas sobre o gelo, os recursos hídricos e o nível do mar.

Como os pesquisadores monitoraram as geleiras?

O estudo utilizou imagens obtidas por satélites equipados com radar de abertura sintética (SAR), uma tecnologia capaz de observar a superfície terrestre mesmo durante a noite e sob cobertura de nuvens. Isso permitiu acompanhar as mudanças nas geleiras durante todo o ano com maior precisão.

Ao longo da pesquisa, foram analisadas mais de 3.000 geleiras do Alasca entre 2016 e 2024. O monitoramento permitiu medir o número de dias de derretimento e acompanhar a evolução da linha de neve em praticamente toda a região.

Entre as vantagens da tecnologia estão:

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  • Monitoramento contínuo durante todas as estações do ano.
  • Coleta de dados mesmo com nuvens ou baixa luminosidade.
  • Maior precisão na identificação da linha de neve.
  • Análise simultânea de milhares de geleiras.
geleiras do Alasca
Derretimento das geleiras do Alasca preocupa após novo estudo.

Qual foi o impacto do aumento da temperatura?

Os pesquisadores observaram que pequenas variações na temperatura provocam mudanças significativas no comportamento das geleiras. Cada aumento de 1°C durante o verão estende o período de derretimento em cerca de três semanas, ampliando a perda de gelo ao longo do ano.

Além do prolongamento da temporada de degelo, as ondas de calor também aceleram o desaparecimento da camada de neve que protege o gelo. Em alguns casos, as geleiras perderam até 28% mais cobertura de neve durante períodos excepcionalmente quentes.

Leia também: A quase 11 mil metros de profundidade, a pressão do oceano esmagaria qualquer estrutura rígida, mas um peixe gelatinoso vive exatamente ali

Por que a perda da camada de neve preocupa os cientistas?

A neve funciona como uma proteção natural para as geleiras, refletindo parte da radiação solar e reduzindo o aquecimento da superfície. Quando essa camada desaparece mais cedo, o gelo fica diretamente exposto ao Sol, acelerando ainda mais o processo de derretimento.

Esse fenômeno também desloca a chamada linha de neve para altitudes mais elevadas, reduzindo a área onde ocorre o acúmulo de neve durante o inverno e comprometendo o equilíbrio natural das geleiras.

Os principais efeitos observados incluem:

  • Maior exposição do gelo às altas temperaturas.
  • Perda acelerada da massa das geleiras.
  • Redução da capacidade de recuperação durante o inverno.
  • Alterações no equilíbrio hídrico das regiões glaciais.
geleiras do Alasca
Satélites mostram como o aquecimento acelera o degelo no Alasca.

O que aconteceu durante a onda de calor de 2019?

Os pesquisadores analisaram detalhadamente a intensa onda de calor que atingiu o Alasca entre junho e julho de 2019. Em diversas localidades, as temperaturas ficaram entre 20°F e 30°F acima da média para a época, estabelecendo recordes históricos.

Durante esse período, a linha de neve subiu aproximadamente 107 metros de altitude muito antes do esperado. Como consequência, grandes áreas de gelo permaneceram expostas por mais tempo, aumentando significativamente a perda de massa das geleiras.

geleiras do Alasca
Aumento de 1°C amplia o período de degelo nas geleiras do Alasca.

Leia também: Um objeto de luxo esquecido por 900 anos pode ser a peça mais impressionante da cerâmica asiática

Por que esse estudo é importante?

Os resultados mostram que as geleiras do Alasca respondem rapidamente tanto ao aquecimento gradual quanto a eventos extremos de calor. Essa sensibilidade torna essas formações naturais importantes indicadores das mudanças climáticas em andamento.

Além de contribuir para previsões mais precisas sobre a perda de gelo, o uso de radar por satélite representa um avanço no monitoramento ambiental. Com informações mais detalhadas, pesquisadores e gestores podem compreender melhor os impactos do aquecimento global sobre os recursos hídricos, os ecossistemas e o aumento do nível dos oceanos nas próximas décadas.

Tags: Alascaderretimento das geleirasgeleirastemperaturas globais

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