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Política

Banco Master financiou eventos com ministros do STF no Brasil e no exterior

Levantamento aponta patrocínios e participações institucionais em encontros jurídicos e empresariais

Cerimônia de posse do Senhor Ministro Edson Fachin e do Senhor Ministro Alexandre de Moraes como Presidente e Vice-Presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça (29/9/2025) | Foto: Antonio Augusto/STF
Cerimônia de posse do Senhor Ministro Edson Fachin e do Senhor Ministro Alexandre de Moraes como Presidente e Vice-Presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça (29/9/2025) | Foto: Antonio Augusto/STF

Em meio à análise de processos do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), o jornal O Estado de S. Paulo revelou que a instituição financeira bancou, nos últimos anos, eventos no Brasil e fora do país com a presença de ministros da Corte e integrantes do sistema de Justiça.

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Segundo o levantamento, encontros patrocinados pelo Master reuniram quatro ministros em exercício no STF — Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Luiz Fux — além de dois ex-integrantes do tribunal, Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski, hoje ministro da Justiça. Também participaram o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado para vaga futura no Supremo.

Os patrocínios ocorreram entre 2022 e 2025. Parte dos fóruns foi realizada no Brasil, mas a maioria aconteceu no exterior. Houve eventos em cidades como Nova York, Londres, Paris, Roma e Cambridge, nos Estados Unidos, com o banco como apoiador e o empresário Daniel Vorcaro entre os palestrantes.

Participação do STF em fóruns internacionais

Um dos episódios citados ocorreu em outubro de 2024, no 2º Fórum Esfera Internacional, em Roma. O Master figurou entre os patrocinadores do encontro, que contou com a presença de Barroso, então presidente do STF, e de Toffoli. Vorcaro participou de painel ao lado de parlamentares e executivos do setor privado.

+ Transparência Internacional critica relação entre família de Moraes e Banco Master

Outro evento mencionado foi o Fórum Empresarial Lide, realizado em agosto do mesmo ano, no Rio de Janeiro. Toffoli foi o único representante do Supremo a palestrar. O banco também apoiou encontros em Londres e Nova York com participação de Toffoli e Gilmar Mendes, ambos relatores ou envolvidos em processos que tratam de interesses da instituição no STF.

No gabinete de Gilmar Mendes tramita um recurso do Master sobre a cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. O ministro já rejeitou o pedido principal, mas a discussão segue aberta em razão de novo recurso apresentado pelo banco.

O Estadão também apontou que o Master financiou palestra do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair em fórum jurídico realizado em Londres. Além de Gilmar e Toffoli, participaram Alexandre de Moraes, Gonet e Jorge Messias.

Convites e manifestações

Procurados pelo jornal, apenas Luiz Fux e Jorge Messias se pronunciaram. Ambos afirmaram que os convites partiram dos organizadores dos eventos ou de instituições acadêmicas, e não do banco. Fux participou da Brazil Conference, em Cambridge, organizada por estudantes de Harvard e do MIT, evento que teve o Master como patrocinador Platinum entre dezenas de apoiadores.

A apuração do Estadão ocorre no contexto de decisões recentes do STF relacionadas ao banco. Toffoli concedeu liminar que levou à Corte investigação sobre suspeita de fraude bilionária envolvendo a instituição, suspendeu apurações em outras instâncias e determinou sigilo no processo.

O jornal também relembrou informações divulgadas por O Globo sobre contrato firmado entre o banco e Viviane Barci de Moraes, prevendo atuação do escritório dela em órgãos como Banco Central, Receita Federal e Congresso Nacional, com pagamentos mensais milionários.

Leia também: “Ligações perigosas”, texto de Augusto Nunes e Carlo Cauti publicado na Edição 300 da Revista Oeste

2 comentários
  1. Luiz Renato
    Luiz Renato

    Já não sei mais quem é pior ou mais danoso para o país, se é o narcotráfico ou o STF.

  2. PCC
    PCC

    Em um país mínimamente sério esses ministros já teriam sido demitidos e presos. Aqui não acontece absolutamente nada.

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