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Política

Correios lançam seleção interna inédita para driblar indicações políticas

Além da seleção de gestores, a estatal adota medidas drásticas para equilibrar as contas

Correios empréstimo
O prazo de inscrição vai até sexta-feira, 30, e todos os candidatos passarão por avaliação para integrar o banco de elegíveis | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os Correios lançaram uma seleção interna para compor um cadastro reserva de superintendentes estaduais, medida inédita que busca limitar as indicações políticas nos cargos de liderança.

O processo ocorre em meio à implementação do plano de recuperação da estatal, que obteve um empréstimo de R$ 12 bilhões, garantido pelo Tesouro Nacional para superar sua maior crise financeira.

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De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo (Estadão), a seleção já atraiu 2.245 inscrições, abrangendo funcionários de diferentes áreas, desde carteiros até administradores.

O prazo de inscrição vai até sexta-feira, 30, e todos os candidatos passarão por avaliação para integrar o banco de elegíveis, que servirá como referência nas futuras nomeações para as superintendências estaduais.

Medidas para enfrentar a crise financeira

Além da seleção de gestores, os Correios adotam medidas drásticas para equilibrar as contas, como o fechamento de até mil agências, a venda de imóveis e a previsão de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) para 15 mil colaboradores até 2027.

Essas ações fazem parte do esforço para reverter o quadro financeiro preocupante.

Levantamento realizado em 2025 apontou um déficit estrutural anual superior a R$ 4 bilhões, patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e um prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro.

Caso nenhuma medida fosse adotada, a projeção era de que o déficit atingisse até R$ 23 bilhões em 2026.

STF atende Correios e barra vale-peru

O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o pagamento do vale-peru de R$ 2,5 mil aos empregados dos Correios.

O STF tomou a decisão depois de a estatal recorrer de uma determinação anterior do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

No recurso, a empresa argumentou que o benefício natalino geraria um impacto financeiro incompatível com sua atual situação econômica.

Ao analisar o pedido, os ministros concederam liminar favorável aos Correios.

Leia também: “O pesadelo dos Correios e a greve despercebida”, artigo de Carlo Cauti publicado na Edição 303 da Revista Oeste

A direção da estatal afirmou ainda que o conjunto de benefícios aprovado pelo TST ampliaria o déficit da empresa.

Entre as medidas estão auxílios extras, vantagens rescisórias e ajustes no plano de saúde, que, segundo a empresa, comprometeriam a continuidade do processo de reestruturação. Diante disso, pediu a suspensão imediata dos benefícios.

Os sindicatos reagiram à decisão e sustentaram que negociações prolongadas resultaram no vale-peru e nas demais cláusulas. Para a categoria, a suspensão representa uma perda econômica concreta.

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