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Início Animais de Estimação

O tubarão que pode viver 400 anos, cresce 1 centímetro por ano e intriga cientistas contra o câncer

Laila Por Laila
10 maio 2026 17:15
Em Animais de Estimação
Tubarão-da-Groenlândia nada nas águas geladas como símbolo de vida longa

Tubarão-da-Groenlândia nada nas águas geladas como símbolo de vida longa

É difícil imaginar um tubarão vivo desde uma época em que o Brasil ainda era colônia portuguesa. O tubarão-da-Groenlândia pode atravessar cerca de quatro séculos nas águas geladas do Ártico, crescendo quase nada por ano e chamando a atenção da ciência por sua resistência ao envelhecimento.

Qual é o estudo que revelou a impressionante longevidade desse tubarão?

A descoberta foi consolidada por uma pesquisa internacional liderada pelo biólogo marinho Julius Nielsen, da Universidade de Copenhague, publicada em agosto de 2016 na revista Science. O estudo analisou 28 fêmeas de tubarão-da-Groenlândia capturadas acidentalmente por pescadores nas águas do Oceano Ártico.

Para determinar a idade dos animais, os cientistas usaram a datação por radiocarbono nas lentes oculares, tecido que se forma antes do nascimento e não se regenera ao longo da vida. Os resultados foram surpreendentes: o maior espécime, com 502 cm de comprimento, teria aproximadamente 392 ± 120 anos na época do estudo, o que significa que nasceu por volta de 1624, com margem de erro que pode colocá-lo entre 272 e 512 anos de idade.

Tubarão-da-Groenlândia avança lentamente no fundo frio do oceano Ártico

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Por que esse tubarão consegue viver quatro séculos?

A longevidade extrema do tubarão-da-Groenlândia resulta de uma combinação de fatores biológicos e ambientais que poucos animais reúnem ao mesmo tempo. Os principais são:

  • Crescimento de apenas 1 cm por ano: um dos ritmos mais lentos já registrados entre vertebrados
  • Maturidade sexual muito tardia: o estudo aponta que atingem a fase adulta em torno dos 156 ± 22 anos
  • Metabolismo adaptado ao frio extremo: habitam águas que chegam a -2 °C, com profundidades que podem superar 2.000 metros
  • Mecanismos genéticos de reparo do DNA: pesquisas recentes sugerem que possuem múltiplas cópias de genes responsáveis pela reparação celular

O canal Ciência News, com mais de 118 mil inscritos, explora em profundidade a datação por radiocarbono, o crescimento de 1 cm por ano, o genoma duas vezes maior que o humano e os genes de reparo do DNA do tubarão-da-Groenlândia com base no estudo da Science de 2016:

O que o genoma desse tubarão revela sobre resistência ao câncer?

Mapeamentos genéticos recentes revelaram que o genoma do tubarão-da-Groenlândia é o dobro da dimensão do genoma humano, com mais de 70% composto por genes saltadores, segmentos móveis que podem alterar a forma como os genes se expressam e evoluem.

Dois achados se destacam especialmente. O primeiro é a presença de múltiplas cópias de genes de reparo celular, tornando suas células mais resistentes a mutações que causam câncer. O segundo é uma versão modificada do gene TP53, essencial para a supressão de tumores, que pode explicar por que esses tubarões desenvolvem raramente a doença. Se esses mecanismos pudessem ser compreendidos e adaptados, poderiam abrir caminhos para novas abordagens em medicina regenerativa e oncologia.

Como os cientistas calculam a idade de um animal que vive séculos?

Calcular a idade de espécies extremamente longevas não é tarefa simples. O tubarão-da-Groenlândia é cartilaginoso, inviabilizando a datação óssea convencional. A solução foi analisar as lentes oculares, tecido formado antes do nascimento que permanece inalterado por toda a vida. Por meio da datação por radiocarbono, os cientistas estimam quando esse tecido foi formado e calculam a idade aproximada do espécime.

A tabela abaixo resume os principais dados do estudo que confirmou o tubarão-da-Groenlândia como o vertebrado mais longevo já registrado:

CaracterísticaDado registrado
Espécimes analisados28 fêmeas capturadas acidentalmente
Comprimento do maior espécime502 cm
Idade estimada do maior espécime392 ± 120 anos (estudo de 2016)
Expectativa de vida mínima estimadaAo menos 272 anos
Maturidade sexualAo menos 156 ± 22 anos

Por que estudar esse animal pode ajudar a entender o envelhecimento humano?

O tubarão-da-Groenlândia vive séculos com deterioração biológica muito lenta. Seu metabolismo reduzido, adaptado às geladas águas do Ártico, pode estar diretamente ligado à menor acumulação de danos celulares ao longo do tempo. Essa combinação o torna um modelo natural valioso para a biologia moderna.

Compreender como um tubarão consegue atravessar quatro séculos quase intacto pode oferecer, no futuro, pistas concretas para desenvolver estratégias contra doenças associadas à idade. A ciência ainda está nos primeiros capítulos dessa história, mas o animal que nasceu enquanto o Brasil era colônia portuguesa já deixou claro que tem muito a ensinar.

Tags: BiologiaNaturezavida animal

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