A liberdade está sozinha

Os marechais de campo do Brasil liberal, pensante e equilibrado fecham os olhos para as medidas repressivas adotadas pelo STF
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No Brasil, a liberdade está sozinha
No Brasil, a liberdade está sozinha | Foto: Reprodução/Mídias Sociais

(J. R. Guzzo, publicado no jornal Gazeta do Povo em 6 de setembro de 2021)

É um fato altamente revelador do que está acontecendo hoje com a democracia brasileira — acontecendo na vida real, e não naquilo que você lê, ouve ou vê todos os dias na mídia — o pouco caso com que os marechais de campo do Brasil liberal, pensante, equilibrado e social-democrata tratam a questão fundamental das liberdades públicas e individuais neste país.

Passam o tempo todo em estado de excitação nervosa diante dos “atos antidemocráticos” que veem embaixo de cada cama, e apoiam de olhos fechados todas as medidas de repressão que o Supremo Tribunal Federal está tomando contra quem ataca verbalmente os seus ministros e suas decisões, organiza atos públicos de repúdio contra eles ou, até mesmo, toma umas a mais e diz “careca ladrão” numa mesa de bar — entre amigos e com o “careca” ausente do local. “Ameaça à democracia”, se escandalizam.

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Por que se calam, então, quando personalidades públicas, lideranças civis e entidades liberais lançam um manifesto expondo a sua preocupação com as repetidas e graves agressões que a liberdade de expressão vem sofrendo neste momento no Brasil? Nenhum dos militantes da “democracia estilo STF”, desses que estão todos os dias fazendo comícios nas primeiras páginas e no noticiário do horário nobre, abriu a boca para dar o seu apoio ao primeiro grande gesto de apoio à liberdade que o Brasil vê há muito tempo.

É extraordinário, numa sociedade que se pretende livre e que se lança diariamente a repentes neurastênicos em defesa da “democracia”, que só a Gazeta do Povo, entre os principais órgãos de comunicação do Brasil, tenha assinado o manifesto em favor da liberdade de expressão. Onde estão os outros? Essa liberdade está sendo objetivamente agredida, de maneira cada vez mais cínica, pelo alto Judiciário — e não só por ele. Nesse mesmo bonde estão as “agências” que censuram as notícias que decidem ser “falsas”, grupos obscuros que ameaçam empresas que anunciam em veículos “de direita”, funcionários da “justiça” eleitoral e por aí afora. Mas quando um jornal como a Gazeta do Povo assina um documento contra essas aberrações, descobre que está sozinho entre os chamados grandes veículos de comunicação do Brasil.

Ao contrário: todos eles estão fechados com os ministros do STF, que promoveram a heróis da “luta em favor da democracia e das instituições”. Nada do que o STF está fazendo, quando se transforma em polícia e passa o tempo todo a perseguir, punir e jogar na cadeia quem fala mal dele — inclusive um deputado federal em pleno exercício do seu mandato —, é suficiente para merecer qualquer reparo da nossa mídia e das nossas elites.

Ao recusar-se a assinar um manifesto em favor da liberdade de expressão, escrito em linguagem serena, bem articulada, apartidária e respeitosa, a coligação dos principais veículos de comunicação do Brasil está dizendo, formalmente, que considera normal e desejável a situação atual. Se não concordam com os termos do manifesto, concordam com o quê, então? Em português claro, isso quer dizer o seguinte: “Somos contra a liberdade”.

Leia também: “A maior ameaça à liberdade desde o fascismo e o nazismo”, artigo de J. R. Guzzo publicado em Oeste

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