O interesse por cometa C/2026 A1 (MAPS) que se aproxima muito do Sol voltou a ganhar destaque com a previsão de visibilidade desse objeto extraordinário, e esse cometa rasante Kreutz desperta atenção por poder oferecer um espetáculo raro no céu e ao mesmo tempo muito imprevisível, o que o torna alvo de estudos detalhados e grande curiosidade do público.
O que é o cometa C/2026 A1 (MAPS) e por que ele é importante?
O cometa C/2026 A1 (MAPS) pertence ao grupo dos cometas rasantes, mais precisamente da família Kreutz, conhecidos por passarem a uma distância muito pequena do Sol. Dentro dessa família, ele é classificado no subgrupo Pe, ramificação estreitamente associada ao subgrupo I e relacionada ao fragmento do Grande Cometa de 1106.
Esse tipo de corpo celeste costuma chamar a atenção não apenas de astrônomos profissionais, mas também de observadores casuais do céu, já que em determinadas condições pode ser visto a olho nu. A expressão Kreutz-féle napsúroló üstökös se refere justamente a um cometa rasante ao Sol desse grupo, que compartilha uma mesma origem em um cometa progenitor gigante fragmentado há muitos séculos.

Como ele foi descoberto e o que isso revela?
O C/2026 A1 (MAPS) foi descoberto em 13 de janeiro de 2026 a partir do Observatório AMACS1, no Deserto do Atacama, pelo programa MAPS (Minor Asteroids and Planetoids Survey). A equipe formada pelos astrônomos amadores Alain Maury, Georges Attard, Daniel Parrott e Florian Signoret utilizou um telescópio Schmidt de 0,28 m f/2.2 equipado com câmera CCD.
Graças à técnica de synthetic tracking, que combina múltiplas imagens para detectar objetos muito fracos, o cometa foi identificado quando ainda estava a cerca de 2,056 UA do Sol. Isso o torna o cometa rasante Kreutz mais distante já descoberto, permitindo planejar com antecedência observações em diferentes comprimentos de onda e comparar seu comportamento com outros membros da família Kreutz.
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Quais condições extremas o cometa C/2026 A1 (MAPS) enfrenta ao se aproximar do Sol?
No caso do cometa C/2026 A1 (MAPS), os cálculos indicam que ele deve passar a uma distância de cerca de um décimo do diâmetro solar acima da fotosfera, aproximadamente 160.000 km da superfície do Sol, viajando a cerca de 556 km/s, algo em torno de 0,2 por cento da velocidade da luz. Nessa região, a temperatura pode exceder 2.500 °C, vaporizando não apenas os gelos do núcleo cometário, mas também parte dos materiais rochosos e metálicos.
Essa temperatura extrema coloca em xeque a integridade do cometa, levantando dúvidas sobre sua sobrevivência ao periélio. No vídeo a seguir, o especialista do canal @Astrocity.es analisa se o núcleo de aproximadamente 2,4 km será capaz de suportar esse ‘mergulho’ solar e quais são as reais chances de conseguirmos observá-lo a olho nu a partir de abril.
Quais cenários de brilho e como observar o cometa C/2026 A1 (MAPS) com segurança?
Especialistas que acompanham a trajetória do cometa C/2026 A1 (MAPS) trabalham com dois cenários principais de brilho após a passagem extrema pelo Sol. Antes de apresentar esses cenários, é importante entender que o resultado depende do tamanho real do núcleo, de sua composição e de quanto material será perdido perto da superfície solar.
- Se o núcleo sobreviver, mesmo que parcialmente, o objeto pode desenvolver uma cauda brilhante, visível no céu do entardecer, tornando se um fenômeno apreciável a olho nu em boas condições de observação.
- Se o núcleo for completamente fragmentado por calor intenso e forças de maré, a nuvem de poeira e gás resultante ainda pode formar uma longa cauda difusa, possivelmente detectável no céu crepuscular se a quantidade de material liberado for grande.
A previsão é que o C/2026 A1 (MAPS) atinja o ponto de maior aproximação do Sol em 4 de abril de 2026, em horário da tarde na escala europeia. Para a observação segura por parte do público, a recomendação é sempre aguardar até que o Sol já tenha se posto, pois tentar observar com o Sol acima do horizonte representa risco sério para a visão, especialmente com binóculos ou telescópios sem filtros adequados.
Após o momento de máxima aproximação, estima se uma janela de cerca de dez dias em que as condições para visualização serão mais favoráveis, com o cometa próximo ao horizonte oeste logo após o pôr do sol. Nesse período, observatórios terrestres e sondas solares, como coronógrafos em órbita, seguirão monitorando o objeto e fornecendo atualizações sobre o brilho do cometa, a extensão de sua cauda e possíveis sinais de fragmentação, o que ajudará o público a planejar melhor as tentativas de observação em locais escuros e com horizonte amplo.









