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Política

Banco Master: casos envolvendo Moraes e o BC acendem alerta no Congresso

Acordos jurídicos e interlocuções depois do colapso da instituição levaram parlamentares a cobrar investigação formal

O ministro do STF Alexandre de Moraes e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Foto: Reprodução/Redes sociais
O ministro do STF Alexandre de Moraes e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Foto: Reprodução/Redes Sociais

A liquidação do Banco Master, em dezembro de 2023, deu início a uma sucessão de episódios que colocaram sob escrutínio a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e seus contatos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. 

+ Oposição protocola pedido de impeachment contra Moraes

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A cronologia do caso, detalhada em levantamento da CNN Brasil, provocou reação imediata no Congresso Nacional, com pedidos de impeachment de Moraes e cobranças por apuração rigorosa sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo o sistema financeiro e a Corte.

Encontro entre Moraes e Galípolo

Segundo a CNN Brasil, o primeiro encontro entre Moraes e Galípolo ocorreu em 14 de agosto, semanas depois da sanção da Lei Magnitsky, aplicada pelos Estados Unidos contra o ministro. Um segundo encontro foi registrado em 30 de setembro, depois que a sanção foi estendida à esposa de Moraes.

+ No mesmo dia, Moraes ligou 6 vezes para Galípolo sobre a venda do Banco Master

Nesse mesmo período, o Banco Central rejeitou a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), alegando falta de comprovação de viabilidade econômico-financeira da operação. A negativa representou um revés decisivo para o controlador da instituição, o empresário Daniel Vorcaro, que passou a enfrentar dificuldades crescentes junto ao regulador.

Dois meses depois do veto do Banco Central, Daniel Vorcaro foi preso e passou a ser investigado por suspeitas de fraudes no sistema financeiro. A prisão reforçou o quadro de colapso do Banco Master e ampliou a atenção sobre os bastidores da instituição e suas relações institucionais.

Contrato milionário

O caso ganhou dimensão pública em 11 de dezembro, quando o jornal O Globo revelou que o escritório de advocacia ligado à família de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF, havia firmado contrato para atuar na defesa dos interesses do Banco Master junto ao Banco Central, à Receita Federal e ao Congresso Nacional.

De acordo com a reportagem, o contrato previa honorários que poderiam chegar a R$ 129 milhões, com pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões entre 2024 e 2027. Os repasses teriam sido interrompidos após a liquidação do banco.

Contatos diretos

Na segunda-feira 22, nova reportagem revelou que Alexandre de Moraes teria mantido ao menos quatro contatos diretos com Gabriel Galípolo depois da liquidação do Banco Master — três ligações telefônicas e um encontro presencial. A informação foi divulgada inicialmente pela jornalista Malu Gaspar.

A revelação provocou reação imediata no Congresso. Parlamentares anunciaram a intenção de protocolar pedido de impeachment contra Moraes, citando o que classificaram como “fato novo” a ser investigado.

+ Moraes diz que reuniões com Galípolo foram sobre a Lei Magnitsky

O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) afirmou que buscaria assinaturas durante o recesso parlamentar para formalizar o pedido. Já o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) declarou avaliar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar se houve contraprestação financeira indevida e eventual favorecimento a interesses privados.

Versões oficiais 

Já nesta terça-feira, 23, Moraes se pronunciou oficialmente. O ministro afirmou que os contatos com Galípolo tiveram como objetivo exclusivo discutir os efeitos da Lei Magnitsky e negou qualquer atuação relacionada ao Banco Master.

O Banco Central confirmou, em nota, que houve reuniões com o ministro para tratar dos desdobramentos da sanção internacional.

Ainda na noite de terça-feira, porém, o jornal Estado de S.Paulo informou que o ministro teria feito seis ligações telefônicas para Galípolo no mesmo dia, supostamente para acompanhar a negociação da compra do Banco Master pelo BRB. 

Em resposta, Moraes negou qualquer pressão ou contato com esse objetivo e afirmou que o escritório de sua esposa jamais atuou no processo de aquisição do banco pelo BRB.

Pressão política

A sucessão de eventos elevou a pressão política por investigações independentes. Parlamentares defendem que os fatos sejam apurados com transparência, diante do impacto institucional do caso e da necessidade de preservar a credibilidade das decisões do STF e dos órgãos reguladores. 

1 comentário
  1. Cesar Luiz Dagostin
    Cesar Luiz Dagostin

    Depois do “Careca do INSS”, temos o “Careca do Master”.

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