Todos os governos cogitaram retomar um imposto nos moldes da antiga Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, desde sua extinção, em 2007

O governo apresentou nesta semana a primeira parte da proposta de reforma tributária. A equipe econômica já anunciou, no entanto, que pretende encaminhar ao Congresso outros pontos considerados mais polêmicos.
Receba nossas atualizações
Entre eles, está a criação de um imposto sobre transações digitais. Embora o ministro da Economia, Paulo Guedes, não goste do termo, a proposta já está sendo chamada de “CPMF digital”.
O nome faz referência à antiga Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, que vigorou de 1997 a 2007. Desde então, a possibilidade de recriação do imposto sempre volta à tona.
O economista e coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, destaca que o Brasil já tem a maior carga tributária do mundo em relação à faixa de renda.
“O governo está querendo criar mais um tributo que vai ser pago por toda a sociedade, principalmente pela classe média. O produto final vai encarecer. É um tributo muito ruim por ser cumulativo”, avalia Balistiero.
Ele destaca que a possibilidade de recriação da CPMF sempre volta à baila porque se trata de um tributo “muito fácil de ser cobrado e de ser arrecadado”.
“Em qualquer transação que você venha a fazer, automaticamente o sistema do banco mostra o débito do tributo. Então você paga, o banco faz o operacional e o governo arrecada”, destaca o professor.
Ricardo Balistiero defende a busca de formas mais criativas para aumentar a receita do governo. Para ele, uma das alternativas seria tributar mais o capital, reduzindo, por exemplo, falhas para benefícios tributários que existem no país, como a Zona Franca de Manaus e desonerações concedidas nos últimos anos.
Histórico da CPMF
A CPMF foi criada em 1994, no governo Itamar Franco, para ser um imposto provisório com o objetivo de financiar a saúde pública. A cobrança incidia sobre a maioria das movimentações bancárias.
Com o passar do tempo, o tributo foi sendo prorrogado e a alíquota subiu de 0,2% para 0,38%. A finalidade também foi alterada e usada até para pagar juros da dívida.
Mesmo com a tentativa do ex-presidente Lula de manter a CPMF, ela foi extinta em 2007 pelo Senado após ter arrecadado R$ 223 bilhões.
Dilma Rousseff tentou ressuscitar o imposto
No início de 2016, a ex-presidente Dilma Rousseff defendeu a recriação da CPMF para o “país sair mais rápido da crise”.
No fim de 2015, inclusive, o Congresso Nacional aprovou o Orçamento de 2016 já contando com a previsão de receita com o retorno da CPMF, mas a proposta não prosperou.
Temer cogitou CPMF temporária
Ao assumir o governo após o impeachment de Dilma, o ex-presidente Michel Temer não descartou recriar a CPMF, mas garantiu que qualquer aumento de impostos seria temporário.
Bolsonaro é contra aumento de impostos
Desde a campanha eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro tem se colocado contra o aumento de impostos.
Em setembro do ano passado, inclusive, ele disse que Marcos Cintra foi demitido da Receita Federal por tentar recriar a antiga CPMF.
No último sábado, Bolsonaro negou que o ministro da Economia queira recriar a CPMF.
“O que o Paulo Guedes está propondo não é CPMF, é uma tributação digital pra financiar um programa”, disse o presidente da República, em conversa com apoiadores.
Segundo o presidente, a ideia é que o novo tributo seja uma compensação para desonerar a folha de pagamento. “É uma compensação, é eliminar um montão de encargo em troca de outros”, disse.
Proposta de Guedes
O ministro da Economia defende desde a campanha eleitoral de 2018 a ideia de um imposto sobre transações. A proposta ainda não está clara, e o governo analisa o melhor texto.
Pouco antes de apresentar a primeira parte da reforma tributária, Guedes disse que estuda uma alíquota de 0,2%.
A ideia, segundo ele, seria compensar a volta da CPMF com redução de outros impostos, como a desoneração na folha de pagamento. Na prática, no entanto, o que sobressai é a ideia de uma nova cobrança.
Em reação, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, garantiu que “CPMF não passa no Congresso”.
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.