A matemática fantasiosa dos votos na eleição da Câmara dos Deputados

Arthur Lira disputa apoio nas bancadas com o representante de Rodrigo Maia. Mas a transferência de votos dos partidos não é automática
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Plenário da Câmara dos Deputados, que terá um novo presidente a partir de fevereiro do próximo ano | Foto: Saulo Cruz
Plenário da Câmara dos Deputados, que terá um novo presidente a partir de fevereiro do próximo ano | Foto: Saulo Cruz | disputa pela câmara - saulo cruz

Arthur Lira disputa apoio nas bancadas com o representante de Rodrigo Maia. Mas a transferência de votos dos partidos não é automática

disputa pela câmara - saulo cruz
Plenário da Câmara dos Deputados, que terá um novo presidente a partir de fevereiro do próximo ano; disputa está entre Arthur Lira e futuro indicado de Rodrigo Maia | Foto: Saulo Cruz
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A semana termina com uma batalha no noticiário político entre o deputado Arthur Lira (PP-AL) e o presidente de saída da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O motivo: qual dos dois conseguirá reunir mais votos até o dia 1º de fevereiro para comandar a Casa no próximo biênio. Outros nomes ainda espalham rumores nas colunas de jornais, mas como Oeste mostrou em sua reportagem na semana passada, são os chamados “balões de ensaio” da política que não chegarão até o Natal.

A novidade da vez no jogo da Câmara foi o anúncio do alinhamento do bloco de esquerda ao representante de Maia na corrida — embora o nome nem exista ainda formalmente. Novidade porque, ainda que a afinidade do atual presidente da Câmara com líderes da esquerda seja conhecida há anos, os partidos tradicionalmente indicam um nome para marcar posição. Porém, tudo indica que, desta vez, Maia negociou previamente cargos importantes na Mesa Diretora e o comando de comissões de peso com o PT — maior bancada e uma das poucas a votar, de fato, unida.

Com as movimentações iniciadas na última semana, as bases de apoio de Lira e do bloco de Maia estão organizadas da seguinte forma:

Arthur Lira

  1. Avante
  2. Patriota
  3. PL
  4. PP
  5. Pros
  6. PSC
  7. PSD
  8. PTB
  9. Republicanos
  10. Solidariedade

Total: 204 deputados federais.

Bloco do Maia

  1. Cidadania
  2. DEM
  3. MDB
  4. PCdoB
  5. PDT
  6. PSB
  7. PSDB
  8. PSL
  9. PT
  10. PV
  11. Rede

Total: 281 representantes na Câmara dos Deputados.

Matemática falsa

Vence a eleição quem conquistar 257 votos (maioria simples da composição da Casa) e, caso nenhum atinja o patamar na primeira rodada, há disputa de segundo turno. Ou seja, o leitor poderia suspeitar que, com base nesses números, o candidato do grupo de Maia já estaria a um passo da cadeira. Mas o jogo político em Brasília não funciona bem assim e a transferência de votos — sobretudo por ser secreto — não é automática. Ou seja, o postulante até pode ter uma ideia do tamanho do bloco que o apoia, mas, se o placar estiver apertado, o resultado é incerto. Outro fator decisivo são as traições no segredo da urna, que jamais são totalmente decifradas, mas acabam desequilibrando a contabilidade.

No PSL, por exemplo, há deputados que são desafetos públicos de Maia. Por outro lado, Aguinaldo Ribeiro (PB) é um rival de Arthur Lira dentro do próprio PP.

Três partidos ainda não anunciaram suas estratégias para o primeiro turno: Novo, Podemos e Psol — juntos, somam 28 votos.

Leia mais: “Semana do PT: de crítico a aliado de Maia”

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5 comentários

  1. O terceiro candidato é o POVO ELEITOR que não suporta mais o Rodrigo Maia na Câmara, nem como deputado quanto mais como presidente. Portanto quem apoiar Rodrigo Maia enfrentará a fúria do povo em 2022.

  2. Tudo para derrubar o governo e por interesses próprios, simples assim. O país e a população não contam. Por um lado temos um presidente que se tornou vaselina e não reage a nada. Por outro temos o metralha Maia agindo como vizinha invejosa e alcoviteira, esseteefe e a esquerda protegendo ditadória para colocá-lo no poder. Ganha a batalha que tiver a melhor estratégia. Nós só assistimos sem nada poder fazer a não ser ir às ruas, coisa que temos preguiça de fazer.

  3. É por essas e outras que necessitamos da urgente retomada da LEI DO VOTO IMPRESSO. As eleições de 2022, se deixarem Bolsonaro governar até lá, será de acirrada disputa e o VOTO IMPRESSO servirá para qualquer partido concorrente, porque permitira AUDITORIA (sim, aquela que o Barroso não conhece) e CONTAGEM do voto impresso, se solicitada por qualquer parte para confirmar a contagem eletrônica.
    Curiosamente, não vejo essa preocupação na boa imprensa para questionar porque o STF declarou a LEI INCONSTITUCIONAL por “violação do sigilo e liberdade do voto”, própria de quem nem leu a LEI, ou agiram de má fé.
    Vale dizer que Rodrigo Maia, já desdenhou do Voto impresso, simplesmente porque seu autor foi Bolsonaro, e se conseguir eleger a presidência da Câmara Federal vai dar trabalho para reativar essa LEI.

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