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Política

Com aprovação na CCJ, Câmara vota hoje a suspensão da ação penal de Ramagem no STF

A pauta do plenário foi republicada para incluir a análise do recurso apresentado pelo Partido Liberal

Alexandre Ramagem
No início de dezembro, o STF havia determinado o bloqueio do salário e da cota parlamentar de Ramagem | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Depois de a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara ter aprovado a sustação da ação em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), a votação para referendar a decisão vai ao plenário da Casa nesta quarta-feira, 7.

A pauta do plenário foi republicada e incluiu, como primeiro item, a análise da sustação integral da ação penal contra Ramagem. São necessários 257 votos para aprovação. No processo em curso na 1ª Turma do STF, também está incluído o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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A CCJ aprovou com 44 votos a favor e 18 contra o relatório do deputado  Alfredo Gaspar (União-AL). Em março, Ramagem e Bolsonaro tornaram-se réus por suposta tentativa de golpe de Estado. Além deles, a 1ª Turma aceitou a denuncia contra:

  1. Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha;
  2. Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal;
  3. General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência;
  4. Mauro Barbosa Cid, ex-chefe da Ajudância de Ordens da Presidência;
  5. Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; e
  6. Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil.

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Fontes ouvidas por Oeste indicam que, tendo a votação da CCJ como termômetro, são grandes as chances de o plenário referendar a decisão “com um bom número” de apoiadores e, assim, sustar a ação em andamento no STF.

O relatório

A decisão da CCJ é contrária à decisão da 1ª Turma do STF. No parecer, o relator Alfredo Gaspar defendeu a sustação integral da ação penal. O parlamentar fundamentou a decisão sobre a ação penal no parágrafo 3º do artigo 53 da Constituição Federal:

“Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação”, diz o trecho da Constituição.

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“Assim, considerando a instauração da ação penal sob exame, da qual é réu o Deputado Delegado Ramagem, considerando estarem preenchidos os requisitos para sobrestamento da ação penal, e considerando a necessidade de conferir autonomia e independência ao mandato exercido pelo parlamentar legitimamente eleito, não resta alternativa a esta Casa que não o sobrestamento da ação penal em sua integralidade”, argumentou o relator. 

A decisão de Zanin sobre o recurso de Ramagem

Em abril, o presidente da 1ª Turma do STF, ministro Cristiano Zanin, determinou que apenas dois dos cinco crimes atribuídos a Ramagem podem ser considerados para suspensão: 

  • Dano qualificado; e
  • Deterioração de patrimônio tombado. 

Zanin decidiu que a Câmara não pode suspender integralmente a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), aceita pela 1ª Turma da Corte. Na ação, Ramagem ainda estava na Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

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Cristiano Zanin
O presidente da 1ª Turma do STF, ministro Cristiano Zanin, durante julgamento do colegiado — Brasília, DF, 25/32025 | Foto: Gustavo Moreno/STF

Nesse sentido, a Casa não poderia suspender a ação penal dos seguintes crimes:

  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito; 
  • Golpe de Estado; e 
  • Organização criminosa.

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“A Turma determinou para dar ciência à Câmara dos Deputados, nos termos do voto do ministro relator, para aplicação do § 3º, do artigo 53 da Constituição Federal, tão somente em relação ao réu Alexandre Ramagem e, especificamente, pelos crimes praticados após a diplomação, quais sejam: dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado tudo nos termos do voto do relator”, informou Zanin, à Câmara.

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