A CPI da Covid não investiga nada

A comissão existe unicamente para a mídia e a oposição conduzirem, há três meses, um show contra o governo
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Omar Aziz, sentado, ao lado de Renan Calheiros, ao centro, e Randolfe Rodrigues, à esquerda.
Omar Aziz, sentado, ao lado de Renan Calheiros, ao centro, e Randolfe Rodrigues, à esquerda. | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

(J. R. Guzzo, publicado no jornal Gazeta do Povo em 29 de julho de 2021)

Se o Brasil tivesse instituições que valessem uma nota de R$ 2 e políticos com a qualidade profissional de um flanelinha, não teria acontecido uma aberração tão miserável como essa CPI da Covid. Tendo acontecido, não poderia ter nomeado um presidente investigado por corrupção alguns anos atrás pela Polícia Federal — sua própria mulher e três irmãos foram para a cadeia sob a acusação de meterem a mão em verbas da saúde. Também não teria um relator como esse que está aí, com nove processos penais no lombo e a fama pública de ser um dos políticos mais enrolados do Brasil diante das leis criminais. Não poderia, igualmente, ter como vice-presidente um indivíduo que não entendeu até agora o que é uma investigação parlamentar séria, já deu provas repetidas de histeria e trata como criminosos e inimigos da pátria todos os depoentes que fazem parte da sua listinha negra pessoal.

A CPI do Senado não investiga nada — existe unicamente para a mídia e a oposição conduzirem, há três meses, um show contra o governo. Centenas de depoimentos, diligências, perícias e tudo o mais foram se amontoando uns sobre os outros sem deixar claro, com um mínimo de competência no trabalho investigatório, o que houve realmente de errado, quem errou, quando, onde, no que e como. Não há um único inquérito penal que possa levar à condenação de alguém, mesmo porque não há nenhuma prova decente a respeito de nada ou de alguém até agora. Milhões de reais de dinheiro público são queimados em troca de literalmente coisa nenhuma.

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O vice-presidente da CPI, que desde o começo do espetáculo quis disputar a boca de cena com os outros dois, parece ter encontrado de algum tempo para cá o papel que mais lhe satisfaz; talvez, sem saber, esteja tendo a grande oportunidade de colocar para fora, à vista de todos, o que realmente sempre quis ser e até agora esteve escondido nas dobras da sua estrutura psicológica. Está se revelando, talvez mais que os outros, um policialzinho frustrado e subitamente portador de uma farda — desses que sempre sonhou com um revólver na cinta e uma carteirinha escrita “Polícia”, para intimidar as pessoas e se comportar como o pequeno ditador de quarteirão que tanta gente conhece e lamenta.

Nada deixa o senador mais feliz do que chamar os jornalistas para ameaçar alguém de prisão, ou para contar que mandou a polícia prender alguém — neste último caso, um empresário que ele acusou de “evadir-se”, para não comparecer a um interrogatório na delegacia de polícia que está armada no Senado Federal. É o seu jeito de ser “autoridade” — por meio da repressão, como sonha boa parte da esquerda neste país. É o seu jeito de aparecer no noticiário. É um retrato acabado desta CPI.

Leia também: “Foi tudo para o diabo”, artigo de J. R. Guzzo publicado em Oeste

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4 comentários

  1. Realmente está patente, à vista, o que ele realmente sempre quis ser e até agora esteve escondido nas dobras da sua estrutura psicológica.

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