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Início Ciência

O vulcão silencioso há mais de 700 mil anos que subiu 9 centímetros e passou a exigir atenção dos cientistas

Laila Por Laila
09 junho 2026 06:55
Em Ciência
Vulcão Taftan aparece com fumarolas leves no deserto do Irã

Vulcão Taftan aparece com fumarolas leves no deserto do Irã

Um vulcão sem erupção histórica pode parecer apenas uma montanha imóvel, até que o solo começa a mudar. O Taftan, com 3.940 metros de altitude, subiu 9 centímetros em poucos meses e passou a exigir monitoramento mais próximo.

O que fez o vulcão Taftan chamar atenção agora?

O vulcão Taftan chamou atenção porque uma área próxima ao cume subiu cerca de 9 centímetros entre julho de 2023 e maio de 2024. A deformação foi detectada por satélites e aponta aumento de pressão em uma região rasa abaixo da superfície.

Segundo a Live Science, o soerguimento não recuou depois do período observado. Esse detalhe importa porque sugere que a pressão acumulada ainda não foi dissipada pelo sistema vulcânico.

Corte técnico mostra gases rasos pressionando o cume do Taftan

Leia também: O campo magnético da Terra se moveu mais de 2.250 km e agora obriga sistemas de navegação a recalcular rotas no mundo inteiro

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Como satélites detectaram o movimento no vulcão Taftan?

Os pesquisadores usaram InSAR, uma técnica de radar que compara imagens de satélite tiradas em datas diferentes para medir deformações no solo. No caso do Taftan, o método foi decisivo porque a montanha não conta com uma rede permanente de instrumentos em campo.

O estudo publicado na Geophysical Research Letters usou dados dos satélites Sentinel-1, capazes de operar de dia e de noite. A tecnologia também observa o terreno mesmo sob nuvens, o que favorece o monitoramento de áreas remotas.

O radar orbital permite acompanhar sinais pequenos demais para serem percebidos visualmente:

  • Pequenas elevações do terreno, medidas em centímetros ao longo de meses.
  • Deformações próximas ao cume, que podem indicar pressão subterrânea.
  • Mudanças sem terremotos associados, úteis para separar causas internas e externas.
  • Persistência do soerguimento, sinal de que a pressão pode continuar retida.
Radar de satélite revela soerguimento no cume do Taftan

Qual é a pressão escondida sob o Taftan?

A modelagem feita pela equipe apontou uma fonte de pressão entre cerca de 490 e 630 metros abaixo da superfície. Essa profundidade é considerada rasa para um sistema vulcânico e sugere a atuação de gases dentro de um sistema hidrotermal.

Em termos simples, esse sistema funciona como uma rede subterrânea onde água quente, vapor e gases circulam por fraturas da rocha. Quando esses fluidos encontram dificuldade para escapar, a pressão aumenta e pode deformar o terreno acima.

O vulcão Taftan recebeu magma novo?

O soerguimento não indica, por si só, que magma esteja chegando diretamente à superfície. O reservatório magmático mais profundo do Taftan fica a mais de 3,2 quilômetros abaixo da estrutura, enquanto o sinal detectado veio de uma região muito mais rasa.

Por isso, a interpretação mais provável envolve gases acumulados acima da câmara magmática, dentro do sistema hidrotermal. Ainda assim, esse tipo de pressão precisa ser acompanhado porque pode alterar fumarolas, fraturas e emissões no cume.

Esse tipo de leitura exige separar alerta científico de sensacionalismo. Em vídeo publicado em 5 de março de 2026, com 10.609 visualizações, o Professor Leandro Ribeiro, que reúne 261 mil inscritos, analisa terremotos, recarga magmática e erupções recentes, mostrando como cada sinal geológico precisa ser interpretado dentro do seu contexto:

Por que o vulcão parecia silencioso por tanto tempo?

O Taftan é um estratovulcão de 3.940 metros, formado por camadas sucessivas de lava, cinza e outros materiais vulcânicos. A última grande erupção conhecida ocorreu há cerca de 710 mil anos, durante o Pleistoceno.

Mesmo sem erupção registrada na história humana, ele não é completamente inativo do ponto de vista geológico. As fumarolas no cume continuam emitindo gases, sinal de que calor e fluidos ainda circulam no interior da montanha.

Os elementos que mudaram a leitura sobre esse sistema aparecem em conjunto:

  • Soerguimento recente de 9 centímetros, detectado por radar espacial.
  • Fumarolas ativas, que mostram circulação de gases no cume.
  • Pressão rasa entre 490 e 630 metros, compatível com atividade hidrotermal.
  • Ausência de monitoramento local contínuo, aumentando a importância dos satélites.
  • Localização próxima a áreas habitadas, como a cidade de Khash.

Quais riscos o Taftan pode representar para a região?

Os riscos mais imediatos não estão ligados a grandes fluxos de lava. O cenário que mais preocupa em curto prazo envolve explosões freáticas, que ocorrem quando água e fluidos quentes vaporizam rapidamente perto da superfície.

Também há preocupação com emissões de gases, especialmente em áreas próximas ao cume e em regiões afetadas pelo vento. A cidade de Khash, localizada a cerca de 50 quilômetros, fica perto o bastante para sentir odor de enxofre em determinadas condições.

Pablo J. González, pesquisador do IPNA-CSIC e autor sênior do estudo, afirmou que o sistema terá de liberar essa pressão de alguma forma no futuro, seja de maneira violenta ou mais silenciosa. A mensagem central não é pânico, mas necessidade de recursos para monitoramento.

Como o vulcão deve ser monitorado daqui para frente?

Os pesquisadores recomendam instalar equipamentos para medir dióxido de enxofre, dióxido de carbono e vapor d’água nos flancos do Taftan. Esses dados ajudariam a entender se a pressão está diminuindo, aumentando ou migrando para outras partes do sistema.

Outra medida importante seria criar uma rede básica de sismômetros e receptores GPS. Enquanto isso não acontece, os satélites Sentinel-1 continuam sendo a principal ferramenta para detectar deformações pequenas e orientar eventuais checagens de campo.

O que o sinal no Taftan muda na leitura dos cientistas?

O caso do Taftan mostra que uma montanha sem erupção histórica não deve ser ignorada apenas por parecer silenciosa. A deformação de 9 centímetros revelou um sistema interno ativo, capaz de acumular pressão mesmo após centenas de milhares de anos.

A principal mudança está na vigilância. Em regiões remotas, o risco pode aparecer primeiro como um detalhe medido do espaço, e não como uma cena visível no solo, por isso o monitoramento contínuo se torna parte essencial da leitura geológica.

Tags: CiênciageologiaVulcão

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