A espessura do gelo em Europa, uma das principais luas de Júpiter, tem chamado a atenção de pesquisadores que estudam ambientes extremos no Sistema Solar. Enquanto as calotas de gelo da Terra já impressionam com vários quilômetros de profundidade, os dados mais recentes indicam que o gelo de Europa atinge dezenas de quilômetros, transformando a lua em um dos lugares mais promissores para investigações sobre oceanos ocultos e possíveis condições para a existência de vida microscópica.
Quão espessa é a camada de gelo em Europa?
O debate sobre Europa concentra-se na espessura de sua concha de gelo, um dos maiores mistérios das pesquisas espaciais contemporâneas. Dados obtidos via micro-ondas, gravimetria e simulações computacionais indicam que essa crosta possui entre 20 e 40 quilômetros, sendo que trabalhos recentes convergem para uma média de 29 quilômetros.
Para efeito de comparação, isso corresponde a cerca de dez vezes a espessura média da camada de gelo da Antártida. Essa dimensão torna Europa um laboratório natural para entender como o calor interno gerado pela gravidade de Júpiter mantém um oceano global sob uma capa tão espessa e ainda assim ativa, capaz de se deformar e talvez se quebrar em alguns pontos.

Por que a espessura do gelo em Europa é importante para possíveis formas de vida?
A espessura do gelo em Europa tem relação direta com a possibilidade de um oceano global de água líquida escondido sob a superfície. Para a ciência planetária, a presença de água em estado líquido é um dos principais fatores ao avaliar a chance de ambientes habitáveis em outros mundos, especialmente quando há fonte de calor constante.
Diversos estudos consideram que uma espessura intermediária, como os cerca de 29 quilômetros estimados, pode favorecer um equilíbrio entre proteção e atividade. Para entender como isso impacta a busca por vida, pesquisadores destacam alguns pontos principais e como eles se conectam ao potencial de habitabilidade:
- O gelo espesso atua como escudo contra a intensa radiação de Júpiter.
- Fraturas e convecção podem permitir trocas de calor e compostos químicos.
- As plumas de vapor de água funcionam como janelas naturais para o oceano.
- Essas trocas podem transportar sais e moléculas orgânicas para regiões acessíveis.
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Como é a estrutura interna da camada de gelo em Europa?
Essa grande espessura não é composta por um único bloco sólido e uniforme. Modelos sugerem diferentes camadas, com gelo mais rígido nas regiões superiores e gelo possivelmente mais macio, deformável ou até parcialmente derretido em profundidades maiores, onde o aquecimento interno é mais intenso.
A composição também parece incluir não apenas água congelada, mas gelo misturado com sais e minerais, o que altera o ponto de fusão e afeta como o calor interno se distribui. Para compreender melhor essa estrutura, cientistas analisam dados de missões como Galileo e Juno, além de simulações em supercomputadores e estudos em geleiras terrestres que servem como analogia.

Como as missões estudam o gelo de Europa e suas plumas?
Duas grandes missões interplanetárias da década de 2020 têm entre suas metas entender melhor a profundidade do gelo em Europa e em outras luas geladas de Júpiter. A missão Europa Clipper, da NASA, deve chegar ao sistema joviano por volta de 2030, enquanto a sonda JUICE, da ESA, deve alcançar a região cerca de um ano depois, permitindo observações complementares.
Entre os principais métodos planejados para estudar a concha de gelo de Europa estão instrumentos que permitem investigar o interior sem perfuração direta. A frase a seguir apresenta esses recursos em detalhes e mostra como cada técnica ajuda a decifrar a estrutura da lua:
- Radares de penetração no gelo, que enviam ondas para mapear camadas internas.
- Medidas de gravidade, usadas para inferir a distribuição de massas e a profundidade do oceano.
- Observações de temperatura, que indicam áreas de gelo mais fino ou mais ativo.
- Análise de plumas, caso jatos de vapor sejam detectados saindo de fissuras na superfície.
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Será possível atravessar o gelo de Europa um dia?
A possibilidade de atravessar a espessa camada de gelo em Europa e alcançar o oceano subterrâneo já foi discutida em diversos projetos conceituais. Uma das ideias envolve robôs derretedores, sondas em forma de cilindro que avançariam fundindo o gelo à frente e carregando instrumentos científicos capazes de analisar a água diretamente.
Até 2026, não há planos concretos de construção de uma sonda desse tipo para envio a Europa, mas testes em geleiras da Antártida ajudam a desenvolver tecnologias de perfuração em gelo extremo. Com o avanço de missões como Europa Clipper e JUICE, a compreensão da espessura da camada de gelo em Europa e do papel das plumas de vapor de água deve se tornar mais precisa, ajudando a definir se uma exploração direta do oceano será viável em futuras décadas.









