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Política

A conversa amistosa e sigilosa entre Lula e Maduro

O presidente brasileiro manifestou preocupação com as incursões dos EUA no Caribe e ofereceu apoio ao ditador venezuelano, diz jornal

Lula durante reunião bilateral com o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, em Kingstown, São Vicente e Granadinas (1/3/2024) | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Lula durante reunião bilateral com o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, em Kingstown, São Vicente e Granadinas — 1º/3/2024 | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, conversaram por telefone reservadamente na semana passada. O venezuelano ouviu do petista uma manifestação de apoio contra eventual ação dos Estados Unidos no país latino-americano. A informação é da coluna de Janaina Figueiredo, de O Globo.

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Fontes relataram à jornalista que o tom da conversa foi amistoso e que Lula manifestou preocupação com o “assédio militar norte-americano no Caribe e reiterou sua disposição para ajudar”.

O telefonema, na terça-feira 2, foi o primeiro neste ano. Os ultimatos de Trump para que o ditador renuncie e deixe o país não foram mencionados por Maduro nem Lula.

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A motivação para esse telefonema não foi esclarecida, mas fontes revelam que, para o Brasil, manter uma linha de comunicação era estratégico diante das conversas entre Maduro e Trump, abrindo espaço para um possível papel de mediação.

A recente visita do empresário brasileiro Joesley Batista a Caracas também foi considerada relevante no momento de retomar o contato. Apesar disso, autoridades brasileiras negaram qualquer envolvimento do governo na agenda de Batista com o ditador venezuelano, mas reconheceram que o encontro influenciou as avaliações sobre o momento adequado para reaproximação.

Maduro raramente deixa a Venezuela, temendo possíveis detenções no exterior diante do aumento das denúncias internacionais. Agências da ONU reconhecem violação de direitos humanos do ditador, ao perseguir adversários políticos e reprimir protestos contra o regime.

Outros países, como Turquia, também tentam intermediar um entendimento entre EUA e Venezuela. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, entrou em contato com Maduro no fim de semana anterior, e os governos confirmaram oficialmente a troca de análises sobre o cenário militar dos EUA no Caribe.

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No Brasil, o contato recente com Maduro não foi divulgado oficialmente. Lula tem se posicionado contra a pressão militar norte-americana, inclusive em discurso na última Assembleia-Geral da ONU. Na conversa, Maduro negou a Lula a acusação dos EUA de que é líder de um cartel e afirmou que é “absurda” a ideia de que drogas consumidas em território norte-americano partem da Venezuela.

A aliança entre Lula e Maduro

Lula e Maduro sempre foram aliados. O petista recebeu o ditador no Brasil em 2023, com honras de chefe de Estado. O relacionamento teve um abalo em 2024, depois da denúncias, comprovadas por órgãos independentes, de que o ditador fraudou as eleições de julho daquele ano.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, no Palácio do Planalto | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo brasileiro optou por não reconhecer os resultados eleitorais do Conselho Nacional Eleitoral do regime e, meses depois, não apoiou a entrada da Venezuela no Brics, proposta por Rússia e China durante a cúpula em Kazan.

O impasse também levou à suspensão da negociação da dívida da Venezuela com o Brasil. A ditadura deve cerca de US$ 1 bilhão, emprestados por governos petistas ao regime venezuelano.

1 comentário
  1. ELIAS
    ELIAS

    Numa eventual incursão militar norte-americana na Venezuela, o Brasil oferece apoio a Maduro.
    Só se for apoio moral (ou seria melhor dizer amoral?) porque as FA brasileiras estão, pelo que diz o noticiário, sem grana para o rancho, que dirá para munição.

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