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Início Ciência

O gelo na Antártida tem mais de 2.000 metros de espessura. Não é nada comparado com o que temos aqui

Gessika Cristiny Santos de Oliveira Por Gessika Cristiny Santos de Oliveira
08 abril 2026 19:05
Em Ciência
O gelo na Antártida tem mais de 2.000 metros de espessura. Não é nada comparado com o que temos aqui

Camada de gelo em Europa protege oceano global e possíveis ambientes habitáveis

A espessura do gelo em Europa, uma das principais luas de Júpiter, tem chamado a atenção de pesquisadores que estudam ambientes extremos no Sistema Solar. Enquanto as calotas de gelo da Terra já impressionam com vários quilômetros de profundidade, os dados mais recentes indicam que o gelo de Europa atinge dezenas de quilômetros, transformando a lua em um dos lugares mais promissores para investigações sobre oceanos ocultos e possíveis condições para a existência de vida microscópica.

Quão espessa é a camada de gelo em Europa?

O debate sobre Europa concentra-se na espessura de sua concha de gelo, um dos maiores mistérios das pesquisas espaciais contemporâneas. Dados obtidos via micro-ondas, gravimetria e simulações computacionais indicam que essa crosta possui entre 20 e 40 quilômetros, sendo que trabalhos recentes convergem para uma média de 29 quilômetros.

Para efeito de comparação, isso corresponde a cerca de dez vezes a espessura média da camada de gelo da Antártida. Essa dimensão torna Europa um laboratório natural para entender como o calor interno gerado pela gravidade de Júpiter mantém um oceano global sob uma capa tão espessa e ainda assim ativa, capaz de se deformar e talvez se quebrar em alguns pontos.

O gelo na Antártida tem mais de 2.000 metros de espessura. Não é nada comparado com o que temos aqui
A crosta de gelo de 29 km de Europa protege um oceano global mantido pelo calor da gravidade de Júpiter. / Foto: (Fonte/NASA)

Por que a espessura do gelo em Europa é importante para possíveis formas de vida?

A espessura do gelo em Europa tem relação direta com a possibilidade de um oceano global de água líquida escondido sob a superfície. Para a ciência planetária, a presença de água em estado líquido é um dos principais fatores ao avaliar a chance de ambientes habitáveis em outros mundos, especialmente quando há fonte de calor constante.

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Diversos estudos consideram que uma espessura intermediária, como os cerca de 29 quilômetros estimados, pode favorecer um equilíbrio entre proteção e atividade. Para entender como isso impacta a busca por vida, pesquisadores destacam alguns pontos principais e como eles se conectam ao potencial de habitabilidade:

  • O gelo espesso atua como escudo contra a intensa radiação de Júpiter.
  • Fraturas e convecção podem permitir trocas de calor e compostos químicos.
  • As plumas de vapor de água funcionam como janelas naturais para o oceano.
  • Essas trocas podem transportar sais e moléculas orgânicas para regiões acessíveis.

Leia também: Astrônomos detectam uma enorme estrutura espacial próxima ao sistema solar

Como é a estrutura interna da camada de gelo em Europa?

Essa grande espessura não é composta por um único bloco sólido e uniforme. Modelos sugerem diferentes camadas, com gelo mais rígido nas regiões superiores e gelo possivelmente mais macio, deformável ou até parcialmente derretido em profundidades maiores, onde o aquecimento interno é mais intenso.

A composição também parece incluir não apenas água congelada, mas gelo misturado com sais e minerais, o que altera o ponto de fusão e afeta como o calor interno se distribui. Para compreender melhor essa estrutura, cientistas analisam dados de missões como Galileo e Juno, além de simulações em supercomputadores e estudos em geleiras terrestres que servem como analogia.

O gelo na Antártida tem mais de 2.000 metros de espessura. Não é nada comparado com o que temos aqui
A crosta de Europa possui camadas de gelo e minerais com diferentes densidades e temperaturas. / Foto: (Fonte/NASA)

Como as missões estudam o gelo de Europa e suas plumas?

Duas grandes missões interplanetárias da década de 2020 têm entre suas metas entender melhor a profundidade do gelo em Europa e em outras luas geladas de Júpiter. A missão Europa Clipper, da NASA, deve chegar ao sistema joviano por volta de 2030, enquanto a sonda JUICE, da ESA, deve alcançar a região cerca de um ano depois, permitindo observações complementares.

Entre os principais métodos planejados para estudar a concha de gelo de Europa estão instrumentos que permitem investigar o interior sem perfuração direta. A frase a seguir apresenta esses recursos em detalhes e mostra como cada técnica ajuda a decifrar a estrutura da lua:

  • Radares de penetração no gelo, que enviam ondas para mapear camadas internas.
  • Medidas de gravidade, usadas para inferir a distribuição de massas e a profundidade do oceano.
  • Observações de temperatura, que indicam áreas de gelo mais fino ou mais ativo.
  • Análise de plumas, caso jatos de vapor sejam detectados saindo de fissuras na superfície.

Leia também: Cientistas encontram um gigante de 18 mil anos nas profundezas escuras do Mar do Norte

Será possível atravessar o gelo de Europa um dia?

A possibilidade de atravessar a espessa camada de gelo em Europa e alcançar o oceano subterrâneo já foi discutida em diversos projetos conceituais. Uma das ideias envolve robôs derretedores, sondas em forma de cilindro que avançariam fundindo o gelo à frente e carregando instrumentos científicos capazes de analisar a água diretamente.

Até 2026, não há planos concretos de construção de uma sonda desse tipo para envio a Europa, mas testes em geleiras da Antártida ajudam a desenvolver tecnologias de perfuração em gelo extremo. Com o avanço de missões como Europa Clipper e JUICE, a compreensão da espessura da camada de gelo em Europa e do papel das plumas de vapor de água deve se tornar mais precisa, ajudando a definir se uma exploração direta do oceano será viável em futuras décadas.

Tags: CiênciaEuropaNASA

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