O deputado federal Bibo Nunes (PL-RS) contestou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 33 pessoas, sob o argumento de que as acusações são frágeis e carecem de provas concretas.
Em entrevista ao Jornal da Oeste desta quarta-feira, 19, ele classificou a denúncia como “risível” e indagou a ausência de elementos objetivos que comprovem o envolvimento do ex-presidente em um plano golpista.
+ Leia mais notícias de Política em Oeste
“Mostre algo do presidente Bolsonaro ordenando”, desafiou. “Uma gravação hoje, com a tecnologia que temos, é muito fácil achar uma gravação, um vídeo. Não tem nada, nada que prove que o presidente Bolsonaro está envolvido.”
O parlamentar também criticou a utilização do depoimento de Mauro Cid como base para a denúncia e defendeu que os vídeos da delação do ex-ajudante de ordens do ex-presidente sejam divulgados integralmente, sem edições.
“O que me surpreende mais é alguém da confiança do Bolsonaro, como é o caso do Mauro Cid”, afirmou Bibo, que lamentou a postura do tenente-coronel. “Eu várias vezes estive com os dois e o carinho que ele tinha, a confiança do Mauro Cid…”
Bibo rechaçou a possibilidade de a delação ter ocorrido sob pressão. “Pode, em momento algum, dizer assim: ‘tô sendo pressionado, tão me obrigando'”, argumentou. “Não tem isso, ele é culpado da coisa e quer atenuar a culpa dele, dedurando outros, é lamentável.”
O deputado ainda criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e a atuação do Judiciário no caso. Para ele, há um claro viés político nas decisões da Corte e no tratamento dado aos acusados. “Quando a política invade os tribunais, a justiça foge pela janela”, afirmou.
Denúncia carece de provas, segundo Bibo Nunes
Nunes ressaltou que a denúncia da PGR contém expressões vagas e pouco fundamentadas. Como exemplo, ele destacou que a palavra “possível” aparece 207 vezes no documento, enquanto o termo “possibilidade” foi usado 47 vezes. “Então, faltou algo plausível de fato”, argumentou.
Sobre a delação de Mauro Cid, o deputado cobrou transparência e a divulgação completa do material. “Vai liberar os vídeos do que Mauro Cid realmente falou ou só o papelzinho, o que a Polícia Federal colocou de impressão no papel?”, perguntou. “Porque a defesa tem que ser ampla, né? Ou não tem defesa ampla no Brasil mais?”
O parlamentar também criticou a forma como informações da delação de Cid foram divulgadas à imprensa, enquanto a defesa dos acusados ainda não teve acesso total ao conteúdo do depoimento. “Parte da mídia poderosa está junta”, disse. “Tiveram acesso à delação e os advogados de defesa não tiveram. Onde estamos? Que país difícil estamos vivendo?”
Bibo ainda comentou a possibilidade de crise entre o Exército e o governo diante do alto número de militares indiciados pela PGR. Para ele, a instituição foi desrespeitada e precisa se posicionar.
Leia mais:
“O Exército, há um tempo atrás, era a instituição com maior credibilidade no Brasil, e agora aceitar dessa maneira?”, criticou o deputado, que sugeriu que a denúncia pode impactar as eleições de 2026.
Leia também: “Prerrogativas violadas”, reportagem de Cristyan Costa publicada na Edição 244 da Revista Oeste
Bibo ainda defendeu mudanças no Senado para que a oposição possa reverter decisões consideradas injustas. “Antes de 2026, não vejo solução”, afirmou. “Em 26, temos que mudar a formação do Senado, porque quem pode punir o STF é só o Senado”, afirmou.
O parlamentar reafirmou sua confiança na aprovação da anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro e prometeu cobrar transparência no processo. “Se não venceu, é porque ainda não chegou ao fim”, concluiu.
“A anistia vai ser aprovada”, garantiu o deputado. “O presidente da Câmara [Hugo Motta (Republicanos-PB)] se colocou na campanha dizendo que vai pautar. Ontem, saiu uma pesquisa no Congresso, na Câmara e no Senado, onde nós temos a maioria para aprovar a anistia.”
Ótimo pedido. O Brasil quer ver os vídeos.