O som dos sinos ecoa nas ladeiras de pedra e o casario barroco resiste há mais de três séculos. São João del-Rei, no Campo das Vertentes mineiro, é a maior cidade setecentista de Minas Gerais, reúne cerca de 700 imóveis tombados pelo IPHAN e foi escolhida Capital Brasileira da Cultura em 2007.
Por que São João del-Rei é chamada de cidade onde os sinos falam?
O apelido nasceu do uso ritualístico dos sinos das igrejas. Desde o período colonial, cada toque tem um significado próprio, anunciando missas, procissões, casamentos, batizados e até o falecimento de um morador, com sons distintos para indicar se a pessoa era homem ou mulher. O hábito é comum em outras cidades mineiras, mas em São João del-Rei alcançou tamanha sofisticação que o ofício dos sineiros foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônio imaterial do Brasil, registrado no Livro das Formas de Expressão em 2009.
A cidade nasceu em 1704, quando bandeirantes paulistas se instalaram nas encostas da Serra do Lenheiro em busca de ouro. Em 1713, o povoado foi elevado a vila e batizado em homenagem ao rei Dom João V, de Portugal. A Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, primeira igreja erguida no local, foi finalizada em 1721 e segue como um dos templos mais imponentes do barroco mineiro. São João del-Rei é também a cidade natal de Tancredo Neves, o presidente eleito que morreu antes de tomar posse.

Vale a pena viver na maior cidade setecentista de Minas?
Sim, para quem busca o ritmo de uma cidade do interior com infraestrutura completa e identidade cultural única. São João del-Rei tem cerca de 90 mil habitantes e combina o charme do casario colonial com universidade federal, comércio variado, hospitais regionais e custo de vida mais acessível do que o de capitais como Belo Horizonte.
A presença da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) dá energia jovem ao centro histórico, com cafés, livrarias e eventos acadêmicos o ano inteiro. A cidade integra o circuito turístico mais cobiçado de Minas, ao lado de Tiradentes, o que sustenta empregos no setor de serviços e mantém o comércio local aquecido mesmo em períodos de baixa.
O patrimônio é o pilar mais forte. O conjunto arquitetônico foi tombado em 1938, em um dos primeiros atos do então recém-criado IPHAN, e o Plano Diretor municipal estabelece a preservação do patrimônio como diretriz central da política urbana, conforme prevê a Prefeitura de São João del-Rei. Quem mora ali tem rotina de cidade pequena, sem o trânsito das metrópoles, mas com aeroporto regional e ligação rodoviária direta com a capital mineira.

Reconhecimento nacional e internacional da cidade barroca
São João del-Rei foi escolhida Capital Brasileira da Cultura em 2007, conforme registra o IPHAN. O conjunto arquitetônico e urbanístico do município foi tombado em 1938 e reúne cerca de 700 imóveis preservados, incluindo igrejas, capelas, pontes, chafariz e os Passos da Paixão.
Em 2025, a cidade foi novamente colocada no centro do mapa do barroco brasileiro. A Catedral Basílica do Pilar entrou na lista das 31 igrejas barrocas históricas restauradas pelo IPHAN em nove cidades mineiras, com investimento de mais de R$ 108 milhões via Novo Programa de Aceleração do Crescimento. O projeto reforça o reconhecimento de São João del-Rei como guardiã de um dos mais expressivos acervos de arte sacra do país, ao lado de Ouro Preto, Mariana e Diamantina.
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O que fazer na terra dos sinos e do barroco mineiro?
O centro histórico pode ser percorrido a pé, com igrejas, museus e pontes coloniais a poucos metros uns dos outros. Conheça as principais atrações:
- Igreja de São Francisco de Assis: templo iniciado em 1774 com projeto atribuído a Aleijadinho, considerado uma das obras-primas do rococó mineiro, abriga o túmulo de Tancredo Neves no cemitério ao lado.
- Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar: concluída em 1721, é a igreja mais antiga da cidade e tem altares revestidos em ouro, com sinos históricos ligados às irmandades.
- Passeio de Maria Fumaça: trem a vapor que liga São João del-Rei a Tiradentes em 12 km de ferrovia centenária, operada pela Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM), uma das poucas no mundo a manter trilhos de bitola de 76 cm em uso turístico.
- Memorial Tancredo Neves: instalado no Solar dos Neves, casarão da família do ex-presidente, conta a trajetória política do são-joanense mais ilustre.
- Museu Ferroviário: na Estação Ferroviária, reúne locomotivas, vagões antigos e fotos da história da ferrovia mais mineira do Brasil.
- Ponte da Cadeia: ponte de pedra do século XVIII sobre o Córrego do Lenheiro, um dos cartões-postais mais fotografados do centro histórico.
- Igreja Nossa Senhora do Carmo: outro exemplar do barroco mineiro, com altar e talha douradas que impressionam pela riqueza dos detalhes.
A culinária da cidade segue a melhor tradição mineira, com pratos fartos e doces caseiros. Veja o que experimentar:
- Feijão tropeiro: prato emblemático de Minas, com feijão, farinha, torresmo, linguiça, ovos e couve, servido em quase todos os restaurantes típicos do centro.
- Tutu de feijão: feijão batido com farinha de mandioca, acompanhado de couve, torresmo e arroz branco.
- Frango ao molho pardo: receita tradicional preparada com sangue do animal, servida com angu cremoso.
- Galinha caipira com quiabo: prato sazonal das mesas mineiras, costuma vir acompanhado de angu e farofa.
- Doces caseiros com queijo Minas: doce de leite, goiabada, doce de abóbora e mamão, sempre servidos com o tradicional queijo branco.
- Pão de queijo: símbolo gastronômico de Minas, presente em padarias, cafés e botecos da cidade.
Quem planeja explorar o charme histórico de Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Na Mala, que conta com mais de 90 mil visualizações, onde é apresentado um roteiro essencial de 1 dia pelas ruas coloniais de São João del-Rei:
Qual a melhor época para visitar a cidade do barroco?
São João del-Rei tem clima tropical de altitude, com invernos secos e amenos e verões chuvosos. Veja o que esperar de cada estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade dos sinos no interior mineiro
São João del-Rei fica a cerca de 185 km de Belo Horizonte e a aproximadamente 320 km do Rio de Janeiro. O acesso principal pela capital mineira é feito pela BR-040 e BR-265, com trajeto de carro de pouco mais de três horas. Pelo Rio, o caminho é a Via Dutra até Barbacena, seguindo pela BR-265.
A cidade conta com aeroporto regional e linhas regulares de ônibus interestaduais ligando-a a Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais do Sudeste. Para quem combina o roteiro com Tiradentes, o passeio de Maria Fumaça entre as duas cidades é uma das experiências mais procuradas do circuito histórico mineiro.
Conheça a cidade que guarda a maior coleção barroca de Minas
São João del-Rei reúne o que poucas cidades brasileiras conseguem entregar: barroco mineiro intacto, ferrovia centenária ainda em operação e tradições religiosas vivas há mais de 300 anos. A cidade carrega o título de Capital Brasileira da Cultura e mantém o conjunto arquitetônico mais completo do interior mineiro.
Você precisa caminhar pelas ladeiras do centro histórico, ouvir os sinos da Catedral do Pilar e embarcar na Maria Fumaça até Tiradentes para entender por que a maior cidade setecentista de Minas é parada obrigatória para quem ama história e arte sacra.








