“A hora dele vai chegar”

Indicativos dados pelo presidente Jair Bolsonaro e seus principais conselheiros é que a demissão do ministro da Saúde está próxima
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Mandeta já recebeu R$ 16 milhões para frear o vírus | Foto: Marcello Casal Jr - Agência Brasil
Mandeta já recebeu R$ 16 milhões para frear o vírus | Foto: Marcello Casal Jr - Agência Brasil

Sinais emitidos pelo presidente e por alguns dos seus principais conselheiros indicam que a demissão do ministro da Saúde é questão de tempo

Mandetta é tido como homem fora do governo | Foto: Marcos Corrêa/PR
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Diversos indicativos dados neste domingo, 5, apontam que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, está próximo de deixar o governo Jair Bolsonaro. O próprio presidente deu a senha em conversas com apoiadores, no final da tarde, ao criticar integrantes do governo que “viraram estrelas”. “Vai chegar a hora deles”, disse o presidente.

Sem citar nominalmente Mandetta, o presidente declarou que não tem receio de “usar a caneta”, indicando que pode exonerar integrantes do seu staff a qualquer momento. “Algumas pessoas no meu governo, algo subiu à cabeça deles. Estão se achando. Eram pessoas normais, mas de repente viraram estrelas. Falam pelos cotovelos. Fazem provocações. Mas a hora deles não chegou ainda não. Vai chegar a hora deles”, disse o presidente, que prosseguiu. “A minha caneta funciona. Não tenho medo de usar a caneta, nem pavor. E ela vai ser usada para o bem do Brasil, não é para o meu bem. Nada pessoal meu. A gente vai vencer essa”.

As declarações foram dadas a líderes evangélicos e apoiadores na porta do Palácio da Alvorada. Já na manhã deste domingo, nomes importantes no governo iniciaram uma campanha aberta contra o ministro Mandetta. O escritor Olavo de Carvalho postou em seu Facebook a expressão “Fora Punhetta” [sic]. Olavo exerce forte influência sobre o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Olavo também foi decisivo para as demissões de três ministros: Ricardo Vélez (Educação), Santos Cruz (Secretaria de Governo) e Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência da República).

Mensagem de Olavo de Carvalho pede exoneração de Mandetta | Foto: Divulgação

Outro nome influente no governo, a tesoureira do Aliança pelo Brasil, advogada e conselheira de Bolsonaro, Karina Kufa também afirmou: “Orientação unânime que ouvi dos maiores especialistas: o uso da hidroxicloroquina e azitromicina nos primeiros dias é essencial. Também repudiaram usar placebo no combate ao coronavírus por ser antiético e desumano. Você consultaria um ortopedista se estivesse contaminado?”, disse. A mensagem é uma referência direta a Mandetta, ortopedista por formação.

A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), outro nome forte do governo, também fez referências ao ministro. Logo de manhã, ela retuitou mensagem do conferencista Stephen Kanitz, na qual ele defendeu. “Alguém tem o estudo científico com grupo controle que nosso ministro usou para colocar todos em quarentena? Então, por que toda essa celeuma com um remédio já testado que reduz efeitos danosos do vírus?”.

Presidente já deu vários indicativos sobre postura de seu ministro | Foto: Presidência da República

Nos bastidores, Bolsonaro já deixou claro que não gosta da forma como Mandetta conduz a crise do coronavírus. Ele é visto como excessivamente conservador nas medidas de restrições sanitárias e de prescrição de medicamentos. O ministro é a favor do isolamento horizontal; Bolsonaro, a favor do isolamento vertical. O presidente quer popularizar o uso da cloroquina; Mandetta ainda resiste, alegando a falta de testes conclusivos sobre sua eficácia e efeitos colaterais.

Interlocutores do governo destacaram a Oeste que as mobilizações de apoiadores e a fala de Bolsonaro têm dois objetivos: pressionar Mandetta a pedir demissão ou fazê-lo ter um discurso mais alinhado ao do presidente, tendo a prescrição da cloroquina como política do Ministério da Saúde. O problema, porém, é que Mandetta já deixou claro que não pretende recomendar o uso da cloroquina no curto prazo, nem pedir exoneração.

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20 comentários

    1. E justamente de medicina que estamos falando. O Mandetta é ortopedista e o dr. Paolo Zanotto, que é infectologista , da USP, defende o uso da cloroq + azitromicina e o Mandetta, não.

      1. Isso é que dar nomear um político do DEM , para um ministério tão importante. Além de se ajoelhar a Globolixo e a Botafogo.

      2. B17 pesquisa e consulta diversos profissionais da área médica antes de sair por ai falando à toa. Mandetta sentiu poder e perdeu o respeito pela hierarquia. Não precisamos de um ditador nessas horas e sim de um profissional de bom senso.

  1. Mandetta se tornou refém dos epidemiologistas e demais técnicos do Ministério da Saúde. Nem sempre a boa Ciência se revela entre tais técnicos, mas a que for mais alinhada com práticas européias.
    Está na hora de se permitir o empirismo, caso contrário perdermos a oportunidade de vencermos essa guerra.

  2. O Ministro Mandetta, convenhamos, tem seus méritos nessa luta contra o coronavírus. No entanto, a relutância dele em recomendar a cloroquina beira a irresponsabilidade do médico que prescreve o tratamento sem sequer olhar para o paciente e está convencido de que só os medicamentos de quem o patrocina é que podem ser prescritos. Ora, FDA (EUA), Hospital Aberto Einstein e alguns acadêmicos da USP engrossam o coro que recomenda a prescrição desse remédio que já está em uso há 70 anos e tem seus efeitos colaterais aplamente conhecido; será que falta ao Ministro a autorização da AMIL (que doou 100 mil à campanha dele em 2014) para que ele devida salvar vidas ao invés de apenas evitar cotángios?

  3. Nunca vi entrevistas deste senhor como não sendo com intuito político pessoal. Quando o vejo respondendo perguntas simples que poderiam ser respondidas de maneira objetiva, percebe-se a meu ver a vaidade ou a retórica enrustida de político que não pensa em outra coisa senão… uma eleição

  4. O que se depreende da leitura da caixa de comentários? – Que a pandemia derrete o cérebro de alguns comentaristas dessa caixa de correio. A política acima das medidas sanitárias. Duvido que 10% dos soberanistas entenda alguma coisa de medicina, mas repetem feito papagaios as ordens do Velho Obsceno.

  5. Se excluirmos o “R” do sobrenome de Olavo, ele siquer conseguirá concretizar o adjetivo a que ele se referiu ao Ministro. Faltar-lhe-á gás.

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